Diretor-executivo da Aprilia, Massimo Rivola acredita que Pedro Acosta deveria ter sido impedido de relargar no GP da Catalunha de domingo (17) depois de causar uma bandeira vermelha na prova da MotoGP. Dirigente considerou que, esportivamente, seria mais justo impedir a sequência do espanhol, já que essa seria a consequência natural do problema que o #37 teve com a RC16 da KTM.
Acosta liderava a corrida, mas era seguido de perto por Álex Márquez. Em meados da corrida, o titular da KTM teve uma falha com a RC16 e perdeu velocidade repentinamente. O rival da Gresini ainda conseguiu reagir, mas não evitar integralmente o contato.
Após o choque, Álex perdeu o controle da Ducati e caiu feio, perdendo os sentidos ainda que brevemente. Socorrido na pista, o irmão caçula de Marc Márquez foi transferido ao hospital depois de uma passagem rápida pelo centro médico, onde foi diagnostica uma fratura na vértebra C7 e outra na clavícula direita, que foi reparada cirurgicamente.
Depois de uma paralisação em bandeira vermelha, a corrida foi reiniciada, mas, logo na largada, Johann Zarco perdeu o controle e se acidentou junto com Francesco Bagnaia e Luca Marini. O francês ficou preso na moto da Ducati e acabou lesionando os ligamentos cruzados do joelho, o menisco e ainda sofreu uma fratura no tornozelo.

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Apesar do novo revés, a MotoGP fez uma terceira largada. Acosta de novo brigou pela vitória, mas, pouco a pouco, foi perdendo posições, até cair no fim da corrida após um contato com Ai Ogura, que acabou punido.
Após a corrida, Rivola avaliou que são momentos como os de Barcelona que lembram os riscos aos quais os pilotos estão submetidos.
“São pilotos fenomenais, que arriscam as vidas a cada curva. E muitas vezes nós nos esquecemos disso. Deveríamos dar mais valor ao que eles fazem”, disse Rivola em entrevista à emissora italiana Sky Sport. “Do ponto de vista do regulamento esportivo, acho que deveríamos ser mais rigorosos, não contra o espetáculo, mas a favor da segurança”, seguiu.
Após o acidente de Zarco, os pilotos sugeriram uma mudança no posicionamento da linha de largada de Barcelona, aproximando-a da primeira curva, para reduzir a velocidade com que os pilotos chegam àquele ponto do traçado.
“Mas há outras que são ainda mais distantes, como Mugello, por exemplo. Acho que depende da abordagem que tivermos. Depois de um incidente como de Álex e a bandeira vermelha, se reiniciarmos a corrida, esperaria que os pilotos estivessem um pouco mais relaxados. Minha sugestão é ter uma direção de prova mais rigorosa, mas pelo bem dos pilotos”, comentou.
Perguntado, então, se fazia referência à falta de punição a Raúl Fernández, envolvido no lance que tirou Jorge Martín da corrida, Rivola respondeu: “Não, isso é uma questão interna nossa, porque é horrível ver duas Aprilia envolvidas em um acidente. A análise é mais geral: acredito que um piloto que, por um motivo ou outro, mesmo que não seja culpa dele, como um problema técnico, cause uma bandeira vermelha, não deveria reiniciar a corrida e lutar pela vitória. Lamento pelo que aconteceu no fim da corrida com Ogura, mas esses são aspectos que precisamos rever”.
“Atenção, não estou criticando a direção de prova, pois essa sempre foi a abordagem adotada, até mesmo deliberadamente, em busca do espetáculo. No entanto, todos devemos ser capazes de refletir. Independentemente do problema técnico de Pedro e do que aconteceu com Álex, certas situações se tornam inevitáveis”, ponderou. “Alguns acidentes sugerem uma ânsia de chegar à ponta imediatamente, porque esses pilotos são como leões enjaulados: quando você os solta, eles correm e atacam quem estiver por perto no sentido esportivo da palavra. Na minha opinião, além da regra da bandeira vermelha e da possibilidade de relargada, a questão é esportiva. Não tenho nada contra Pedro, mas acho que algumas coisas precisam ser revistas. É uma questão que estou levantando juntamente com a esportiva. Se não tivessem permitido que Acosta relargasse, não teriam prejudicado ninguém: teria sido uma evolução normal da corrida”, considerou.
Rivola lembrou que, caso a bandeira vermelha tivesse sido acionada uma volta depois, Acosta sequer teria tido a oportunidade de relargar.
“Se a bandeira vermelha tivesse sido acionada uma volta depois da falha no motor de Pedro, ele não teria conseguido voltar, pois o regulamento prevê que o piloto volte os boxes com a moto. Portanto, permitir que ele voltasse ao grid, tendo efetivamente causado a bandeira vermelha, ainda que involuntariamente, não foi correto na minha opinião”, avaliou.
Apesar da avaliação de Rivola, o texto atual do regulamento isenta Acosta de erros, já que, uma vez que foi empurrado pela dupla da Pramac, o espanhol cumpriu a exigência de retornar aos boxes com a moto.
“Acho que algumas coisas precisam ser escritas com mais clareza nas regras. Seria mais justo não relargar. Claro, pode parecer uma punição severa, mas não é. Precisamos falar sobre isso”, defendeu.
A MotoGP retorna entre os dias 29 e 31 de maio, para o GP da Itália, direto de Mugello, na sétima etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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Fonte original: Grande Prêmio