Motorsport.com Brasil - F1

F1: Button reconhece em Piastri mesma fraqueza que marcou a própria carreira

Campeão de 2009 explicou porque piloto da McLaren o lembra tanto de si mesmo

F1: Button reconhece em Piastri mesma fraqueza que marcou a própria carreira

Campeão de 2009 explicou porque piloto da McLaren o lembra tanto de si mesmo

Na Fórmula 1 atual há pilotos velozes, pilotos agressivos e pilotos mediáticos. E então há Oscar Piastri, que parece ter sido feito ao contrário dos demais. Ele não grita pelo rádio, não faz cena e não exagera nas emoções, como se nada pudesse abalá-lo. O australiano age como se estivesse na F1 há dez anos, em vez de apenas algumas temporadas.

Fórmula 1VÍDEO F1: Rafa Câmara faz primeiro teste com carro da Ferrari em Hungaroring

Fórmula 1F1: Bottas revela envolvimento do FBI em caso de roubo na Cadillac em Miami

Fórmula 1F1: "Temos a dupla mais forte do grid", opina chefe da McLaren

É por isso que muitos no paddock começaram há algum tempo a chamá-lo de novo “Iceman”. Não por imitar Kimi Raikkonen, mas porque transmite a mesma sensação estranha de calma permanente, mesmo quando tudo ao redor está pegando fogo.

E agora há outro campeão mundial que se vê refletido nele: Jenson Button. O britânico, campeão de F1 em 2009 e atualmente embaixador da Aston Martin Racing, falou sobre Piastri no podcast oficial da F1, Beyond The Grid, e deixou uma das reflexões mais interessantes que se ouviram sobre o australiano nos últimos meses.

“Na minha juventude, provavelmente diria Oscar”, respondeu Button quando lhe questionaram qual piloto atual mais o lembrava a si mesmo. E não foi uma comparação superficial. Button não falava apenas do estilo de pilotagem, mas também de personalidade. De como um piloto se comporta quando ainda não aprendeu a lidar com a pressão real de disputar um Mundial.

Ano em que Piastri deixou de ser uma promessa

2025 mudou a dimensão de Piastri dentro da McLaren e dentro da F1. Até então, ele era o talento frio, o piloto cerebral, o jovem capaz de vencer corridas sem cometer erros e sem fazer barulho.

Mas no ano passado surgiu algo mais: pressão. Piastri chegou a ter o campeonato nas mãos em plena guerra interna com Lando Norris, em uma McLaren que decidiu deixar seus dois pilotos competirem mesmo quando Max Verstappen ainda estava vivo na disputa. Essa liberdade transformou a garagem de Woking em uma panela de pressão.

Durante grande parte da temporada, o australiano foi o piloto mais sólido do grid. Quase não cometia erros, realizava ultrapassagens impossíveis com uma naturalidade imprópria para sua idade e dava a sensação de que nada poderia tirá-lo de sua zona de conforto.

Até que chegou o desgaste mental. Norris acabou levando o título e Piastri foi perdendo força aos poucos na reta final do campeonato. E é aí que Button acredita reconhecer algo muito familiar.

“Houve momentos no ano passado em que senti que não era capaz de tirar o melhor de mim mesmo”, explicou. “Às vezes você fica tenso e essa era uma fraqueza minha". 

A parte mais interessante da reflexão de Button não é o elogio, mas a confissão, pois o britânico admite também ter passado por isso. Também sentiu como a pressão o bloqueava mentalmente em determinados momentos de sua carreira. Especialmente quando lutava contra companheiros extremamente fortes, como Lewis Hamilton na McLaren.

"Eu não estava mentalmente preparado em alguns momentos da minha carreira", reconheceu.

E é justamente por isso que ele acredita entender tão bem o que aconteceu com Piastri na disputa interna com Norris. O australiano continua tendo aquela imagem de piloto imperturbável. De rapaz tranquilo que parece imune ao caos do paddock. Mas Button deixa escapar que até mesmo os mais frios acabam sentindo a pressão quando surge a possibilidade real de se tornarem campeões do mundo. E aí está a diferença entre ser muito rápido e se tornar uma lenda.

Mesmo assim, Button deixou claro que continua vendo algo especial no piloto da McLaren, que vai além do resultado final de 2025. “É bonito ver sua dedicação e seu foco. Ele só quer correr", comentou. 

A frase parece simples, mas explica perfeitamente como o paddock vê Piastri. Um piloto extremamente maduro na pista, pouco interessado em tudo o que envolve o espetáculo e obcecado apenas em pilotar rápido.

Lando Norris, McLaren, Oscar Piastri, McLaren, Zak Brown, McLaren

Muito ao estilo de Button e de Raikkonen. Muito old school. Na verdade, o campeão de 2009 acredita que essa personalidade também lembra Max Verstappen. “Ele é muito parecido com o Max nesse aspecto”, afirmou.

Porém, o britânico faz um esclarecimento importante: “Não sou como o Max. Não chego nem perto de ser tão bom quanto ele e pilotamos de maneira muito diferente". 

O interessante é que, apesar do golpe emocional de 2025, Piastri continua sendo considerado dentro do paddock como um dos pilotos mais perigosos do grid. Porque, mesmo perdendo o campeonato para Norris, deixou a sensação de que ainda não atingiu seu limite. E porque, quando encontra o ritmo, provavelmente é um dos pilotos mais difíceis de desestabilizar psicologicamente durante um fim de semana.

Button parece ter isso bem claro. Talvez por isso fale dele quase como se estivesse olhando para uma versão mais jovem de si mesmo, com um talento extraordinário, fria por fora e muito mais vulnerável por dentro do que aparenta. E na F1, às vezes, os campeonatos começam a ser conquistados logo após se perder um.

Fonte original: Motorsport.com Brasil - F1