Após início de altos e baixos, Felipe Drugovich enfim conseguiu a primeira grande atuação em uma corrida de Fórmula E. Neste domingo (17), o brasileiro da Andretti executou uma prova digna de veterano na corrida 2 do eP de Mônaco e foi aos pontos pela terceira vez seguida, dessa vez no segundo lugar — o que consumou o primeiro pódio na categoria elétrica. Seguindo a mesma estratégia que rendeu a vitória a Oliver Rowland, o campeão da F2 seguiu à risca o roteiro necessário e coroou o momento de alta justamente no familiar Principado.
Desde o início da temporada, o problema de Drugovich na Fórmula E tem sido a gestão de energia. Rápido em treinos livres e classificações, o brasileiro compete regularmente com o companheiro — e campeão mundial — Jake Dennis nessas atividades, mas tem dificuldades maiores em relação ao controle da bateria nas corridas. Neste fim de semana, contudo, isso não se manifestou.
Na corrida de sábado, Drugovich executou um plano ambicioso da Andretti, que decidiu gastar mais energia no início e segurar no final. Felipe chegou a ficar em posição de pódio, mas em um plano que deixa os pilotos vulneráveis nas últimas voltas, acabou perdendo um posto para Pepe Martí e chegou em uma satisfatória quarta colocação. Neste domingo, o brasileiro esteve em outro nível.
Em uma prova muito mais marcada pela gestão de energia que a anterior, que contou com o Pit Boost, Drugovich largou em quinto e acabou perdendo uma posição para Rowland nas primeiras voltas. A partir daí, manteve-se na cola do atual campeão e executou estratégia extremamente parecida: deixou o trio de frente desgarrar para focar em ter energia para atacar no final.
Aqui, um parêntese. Terceiro colocado no grid de largada, Edoardo Mortara foi punido em 10s por uma batida em António Félix da Costa na primeira volta e viu a disputa pela vitória acabar ali. Com isso, resolveu acelerar bem mais do que o planejado e compeliu alguns competidores a fazer o mesmo, casos de Dan Ticktum e Mitch Evans. Drugovich, assim como Rowland, preferiu ignorar esse aumento de ritmo e manter o plano inicial. Decisão correta.

Ou seja, da segunda metade da corrida em diante, já nas janelas de ativação do Modo Ataque, o trio de frente começou a perder rendimento — ainda mais com a aproximação de um Da Costa profundamente rápido e irritado.
E foi aí que Drugovich cresceu: já na primeira ativação, juntou-se ao companheiro Dennis e enfileirou ultrapassagens. Na segunda, fez o mesmo com Rowland e só evitou passar Mortara, que já tinha punição e oferecia um risco bem maior que a recompensa. Com o acréscimo de 10s ao tempo do suíço, assumiu o segundo posto.
E Drugovich não foi o único brasileiro a se destacar em Mônaco. Lucas Di Grassi pontuou nas duas corridas com o problemático carro da Lola Yamaha com um plano de guardar tudo para gastar no final, além de alguma sorte com punições para ser oitavo no sábado. No domingo, o campeão de 2016/17 foi ainda melhor e, mesmo em prova que se anunciava mais difícil para a equipe, cruzou em décimo. Excelente atuação, no mesmo nível dos primeiros colocados, para garantir pontos no último ano de Fórmula E.

Da forma que se desenhou, o eP de Mônaco (em especial a segunda corrida) pode representar uma virada de chave para Drugovich na categoria. Afinal de contas, o resultado foi conquistado muito por conta da execução perfeita de algo que vinha sendo justamente o calcanhar de Aquiles do brasileiro.
Neste domingo, Felipe fez corrida digna de veterano e deveu pouquíssimo ao atual campeão mundial, cumprindo o planejamento com sucesso e de forma calma. De sobra, ainda ofuscou completamente o companheiro Dennis em todas as sessões. Em Mônaco, lugar em que foi muito feliz em outras oportunidades, Drugovich alcança o ponto mais alto da carreira na Fórmula E até o momento — e dá cada vez mais sinais de que a segunda metade da temporada pode ser bem diferente da primeira.
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Fonte original: Grande Prêmio