Após mudanças no regulamento, sprint do GP de Miami foi mais estável e com menos ultrapassagens forçadas pela gestão de energia
Lando Norris acredita que os ajustes nos regulamentos da Fórmula 1 foram um passo na direção certa, mas ressalta que ainda há trabalho a se fazer. Durante o fim de semana em Miami, os pilotos puderam tiveram primeiro contato com as mudanças técnicas, que resultaram na primeira vitória de um piloto que não seja da Mercedes na corrida sprint deste sábado (2), mas o novo equilíbrio pode ter sido só fator isolado.
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As alterações na gestão de energia têm como objetivo corrigir as velocidades de aproximação, por vezes perigosas, e tornar a classificação mais no limite, mas a FIA e a categoria já deixaram claro desde o início que isso não mudará fundamentalmente as corridas. E essa é também a impressão dos pilotos após a etapa curta nos Estados Unidos.
O pole position e vencedor da corrida sprint, Norris, aprovou as mudanças, mas acrescentou que, da perspectiva do piloto, ainda é preciso mais. “Algumas coisas permanecem como esperado", ressaltou o piloto da McLaren, que enxerga os competidores ainda sendo 'punidos' por extraírem o máximo de desempenho.
"Isso ainda é algo que queremos corrigir no futuro, como pilotos, e acredito que também como Fórmula 1", complementou, sem deixar de elogiar os ajustes técnicos. "Você não quer ser mais rápido em algum ponto da volta de classificação e ser penalizado por isso. Não é assim que deveria ser, mas parece estar na direção certa, e acho que é mais provável que vejamos um benefício ainda maior disso em outras pistas".
A primeira impressão, com ressalvas, se deve ao fato de o Autódromo Internacional de Miami não ser a pista mais crítica em termos de gerenciamento de energia, o que significa que os pontos problemáticos não são tão expostos quanto, por exemplo, na Austrália.
“Acho que o fato é que nós, pilotos, sempre vamos reclamar um pouco, porque é o que sempre fazemos, mas ao mesmo tempo, acho que é um passo à frente”, continuou Norris, que viu pontos positivos já na classificação sprint. "Dava para forçar o motor sem precisar pegar mais leve. A sensação foi um pouco mais normal e acho que isso foi bom", descreveu.
Apesar da gestão de energia ter sido mais 'amigável', britânico acredita que cenário não mudará nas corridas.
Foto de: Ryan Pierse / Getty Images
Isso indica que as mudanças para a classificação – incluindo a redução do limite de potência – surtiram efeito, embora Norris acrescente que a corrida em si segue igual. Segundo ele, a melhora fundamental do produto ainda é algo para o longo prazo.
“Na corrida sprint, nada muda, além dos superclips e coisas do tipo, mas fora isso, um passo na direção certa é tudo o que podemos pedir no momento. O resto talvez venha mais tarde neste ano, mas também nos próximos anos", concluiu.
A opinião do britânico é confirmada por Charles Leclerc, terceiro colocado na corrida sprint de Miami com a Ferrari. O monegasco também reconhece que ainda há trabalho a ser feito, mas acrescenta que os pilotos não devem esperar muito.
“É verdade que precisamos ter expectativas realistas, porque não podemos mudar tanta coisa. Acho que alguns desses regulamentos técnicos e os problemas que enfrentamos permanecerão de alguma forma”, pontuou.
“Podemos minimizá-los e acho que a abordagem foi correta, e as medidas que a FIA tomou aqui melhoraram a situação. Se chegaremos a uma situação em que não haverá mais nenhum desses problemas, não tenho certeza", projetou Leclerc.
Leclerc, terceiro colocado com a Ferrari na corrida sprint, compartilha das opiniões do piloto da McLaren.
Foto de: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
Layout de Miami e corrida sprint contribuíram para nova estabilidade na F1
Durante a etapa curta em Miami, pareceu haver um número ligeiramente menor de mudanças de posição causadas pela gestão de energia, ou seja, à tão comentada oscilação na pista - e mais popularmente, a 'corrida ioiô'.
Segundo os pilotos, no entanto, isso tem mais a ver com as características do circuito americano do que por conta dos ajustes. “Acho que (também) hoje o fato de estar muito quente estando atrás de outro carro fez com que os pneus superaquecessem muito rapidamente”, explicou o piloto da Ferrari. “Isso tornou muito difícil ficar mais perto".
Norris também crê que a oscilação ainda é um fator e que vários elementos a 'mascararam' em Miami. "Não há razão para que não haja (as mudanças de posição constantes). Acho que é provavelmente como Charles disse, que seguir o carro da frente é difícil aqui por causa das temperaturas".
A natureza da corrida sprint foi outro fator reforçado pelo britânico, em comparação com o que deve ser a principal. "(Aqui) você provavelmente está forçando um pouco mais no limite. Creio que ainda haverá oscilação. Veremos amanhã".
Fonte original: Motorsport.com Brasil - F1