Após dizer que a copropriedade de equipes “compromete a justiça esportiva” na Fórmula 1, Zak Brown decidiu ir além e enviou uma carta diretamente a Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), para tratar do assunto. Ao longo das seis páginas, o CEO da McLaren, inclusive, afirmou que as partes precisam se unir para “desfazer as alianças já estabelecidas”.
Atualmente, o único exemplo de times irmãos na categoria é formado por Red Bull e Racing Bulls. Embora as operações sejam independentes, a escuderia principal da marca de energéticos tem influência direta, além de outras coisas, na escolha de pilotos da base de Faenza e, em muitas situações, os dois lados atuam de maneira conjunta de acordo com os interesses dentro do esporte.
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Recentemente, Flavio Briatore, conselheiro-executivo da Alpine, confirmou que existem quatro potenciais compradores para os 24% da equipe que atualmente pertencem à Otro Capital. Além de um grupo ligado a Christian Horner, ex-chefe da Red Bull, está entre eles também a Mercedes, que passou a fornecer unidades de potência para os franceses a partir da temporada 2026.
“Há uma preocupação real de que o esporte corra o risco de dar um passo atrás em termos de integridade e justiça, justamente em um momento em que o arcabouço regulatório foi concebido — com um esforço coletivo significativo — para seguir na direção oposta”, começou Brown na carta, de acordo com o portal inglês The Race, que teve acesso ao documento.
“Precisamos eliminar quaisquer novas alianças, seja por meio de participação acionária, envolvimento estratégico ou qualquer outra forma equivalente de controle ou influência, e precisamos trabalhar juntos rapidamente para iniciar o processo de desfazer aquelas já estabelecidas, garantindo que a integridade futura do esporte não seja comprometida”, acrescentou em outro trecho.

O CEO da McLaren ainda citou diversos exemplos de circunstâncias em que acredita que a integridade da F1 foi afetada por equipes atuando de maneira conjunta — como, por exemplo, Daniel Ricciardo se esforçando para marcar a volta mais rápida no GP de Singapura de 2024, tirando o ponto extra que até então estava nas mãos de Lando Norris, principal concorrente de Max Verstappen na briga pelo título daquele ano. A ordem dada pela Racing Bulls a Liam Lawson no GP de Miami, solicitando que o neozelandês abrisse caminho para o dono do RB22 #3, também foi mencionada.
Outro argumento apresentado foi o de que recursos compartilhados, incluindo túneis de vento e softwares, podem trazer benefícios quando utilizados entre times irmãos — algo que não acontece com aqueles que trabalham de forma independente. Da mesma forma, Brown questionou os motivos de a escuderia papaia ter precisado esperar meses para contar com Rob Marshall após a contratação, ao mesmo tempo em que Laurent Mekies pôde assumir imediatamente o comando da Red Bull depois que Horner deixou o cargo.
“Acredito que o trabalho realizado pela FIA e pelo Liberty [Media, grupo que detém os direitos comerciais da categoria] para criar 11 equipes saudáveis, em um ambiente de controle de custos, deu origem à era mais competitiva da história da F1″, pontuou. “Entendemos que, ao abordar essa questão estrutural remanescente, a F1 estará em um caminho ainda mais sólido, continuará a prosperar e atingirá seu melhor momento histórico — só precisamos garantir total paridade e integridade em todos os aspectos do esporte. Estou confiante de que podemos alcançar isso juntos”, encerrou.
É importante destacar que, durante o fim de semana em Miami, o próprio Ben Sulayem opinou que a copropriedade de equipes “não é o caminho certo” para a F1, garantindo que a FIA está pronta para iniciar conversas mais sérias a respeito do assunto.

A Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026.
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Fonte original: Grande Prêmio