O sábado (23) do GP do Canadá foi para lá de animado, com direito até mesmo ao primeiro grande embate entre George Russell e Andrea Kimi Antonelli. Depois de se enroscarem na corrida sprint e darem trabalho a Toto Wolff, chefe da escuderia alemã, os dois ponteiros do Mundial voltaram a protagonizar um duelo interessante na classificação, com o britânico levando a melhor mais uma vez.
Mas se engana quem pensa que a única preocupação das Flechas de Prata é com o relacionamento entre os pilotos, a McLaren surgiu forte mais uma vez e provou que vai incomodar cada vez mais na temporada 2026. Um pouco mais atrás, no pelotão intermediário, Arvid Lindblad e Franco Colapinto se colocaram como grandes estrelas, encaixando-se ali no top-10 e sonhando com pontos importantes em Montreal.
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Teve também Max Verstappen ameaçando voltar atrás na decisão de permanecer na F1 em 2027 — mais um capítulo dessa novela que parece interminável. E tudo isso por causa do regulamento, que fez a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e as equipes cogitarem corridas mais curtas a partir da próxima temporada, por mais bizarro que isso pareça.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do sábado da Fórmula 1 no Canadá.
Russell se entende muito bem com Montreal
Realmente não tem jeito, George Russell e o Circuito Gilles Villeneuve formam o casal perfeito. É verdade que Andrea Kimi Antonelli quase causou um divórcio durante a sprint deste sábado ao efetuar uma manobra desesperada na tentativa de roubar a primeira posição do companheiro de Mercedes logo nos momentos iniciais. E para dar um pitaco final sobre o assunto, o enrosco entre eles não passou de um incidente de corrida: o italiano tinha o direito de arriscar, da mesma forma que o britânico usou do direito de fechar a porta — assim como qualquer outro piloto do grid faria.
Dito isso, os dois voltaram a protagonizar outra disputa das mais interessantes horas mais tarde, na classificação. É impressionante como o #63 teve um desempenho discreto no Q1 e no Q2, cometendo erros e dificilmente completando uma volta verdadeiramente limpa — praticamente jogando o favoritismo no colo do colega de time. Mas no momento que mais importava, cravou 1min12s578 na fase derradeira e conquistou a terceira pole-position consecutiva no Canadá.
Russell precisava dar uma resposta urgente na briga contra Antonelli, e até aqui tem conseguido. Com uma performance sólida na sprint e uma volta impecável na classificação, o britânico agora se enche de confiança para alcançar a vitória neste domingo, o que equilibraria mais uma vez a classificação do campeonato. É bom lembrar que há previsão de chuva, o que complica a vida de todo mundo, na verdade, considerando que a Fórmula 1 ainda não encarou esse tipo de situação com os carros atuais.

A McLaren vai comendo pelas beiradas
Como era esperado, a McLaren se colocou como principal adversária da Mercedes em Montreal. Embora os papais tenham começado o fim de semana em marcha lenta, aos poucos foram ajustando o MCL40 e quase viram Lando Norris ficar com a vitória na sprint. Claro que o atual campeão mundial de Fórmula 1 tirou proveito do enrosco entre George Russell e Andrea Kimi Antonelli para entrar na briga, mas mostrou um ritmo de corrida interessante ao longo das 23 voltas.
Ainda que todos, desde os pilotos até Andrea Stella, chefe do time, permaneçam colocando as Flechas de Prata como grande referência, também há um sentimento de satisfação pelo trabalho realizado. Se a diferença na classificação da sprint foi de 0s3 entre as duas rivais, essa margem caiu para somente 0s15 na classificação deste sábado, deixando claro que, mesmo com as atualizações feitas pela escuderia alemã, os laranjinhas foram capazes de se manterem bem próximos na briga.
Além de precisar controlar os ânimos dentro da própria garagem, Toto Wolff sabe que precisa ficar com os olhos fixos no retrovisor, pois há uma ameça cada vez mais próxima na temporada 2026.

