Grande Prêmio

Alex Zanardi, 1966 – 2026

Alex Zanardi, uma das figuras mais inspiradoras da história do automobilismo, morreu na última sexta-feira, aos 59 anos. Bicampeão da Indy e campeão paralímpico em Londres-2012 e Rio-2016, o italiano vinha se recuperando de um grave aciden…

Alex Zanardi, 1966 – 2026
Alessandro Zanardi (Foto: AFP)

Alex Zanardi, duas vezes campeão da antiga CART e vencedor de quatro medalhas de ouro paralímpicas em Londres-2012 e Rio-2016, morreu na última sexta-feira, conforme informou a família na manhã do sábado (2), aos 59 anos de idade. Conhecido por ter se adaptado e virado uma estrela das Paralimpíadas depois de amputar as pernas por conta de fortíssimo acidente em 2001, o italiano vinha se recuperando de outro acidente grave, que o deixou quase dois anos internado, entre 2020 e 2022.

A jornada do italiano no esporte, no entanto, começou muito antes dele se tornar uma estrela no Estados Unidos e até passar brevemente pela Fórmula 1. Alessandro Zanardi nasceu no dia 23 de outubro de 1966 em Bolonha, na Itália, e começou a andar de kart no começo da adolescência, com 13 anos de idade, quando construiu um kart com as rodas de uma lata de lixo e de tubos que encontrou no trabalho do pai.

Em 1988, Zanardi competiu pela primeira vez na F3 Italiana, conquistando um quinto lugar. No ano seguinte, teve mais destaque ao somar uma pole-position e três pódios. Em 1991, veio a primeira subida ao se inscrever para a temporada da Fórmula 3000 com a equipe italiana Il Barone Rampante, que também era estreante no campeonato.

Zanardi surpreendeu logo de cara ao vencer a primeira corrida e somar mais dois triunfos ao longo do ano. No final, ficou na segunda posição na tabela de pontos, o que despertou olhares no paddock mais badalado do mundo.

Alex Zanardi tentou a F1, mas obteve muito mais sucesso na Indy (Foto: Reprodução)

Na Fórmula 1, Zanardi testou pela Footwork e, depois de impressionar na Fórmula 3000, chamou a atenção de Eddie Jordan, que buscava um substituto para Roberto Moreno ainda em 1991. Com isso, o italiano pilotou o carro da Jordan nas últimas três provas da temporada, fechando duas delas na nona posição e abandonando uma.

Em 1992, Zanardi teve apenas participações pontuais na Minardi ao substituir o lesionado Christian Fittipaldi. Depois, testou pela Benetton, mas não assinou com a equipe que viria a conquistar o título em 1994 com Michael Schumacher. Na temporada 1993, o italiano competiu pela Lotus.

Zanardi, porém, anotou um único ponto, que veio com um sexto lugar no GP do Brasil, a segunda etapa do ano. O companheiro de equipe, Johnny Herbert, fechou o ano com 11 pontos e em nono no campeonato, que não contou com o italiano nas últimas quatro rodadas depois de ter sofrido uma concussão durante um dos treinos do GP da Bélgica.

Antes, também havia se lesionado ao ser atropelado em um acidente de bicicleta. Ainda assim, conseguiu participar do GP da Alemanha, apesar de ter abandonado a prova.

Alex Zanardi foi bicampeão da CART em 1997 e 1998 (Foto: IndyCar)

Ainda se recuperando da concussão, Zanardi perdeu o começo da temporada 1994 e estava como piloto de testes da Lotus, mas retornou no lugar do lesionado Pedro Lamy no GP da Espanha. Porém, aquele já era o final da jornada do italiano na F1, com Zanardi não pontuando até o fim do campeonato e não conseguindo ir além do 13º lugar nas classificações. A Lotus, que também estava de saída do grid, substituiu-o por Philippe Adams para os GPs da Bélgica e de Portugal.

Na temporada 1995, Zanardi encontrou um outro caminho, que marcaria a maior parte de sua carreira no automobilismo. O italiano começou a explorar oportunidades na antiga CART, atual Indy, e conseguiu descolar um teste com a Chip Ganassi, que o contratou em outubro daquele ano.

Já na segunda corrida da carreira na CART, Zanardi conquistou a pole-position, o que viria a se repetir mais cinco vezes. Até o final do ano, também somou três vitórias, o que foi o suficiente para terminar a campanha em terceiro, atrás apenas de Jimmy Vasser, o campeão, e Michael Andretti, que teve os mesmos 132 pontos do italiano, mas se deu melhor por ter cinco vitórias.

