A BMW deu um verdadeiro nó tático nas rivais para vencer as 6 Horas de Spa, no último sábado (9), e levar a primeira vitória da história da marca na classe Hipercarro do Mundial de Endurance (WEC). Em uma estratégia espelhada em relação ao restante do grid desde os primeiros minutos de ação na Bélgica, o carro #20, de René Rast, Robin Frijns e Sheldon van der Linde, se valeu de muitas interrupções para segurar a ponta e vencer, puxando uma dobradinha para uma marca que precisava de um momento mágico no WEC o quanto antes.
Não podemos falar que o projeto do M Hybrid V8 estava em xeque entrando na temporada 2026, mas era nítido que alguma pressão já estava sufocando os bávaros. A BMW voltou à classe rainha do endurance mundial em 2024, com a estreia nos Hipercarros do WEC. Desde então, conquistou pódios, mas não havia vencido.
Por outro lado, no IMSA SportsCar, a marca estreou em 2023 e já teve mais sucesso, conquistando a primeira vitória logo na temporada inaugural do projeto, nas 6 Horas de Watkins Glen. Em 2024, venceu novamente, desta vez em Indianápolis, mas os triunfos pontuais não impressionaram e a RLL, equipe que operava o M Hybrid V8 nos Estados Unidos, não retornou para 2026.
Com isso, a WRT assumiu a operação no IMSA SportsCar e expandiu a parceria que já existia no WEC. Isso, obviamente, reforçou a confiança da BMW na equipe belga, mas também aumentou a pressão por resultados bons em qualquer categoria ou classe. Esse clima de cobrança silenciosa foi ainda mais acentuado com a introdução de atualizações no chassi do M Hybrid V8 para esta temporada.
Robin Frijns, depois da corrida em Spa-Francorchamps, até reconheceu que havia pressão sobre a equipe por essa primeira vitória, principalmente depois que perceberam que era possível vencer no sábado. O discurso pós-corrida dos pilotos da BMW foi de que esse momento estava sendo preparado já há três anos.
E três anos é muito tempo no mundo do endurance. Em três anos, a Ferrari 499P conquistou o tricampeonato das 24 Horas de Le Mans, enquanto o projeto da Porsche Penske chegou no WEC e foi embora em um período de três temporadas. Pode parecer pouco tempo, mas a BMW já estava sentindo a pressão de não ter nenhum troféu na prateleira entrando no terceiro ano no Mundial.

Agora, obviamente, a BMW respira aliviada antes da semana mais importante do ano. Com o próximo compromisso sendo as 24 Horas de Le Mans, em junho, a equipe alemã ganha um importante embalo em busca da primeira vitória geral da prova desde 1999. No entanto, a jornada até o topo em La Sarthe não será tão direta e clara assim.
O principal ponto de preocupação para a BMW é o Balanço de Performance (BoP). Mesmo sem acesso aos ajustes feitos pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para as 6 Horas de Spa, é possível concluir que o BoP foi bem rigoroso para a segunda etapa do WEC e focado em equidade ao ‘punir’ mais severamente Ferrari e Toyota, que dominaram as ações em Ímola. Com isso, praticamente todas as equipes tinham uma chance genuína de brigar por boas posições dentro do top-10, incluindo a Genesis, que pontuou pela primeira vez com o #17 de Pipo Derani, André Lotterer e Mathys Jaubert.
No entanto, vale lembrar que o Automobile Club de l’Ouest (ACO) adota um sistema diferente de BoP para as 24 Horas de Le Mans, priorizando a igualdade em detrimento da equidade. Desta forma, carros produzidos na plataforma LMH, como Toyota e Ferrari, tendem a se beneficiar mais. A BMW, no entanto, faz parte da plataforma LMDh de hipercarros e pode se encontrar mais desfavorecida pelo BoP, mesmo com os ajustes não levando em conta as duas primeiras rodadas do WEC.
Até o momento na era hipercarro, nenhum LMDh venceu em Le Mans. Porém, a BMW ainda chega bem forte e reforçada para a edição de 2026 da prova.

Em Spa, a BMW mostrou um ótimo ritmo de corrida desde a largada, com merecido destaque também para Van der Linde e Frijns nos dois stints finais, mas um fraco desempenho na classificação. O consenso entre os pilotos, inclusive, é de que o forte do M Hybrid V8 neste momento é nos stints longos e não nas voltas lançadas. Porém, com Le Mans tendo 24 horas de corrida, a posição de largada pouco importa.
Se Spa é algum indicativo do que veremos em Le Mans, podemos esperar uma BMW mais forte do que nos anos anteriores, mesmo que sofra para mostrar isso nos primeiros dias de atividades.
Agora, O WEC retorna apenas no próximo mês para a disputa das 24 Horas de Le Mans, a etapa mais importante do calendário. As atividades em La Sarthe acontecem entre os dias 10 e 13 de junho.
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Fonte original: Grande Prêmio