Diretor-geral da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna avaliou que o desfecho do acidentado GP da Catalunha “poderia ter sido muito pior”. O dirigente desejou uma pronta recuperação a Álex Márquez e Johann Zarco e considerou que situações como a de domingo (17) servem para unir as equipes, relembrar os riscos do esporte e exaltar a coragem dos pilotos.
A corrida em Barcelona marcada dois acidentes graves. A primeira interrupção em bandeira vermelha aconteceu após o caçula dos irmãos Márquez não conseguir desviar totalmente de um Pedro Acosta com problemas na KTM e cair forte na curva 10. O #73 precisou ser removido do local de ambulância, transferido ao centro médico e, depois, levado do hospital local, onde exames mais detalhados confirmaram fraturas na clavícula direita e na vértebra cervical C7.
Ainda no domingo, Álex operou a clavícula e, já na tarde de segunda-feira, teve alta do hospital, mas seguiu para casa usando um colar cervical.
Apesar da brutalidade do lance com Álex, a MotoGP optou por uma segunda largada, quando um novo acidente aconteceu. Na hora da relargada, foi Zarco quem teve problemas na curva 1, caindo com Luca Marini e Francesco Bagnaia. A perna do piloto da LCR, porém, ficou presa na Desmosedici #63, o que fez Johann rodopiar pela brita acompanhando o movimento do protótipo.

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O piloto da LCR foi diagnosticado com lesões ligamentos cruzados anterior e posterior do joelho, no menisco e uma fratura na fíbula, na altura do tornozelo. Johann deixou o hospital na Catalunha na segunda-feira e, na terça, passou em consulta com um especialista acostumado a tratar atletas de elite do futebol.
O #5 vai precisar de cirurgias nos ligamentos do joelho, mas não pode fazer a operação de forma imediata, já que precisa avançar um pouco com a recuperação antes de poder se submeter ao procedimento. Assim, nenhum dos dois pilotos têm data de retorno.
“Poderia ter sido muito pior… Este é o tipo de cliché que é tão óbvio quanto verdadeiro e intenso”, começou Dall’Igna no tradicional balanço pós-corrida publicado no LinkedIn. “Foi um daqueles domingos que acontecem para abalar todas as certezas, que nos lembram o quão perigoso nosso esporte realmente é, o que significa para cada piloto entrar na pista e dar tudo de si, com a coragem de verdadeiros guerreiros”, seguiu.
“São episódios assim que unem todas as equipes em uma grande família, redefinindo valores e colocando as ‘coisas’ na devida perspectiva. Sim, de fato, tudo mais fica em segundo plano depois de um dia longo e estressante como este”, frisou.
Apesar do dia tumultuado, Gigi não deixou de elogiar a performance de Fabio Di Giannantonio, que venceu pela segunda vez na MotoGP, de Fermín Aldeguer, que voltou ao pódio depois da fratura no fêmur durante as férias, e Francesco Bagnaia, que foi promovido ao terceiro lugar após uma punição a Luca Marini por conta da pressão dos pneus abaixo do mínimo permitido em regulamento.
“Tudo aconteceu na pista, ficou claro. No fim, garantimos o pódio completo de um GP maluco, disputado e imprevisível, repleto de reviravoltas até o último instante e até mesmo depois, com as penalidades pós-corrida”, comentou. “Parabéns a Di Giannantonio e à equipe VR46 por assegurarem a segunda vitória dele. Ele deu outra prova de maturidade, extraindo o máximo das relargadas após as bandeiras vermelhas. Foi uma corrida complexa e muito bem gerida, que se soma a um início de temporada rápido e sólido, com resultados consistentes, como já disse muitas vezes neste ano”, acrescentou.
“O mesmo entusiasmo expressamos com a Gresini ― se é que podemos dizer isso após o susto ― e o jovem piloto Aldeguer, que fez todos esquecerem da séria lesão que ele sofreu no inverno, voltando ao pódio com uma corrida em que foi um dos principais protagonistas, com uma atuação corajosa”, sublinhou. “Pecco garantiu o terceiro lugar, o que é um grande incentivo. Sim, é sempre bom, mesmo que seja um pódio inesperado conquistado de uma maneira ousada ― é bom destacar a circunstância ― após uma ótima relargada após a queda envolvendo Zarco”, disse.
Ainda, Dall’Igna lamentou o revés de Álex Márquez, que, na visão dele, tinha tudo parta sair com 37 pontos da Catalunha.
“É uma grande pena por Álex Márquez, se olharmos puramente para o lado esportivo das coisas. Estava tudo alinhado para ser o dia dele e, no geral, o fim de semana dele, após uma sólida e importante vitória na corrida sprint. Ele tinha um ótimo ritmo e a determinação certa para se impor diante de oponentes que eram duros e fortes”, ponderou. “Nem preciso dizer que mal podemos esperar para tê-lo de volta à pista. Esse desejo se estende a Zarco também: enviou aos dois rapazes o meu mais caloroso ‘boa sorte’”, encerrou.
A MotoGP retorna entre os dias 29 e 31 de maio, para o GP da Itália, direto de Mugello, na sétima etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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Fonte original: Grande Prêmio