Em 1997, veio o primeiro título. Zanardi venceu cinco provas e dominou o meio para o final da temporada, com quatro vitórias em cinco etapas, para marcar 195 tentos e superar o lendário Gil de Ferran por 33 pontos. A melhor forma do italiano, porém, veio em 1998, quando venceu 7 de 19 corridas, com impressionantes 15 pódios conquistados, e faturou o bicampeonato consecutivo da CART, o terceiro seguido para a Chip Ganassi e a Honda.

Alex Zanardi, bicampeão da Indy em 1998 (Foto: LAT Images)

Com tanto brilho na CART, a F1 voltou a abrir as portas para Zanardi em 1999, com Frank Williams entrando em negociações com o italiano. O contrato foi assinado, mas a passagem durou apenas uma temporada, com Zanardi conquistado um sétimo lugar como melhor resultado, no GP da Itália. No entanto, os 11 abandonos ao longo do ano marcaram essa última experiência do piloto na Fórmula 1.

Sem vaga na CART para 2000, Zanardi testou pela Mo Nunn e assinou com a equipe para retornar ao automobilismo norte-americano em 2001. Foi neste ano, porém, que tudo mudou para o italiano.

Durante uma temporada de pouco brilho, Zanardi partiu para a etapa de Lausitzring, na Alemanha, com apenas três top-10 conquistados. Naquela prova, disputada no dia 15 de setembro de 2001, o italiano havia largado do fundo do grid, mas estava ganhando território. Após fazer um pit-stop, perdeu o controle na saída do pit-lane, rodou e foi acertado em cheio pelo carro de Alex Tagliani. O impacto da batida foi fortíssimo, e Alex perdeu as duas pernas e quase três quartos do sangue do corpo.

Depois de lutar pela vida, que incluiu uma cirurgia de três horas, Zanardi recebeu duas próteses e começou um longo processo de reabilitação. Em 2003, porém, o italiano já estava de volta às pistas com próteses e carros adaptados, competindo na FIA World Touring Car Championship (WTCC) pela BMW até 2009. Além disso, também correu em Lausitzring novamente e completou as 13 voltas restantes da prova que nunca havia terminado com um carro adaptado da CART.

Alex Zanardi se reinventou depois da amputação das pernas em 2001 (Foto: AFP)

Zanardi também competiu nas 24 Horas de Daytona de 2019, marcando seu retorno ao automobilismo norte-americano, assim como no DTM como convidado na etapa de Misano, em 2018. A vida do italiano pós-acidente, porém, ficou mais marcada pela carreira como atleta paralímpico.

O piloto começou a competir no paraciclismo, conhecido também como handbike, em 2007, participando de maratonas e acumulando vitórias. Na Maratona de Nova York de 2007, Zanardi ficou a quarta colocação, mesmo feito que conquistou em Veneza, em 2009.

Em 2011, Zanardi venceu a medalha de ouro da Maratona de Nova York e começou a se consolidar como um dos grandes nomes do paraciclismo mundial. No ano seguinte, o italiano teve a chance também de disputar as Olimpíadas, e, por lá, o sucesso foi ainda maior.

Em Londres-2012, Zanardi conquistou três medalhes, sendo duas de ouro e uma de prata. Na Rio-2016, o sucesso continuou, com o atleta italiano faturando mais uma medalha de ouro e outra de prata. Infelizmente, Zanardi não pôde nem sequer sonhar com uma terceira participação paralímpica.

Últimas participação paralímpica de Zanardi, no Rio de Janeiro (Foto: AFP)

Em junho de 2020, o ex-piloto se acidentou gravemente mais uma vez quando andava com uma bicicleta adaptada e foi atingido por um caminhão. Retirado de helicóptero, o italiano ficou internado por um ano e meio até voltar pra casa, onde viveu monitorado por máquinas e pela família, além de passar por várias cirurgias no rosto e cabeça.

Em 2022, Zanardi voltou a ser internado no Hospital San Bortolo, em Vicenza, na Itália, após um incêndio atingir sua casa em Noventa Padovana, no dia 2 de agosto. O incidente afetou os painéis fotovoltaicos de sua casa, causando danos irreparáveis no equipamento que precisa para o atendimento domiciliar. O ex-piloto recebeu alta em setembro do mesmo ano.

Desde então, no entanto, pouco se sabia do estado de saúde de Zanardi, que se distanciou dos holofotes nos últimos anos de vida e seguiu em recuperação cercado da família na Itália.

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Fonte original: Grande Prêmio