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5 coisas que aprendemos no GP de Miami da Fórmula 1 2026

Ao engatar a terceira vitória consecutiva na Fórmula 1, Andrea Kimi Antonelli segue afastando toda a desconfiança que recaía sobre ele antes do início da temporada e aumenta a dor de cabeça de George Russell, que começa a ficar para trás n…

5 coisas que aprendemos no GP de Miami da Fórmula 1 2026
Kimi Antonelli lidera a F1 2026 (Foto: Mercedes)

A tão aguardada chuva não apareceu, mas o GP de Miami foi movimentado do início ao fim e deixou algumas incógnitas a respeito da nova ordem de forças da temporada 2026 da Fórmula 1. O que não mudou, porém, foi o fato de Andrea Kimi Antonelli ter tirado proveito da pole-position para conquistar a terceira vitória consecutiva, colocando ainda mais pressão para cima de George Russell na briga pelo título, uma vez que o companheiro de Mercedes sofreu durante todo o fim de semana.

Mas se essa disputa pelo troféu até então se concentrava apenas na dupla das Flechas de Prata, a corrida deste domingo (3) mostrou que a situação mudou. Isso porque McLaren, Ferrari e Red Bull deram um passo à frente, embora a maior ameaça para os comandados de Toto Wolff venha mesmo de Lando Norris e Oscar Piastri, que marcaram presença no pódio tanto da sprint quanto da prova principal.

Um pouco mais atrás no pelotão, a Williams surpreendeu ao pontuar com Carlos Sainz e Alexander Albon, que mesmo assim não foram capazes de incomodar Franco Colapinto, em oitavo, que aproveitou mais uma ótima performance do carro da Alpine. Gabriel Bortoleto, por sua vez, ficou longe de problemas e terminou em 12º, mostrando que era possível sonhar com algo mais se a Audi não tivesse tantos problemas de confiabilidade.

E até o regulamento entrou na discussão: será que os ajustes feitos pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) surtiram o efeito esperado? Ainda que seja cedo para uma resposta definitiva, a primeira impressão foi positiva.

Sendo assim, o GRANDE PRÊMIO listou as lições que o GP de Miami trouxe. Confira!

ANTONELLI VEIO PARA FAZER HISTÓRIA

O que dizer de Andrea Kimi Antonelli? Em meio a todas as desconfianças que existiam antes do início da temporada, o italiano tem mostrado que realmente veio para fazer história na F1. Após igualar a marca de três poles consecutivas de Ayrton Senna e Michael Schumacher, o jovem de apenas 19 anos foi além ao convertê-las em vitórias — um feito inédito na categoria. A falta de experiência, que tinha tudo para ser o grande obstáculo em 2026, até agora não incomodou o #12, que segue esbanjando maturidade na briga contra campeões mundiais, como Lando Norris, por exemplo, neste domingo (3).

Mas como diz o famoso ditado: cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. E até mesmo Toto Wolff, chefe da Mercedes, alertou que Kimi “não pode se deixar levar” pelo sucesso. Ainda que o início de campeonato seja dos mais promissores, é bom lembrar que ainda restam 18 corridas — já descontando os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita — e que o piloto viveu uma fase tenebrosa durante a perna europeia em 2025. É claro que a época era outra, quando a própria equipe sofria bastante com o carro, principalmente em relação à suspensão traseira do W16, neste caso. De qualquer forma, o passado deve sempre ser lembrado para que os erros não se repitam no futuro

Enquanto isso, do outro lado da garagem, George Russell viu a situação ficar ainda mais caótica. O britânico terminou na quarta posição em Miami e agora se encontra 20 pontos atrás do companheiro de time na classificação do Mundial. Está na hora de parar de falar e começar a fazer, caso contrário, corre o sério risco de entrar em uma espiral descendente perigosa, principalmente com as ameaças cada vez maiores de McLaren e Ferrari. Como ele mesmo disse: “estou feliz que acabou” — e deve estar mesmo.

Kimi Antonelli segue firme na liderança da F1 2026 (Foto: Mercedes)

A AMEAÇA PAPAIA É REAL

É engraçado imaginar que a McLaren, equipe que até pouco tempo foi incapaz de colocar sequer um carro no grid de largada na China, deixou o GP de Miami com um gosto amargo na boca. Embora a classificação de ontem tenha sido um verdadeiro banho de água fria para os papaias, que algumas horas antes haviam conquistado uma dobradinha na sprint, as 57 voltas nos arredores do Hard Rock Stadium comprovaram que a evolução é real — e que a Mercedes terá, sim, muito com o que se preocupar nas próximas semanas.

Atual campeão mundial, Lando Norris apresentou um ritmo de corrida muito similar ao de Andrea Kimi Antonelli e, por isso, ao analisar a oportunidade perdida neste domingo, falou com todas as letras que “era possível conquistar a vitória”. Oscar Piastri teve uma performance mais tímida, é verdade, mas mesmo assim conquistou o terceiro lugar e se mostrou “animado para o futuro”, apostando as fichas de que a escuderia vai dar mais um passo à frente no GP do Canadá, programado para o fim de maio.

E quem é o louco que vai apostar contra a McLaren? O histórico recente mostra que a bicampeã do Mundial de Construtores sabe muito bem como desenvolver boas atualizações. Foram sete apenas em Miami, incluindo tampa do motor, sidepod, assoalho, asa traseira e por aí vai. Com a integração cada vez mais perfeita entre chassi e unidade de potência da Mercedes, o MCL40 surge forte no retrovisor do W17.

