Chefe da McLaren, Andrea Stella propôs algumas mudanças no hardware das unidades de potência para que os carros da Fórmula 1 não sofram tanto com a falta de energia, que se tornou uma das principais críticas ao novo regulamento. Ao destacar que a categoria precisa aumentar o fluxo de combustível e também adotar baterias maiores, o dirigente reconheceu que as conversas precisam começar o quanto antes, tendo em vista 2028 como prazo para a implementação dessas alterações.
Em abril, durante a pausa forçada da temporada por conta das suspensões das etapas no Bahrein e na Arábia Saudita, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se reuniu com montadoras, equipes e até pilotos em busca de soluções para atenuar os efeitos do aumento da eletrificação, sendo a pilotagem contraintuitiva — como o excesso de lift and coast, por exemplo — a maior reclamação por parte dos competidores. A segurança foi outro destaque na pauta, principalmente após o acidente de Oliver Bearman no GP do Japão.
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O desafio, porém, foi encontrar um denominador comum, uma vez que alterar a proporção entre parte elétrica e motor a combustão, hoje em aproximadamente 50/50, não foi considerada por se tratar de uma mudança inviável no curto prazo. Desta forma, três ajustes principais foram definidos: a limitação do Boost a + 150kW, a redução da recarga máxima de 8 MJ para 7 MJ na classificação e o super clipping nas corridas gerando 350 kW em vez de 250 kW.
A FIA, inclusive, marcou uma reunião com todas as partes interessadas para sexta-feira (8) com o intuito de avaliar o resultado das alterações no GP de Miami do último fim de semana. Embora todos os pilotos tenham declarado que a F1 está indo na direção certa, ainda há muito a ser feito para que tanto a classificação quanto a corrida cheguem ao nível esperado para uma categoria deste tamanho.
Por isso, durante as entrevistas no Hard Rock Stadium, Stella falou abertamente sobre outras mudanças que devem ser feitas, com foco principalmente nas unidades de potência. Para que a falta de energia não permaneça sendo um problema, o chefe da McLaren deu a ideia de aumentar o fluxo de combustível do motor e o tamanho das baterias — o que permitiria recuperar mais do que os 350 kW atuais.

“Ajustes de hardware na unidade de potência, com o objetivo de melhorar a F1 como um todo, pessoalmente acho que são necessários. Na prática, isso terá a ver com o aumento do fluxo de combustível para elevar a potência do motor de combustão interna”, começou.
“Acho que também pode envolver recuperar mais energia do que aquela que realmente se utiliza, porque passamos muito mais tempo usando a energia elétrica do que recuperando. Isso pode ser reequilibrado aumentando a capacidade de recuperação em relação ao que temos hoje. De 350 kW, podemos ir para 400 kW? Podemos chegar a 450 kW? E então acho que simplesmente precisamos de baterias maiores”, acrescentou o italiano.
“Se penso nesses três requisitos do ponto de vista de hardware e analiso pela perspectiva dos fabricantes de unidades de potência, vejo que isso é difícil para 2027, porque as implicações no tamanho da bateria e a necessidade de lidar com um maior fluxo de combustível normalmente exigem mais tempo de desenvolvimento do que o disponível até a temporada 2027. Diria que essa discussão precisa ser concluída, possivelmente antes da pausa de verão, para dar tempo de implementar isso para 2028”, pontuou.
“Definitivamente, espero que seja esse o caso, porque, embora tenhamos feito um bom trabalho como comunidade da F1 ao buscar constantemente melhorar o uso do motor com o que está disponível, acho que podemos extrair mais desses regulamentos — mas isso exigirá alguns ajustes de hardware”, reiterou Stella.

Com mudanças mais profundas esperadas apenas para 2028, o comandante da McLaren afirmou que, até lá, a categoria vai precisar se acostumar com as unidades de potência atuais e também com as críticas. Inclusive, ao tentar expor as dificuldades encontradas atualmente, explicou como o complexo sistema de motores é afetado por fatores externos durante uma corrida, como o vento, por exemplo.
“Como já dissemos que as mudanças de hardware provavelmente acontecerão em 2028, todos teremos de nos acostumar com esse tipo de comentário, que envolve um nível de sensibilidade no comportamento da unidade de potência com o qual não estamos habituados — provavelmente nunca na história da F1”, acrescentou.
“O que acontece é que hoje, por exemplo, com uma mudança de vento, alguns dos nossos ajustes começam a ser afetados, o que altera o tempo que você passa em uma reta. E então você tem as ferramentas que tentam otimizar a unidade de potência, que começam a reagir a isso — e aí você passa a reagir à ferramenta, que reage às condições. Isso torna tudo bastante complicado em termos de otimização. Tudo é muito sensível, muito interligado. Se uma dessas condições muda, isso afeta todo o restante do comportamento da otimização da unidade de potência. Não se trata apenas de onde você usa a energia, mas também de como esse uso é sensível a outros fatores que entram em jogo”, explicou.
“Então não quero entrar em muitos detalhes, mas quero dar a ideia de que isso não deve ser visto de forma tradicional, como ‘onde estou gastando minha energia?’. É algo muito mais interligado entre o comportamento elétrico e o próprio motor de combustão interna. Desculpe por ser um pouco enigmático, mas é com isso que lidamos”, concluiu Stella.
A Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026.
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Fonte original: Grande Prêmio