Os reis do pelotão intermediário
Precisamos falar de Arvid Lindblad e Franco Colapinto. Se ainda existia qualquer dúvida a respeito do ritmo apresentado no Canadá, os dois jovens mostraram que os resultados da classificação sprint e da prova curta não foram fogo de palha. Claro, os carros da Racing Bulls e da Alpine estão bem ajustados, mas mesmo assim Liam Lawson e Pierre Gasly nem chegaram perto de igualar a performance dos companheiros de equipe.
O pupilo da Red Bull conquistou um ótimo nono lugar no grid da quinta etapa da temporada 2026, enquanto o argentino terminou logo atrás, em décimo. O curioso é que desde antes mesmo da classificação, a sensação era a de que as duas últimas vagas no top-10 já tinham donos, uma vez que era muito difícil superar os rivais do top-4 que terminaram à frente.
A Williams até fez uma graça com Carlos Sainz em alguma momento, a Haas seguiu sofrendo em ritmo de volta rápida e a Audi encerrou o dia exatamente onde merecia com Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg. No fim das contas, nenhuma delas foi mais consistente do que Lindblad e Colapinto, que merecidamente se colocaram como principais ameaças ao pelotão de cima — e a chuva pode ajudá-los.

Digam ao povo que… fico?
Quando parecia que os debates acerca do futuro de Max Verstappen na Fórmula 1 finalmente chegariam ao fim, a novela ganhou um novo capítulo de última hora. Isso porque, antes mesmo do início das atividades deste sábado, o neerlandês confirmou ao portal De Telegraaf que continuaria na categoria em 2027, embora tenha evitado cravar a permanência na Red Bull. Ficou claro, inclusive, que as negociações envolvem também outros projetos, o que dá a entender que as futuras participações no endurance devem se tornar uma cláusula no contrato a partir de agora.
No entanto, após a classificação do GP do Canadá, o tetracampeão mundial voltou a falar em aposentadoria. E o motivo é simples: existe a chance de as mudanças previstas nas unidades de potência não entrarem em vigor na próxima temporada, uma vez que boa parte das montadoras deseja postergá-las para 2028. Vale lembrar que, por causa das críticas feitas à divisão 50/50 que existe atualmente, com os pilotos tendo de efetuar manobras contraintuitivas — como o lift and coast, por exemplo — para recuperar energia, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) propôs um aumento na participação do motor a combustão em 50 kW — pouco menos de 70 cv —, o que minimizaria esse problema.
“Se continuar assim, o ano que vem vai ser longo, e não quero isso. Mentalmente, não é viável para mim continuar desse jeito. De jeito nenhum”, cravou Verstappen. Espera-se uma reunião entre as montadoras durante o fim de semana em Montreal para definir os próximos passos dessa proposta. Até aqui, Mercedes e Red Bull Powertrains são as únicas favoráveis ao ajuste já para 2027, enquanto a Audi e outras estão preocupadas com a questão orçamentária, já que teriam de desembolsar cerca de US$ 10 milhões (R$ 50,3 milhões, na cotação mais recente) para se adequarem.

Corridas mais curtas em 2027. É sério isso?!
Pode até parecer piada, mas a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e as equipes de Fórmula 1 estão discutindo seriamente a possibilidade de encurtar algumas corridas a partir da temporada 2027 — e a balança está pesando favoravelmente a essa mudança. E o motivo é o mesmo que foi apresentado no tópico anterior: se de fato houver uma alteração na proporção entre motor a combustão e parte elétrica para 60/40, isso significa que o fluxo de combustível teria de ser aumentado, o que afetaria o tamanho do tanque de combustível e, consequentemente, o chassi.
Muitas equipes, contudo, não querem ter um gasto extra com mudanças no carro. A entidade que rege o esporte a motor então consultou as partes interessadas sobre a ideia de reduzir a duração das provas em circuitos mais exigentes em termos de consumo. Ou seja, é importante deixar claro que não seriam em todas as pista, somente naquelas em que a situação fosse considerada mais severa. Desta forma, o corte de uma ou duas voltas viria acompanhado da limitação a apenas uma volta de saída dos boxes até o posicionamento no grid de largada.
É verdade que o impacto nem seria tão grande, uma vez que, por outro lado, boa parte dos problemas oriundos do aumento da eletrificação seria minimizado, mas o significado por trás dessa decisão é profundo. Na verdade, é vergonhoso mesmo. Stefano Domenicali e outros nomes importantes do meio podem até se recusar a dar o braço a torcer, mas são decisões como essa — na esteira de tantas outras — que mostram que a F1 errou feio com o novo regulamento.

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Fonte original: Grande Prêmio