A McLaren teve fim de semana positivo com Lando Norris e Oscar Piastri (Foto: McLaren)

DE OLHO TAMBÉM EM VERSTAPPEN

O erro cometido por Max Verstappen logo após a largada, que o fez despencar da primeira para a oitava posição, definitivamente foi um má notícia para o GP de Miami. Isso porque as atualizações apresentadas pela Red Bull tiveram um efeito muito positivo no desempenho do RB22, a ponto de ajudar o neerlandês a conquistar um ótimo segundo lugar no grid, apenas 0s166 atrás do tempo da pole de Andrea Kimi Antonelli — muito menor do que aconteceu no Japão, quando o déficit foi de 1s2.

É óbvio que os taurinos ainda se encontram atrás das principais adversárias em ritmo de corrida, então é utopia imaginar que uma vitória fosse possível. De qualquer maneira, Verstappen terminou na quinta colocação mesmo com um jogo de pneus duros de 51 voltas, já que o time de Milton Keynes optou por uma estratégia diferente para recuperar terreno. E quase deu certo. Se a chuva que passou próxima do circuito tivesse de fato caído na pista, entre o 20º e o 25º giro, o #3 se colocaria na mesma estratégia dos outros pilotos, considerando que todos parariam ao mesmo tempo para colocar os intermediários.

Mas, de novo, toda cautela é pouca. Ainda é preciso ver como a Red Bull vai se comportar em uma pista diferente, como em Montreal, o próximo destino da categoria. Além disso, Laurent Mekies e companhia precisam entender o que aconteceu com Isack Hadjar neste fim de semana, uma vez que o francês não chegou nem perto de replicar as boas performances das primeiras etapas da temporada. É normal que, com um carro mais redondinho, Max cresça na competição e a diferença entre eles aumente, mas não da forma que aconteceu em Miami, onde o mais jovem da dupla até bateu durante a corrida.

A Red Bull apresentou uma boa evolução em Miami (Foto: Red Bull Content Pool)

CORRIDA POSITIVA PARA BORTOLETO

Em meio ao caos vivido pela Audi ao longo de todo o fim de semana, Gabriel Bortoleto mostrou que realmente era possível pontuar no GP de Miami. Como teve a chance de efetuar apenas uma volta rápida na classificação, já que viu o freio traseiro esquerdo pegar fogo, o brasileiro começou a prova deste domingo na 21ª posição e, longe de novos problemas, escalou até o 12º lugar. O resultado mostra que o R26 pode até não ser o carro perfeito — e está longe disso —, mas que possui algumas virtudes.

Claro que terminar entre os dez primeiros não era uma missão das mais simples. Estava nítido desde as primeiras atividades que aquelas posições pertenciam ao grupo formado por Mercedes, McLaren, Ferrari, Red Bull e Alpine — que novamente foi a que mais se destacou no pelotão intermediário. As portas para qualquer outra equipe só se abririam caso esses pilotos tivessem problemas, que foi exatamente o que aconteceu com Isack Hadjar e Pierre Gasly.

Como Racing Bulls e Haas não souberam aproveitar a oportunidade, então a Williams se fez presente, pontuando com os dois carros pela primeira vez na temporada. Ainda que o ritmo de Bortoleto não tenha sido superior ao de Carlos Sainz ou Alexander Albon, uma posição de largada similar à que teve para a sprint, quando começou em 11º, poderia ter ajudado o brasileiro, que apostou em uma evolução da Audi nas próximas corridas.

“Foi a primeira vez que colocamos esse carro e esse motor totalmente novo na pista. Então evoluímos desde o primeiro final de semana, mas o problema é que não tivemos um fim de semana limpo até agora, sem problemas e quebras que estão fora do nosso controle. Precisamos ter paciência até tudo se resolver e, quando isso acontecer, estaremos pontuando com constância”, declarou.

Dentro do que era possível, Gabriel Bortoleto teve bom desempenho com a Audi (Foto: Audi)

OS AJUSTES NO REGULAMENTO FUNCIONARAM?

Antes de os pilotos desembarcarem no GP de Miami, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decretou uma série de ajustes no regulamento da F1, tudo com o intuito de reduzir as manobras contraintuitivas para recuperação de energia e também aumentar a segurança nos duelos de pista. Desta forma, com a potência máxima do super clipping passando de 250 kW para 350 kW, por exemplo, o que se viu foi uma queda na perda de potência do motor nos setores de reta e menos lift and coast.

Entretanto, é muito injusto declarar o sucesso dessas mudanças com base apenas no que aconteceu em solo estadunidense. Isso porque a pista nos arredores do Hard Rock Stadium já é naturalmente favorável à recuperação de energia desses novos carros, visto que possui curvas de baixa velocidade e pontos fortes de frenagem. Até por isso, em vez de limitar a recuperação de energia na classificação em 7 MJ, como era esperado após a reunião com pilotos e equipes há alguns dias, a F1 manteve essa medida em 8 MJ, um claro indicativo de que a bateria não seria um problema em nenhum cenário por lá.

Por outro lado, a potência disponível por meio do Boost em +150 kW e a limitação do MGU-K em determinados setores ajudaram na questão da segurança. Embora ainda possa acontecer, as diferenças de velocidade entre os pilotos na aproximação das curvas não foram tão agudas quanto no Japão, quando Oliver Bearman bateu violentamente ao se esquivar de Franco Colapinto — ainda que, é importante deixar claro mais uma vez, sejam pistas com características totalmente diferentes.

A expectativa é de que a situação melhore a cada corrida e também com novos ajustes, que devem acontecer mais cedo ou mais tarde. De qualquer forma, será interessante ver como tudo vai funcionar no Canadá.

Largada do GP de Miami, realizado neste domingo (Foto: Red Bull Content Pool)

Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinto da temporada 2026.

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