A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) pretende endurecer as regras para coibir jogos de equipe entre montadoras e clientes na Fórmula E a partir da temporada 2026/27, que marcará a estreia da era Gen4. A medida surge em meio à preocupação crescente no paddock sobre possíveis alianças estratégicas capazes de interferir diretamente nos resultados das corridas e campeonatos — principalmente em relação à Porsche.
Segundo informações do portal The Race, a FIA comunicou as equipes durante uma reunião do grupo de trabalho esportivo que trabalha para proibir ordens entre fabricantes e clientes. Gerente da entidade para a Fórmula E, Pablo Martino explicou que a intenção é neutralizar qualquer vantagem considerada injusta pela relação de fornecimento de trens de força.
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“Vamos reforçar no regulamento esportivo do próximo ano que ordens de equipe com objetivo de alterar significativamente um resultado ou a maneira como uma corrida se desenvolve entre competidores são proibidas”, explicou.
“Se alguma montadora tentar controlar posições por meio de ordens aos pilotos, tentaremos encontrar uma maneira de reverter isso e restabelecer o que consideramos um ambiente justo para todos os competidores”, seguiu.

A preocupação ganhou força após a Porsche anunciar que terá uma segunda equipe de fábrica na Fórmula E durante a era Gen4. Atualmente, a marca alemã tem o time próprio, além de dois clientes: Andretti e Cupra Kiro. Com a expansão da operação, passará a ter controle total sobre duas escuderias no grid, além de manter relação de fornecedora com mais uma — que caminha para ser a Cupra Kiro após a oficialização do fim da parceria com a Andretti.
No paddock, rivais entendem que o modelo abre espaço para uma gestão estratégica de corridas e campeonatos envolvendo múltiplos carros alinhados aos interesses da Porsche. Embora nem fabricante alemã nem Cupra Kiro confirmem a existência de diretrizes esportivas entre si, existe a percepção de que pilotos da equipe norte-americana poderiam atuar de forma subordinada aos carros oficiais em determinadas situações.
Martino destacou que a entidade considera fundamental preservar o atual modelo competitivo da Fórmula E e que, até o momento, as equipes receberam positivamente a iniciativa.
“Para nós, é essencial manter o sistema atual da Fórmula E, que acreditamos funcionar muito bem, onde uma equipe cliente pode ser tão competitiva quanto uma equipe oficial e até ganhar campeonatos”, explicou.

“Desde que apresentamos essas ideias, as equipes ficaram bastante satisfeitas. Claro que querem ver isso sendo aplicado caso seja necessário. Não acredito que será muito diferente do que já existe hoje, mas estamos apenas tentando esclarecer como vamos agir caso algo injusto aconteça” finalizou.
A FIA já possui mecanismos regulatórios para lidar com manipulação de resultados através do Apêndice M do Código Esportivo Internacional. O documento aborda temas como conflitos de interesse, manipulação de competições e até uso indevido de informações privilegiadas.
Um dos trechos define manipulação como “um acordo, ato ou omissão intencional destinado a alterar indevidamente o resultado ou o andamento de uma competição, removendo parte ou toda a natureza imprevisível do evento com o objetivo de obter vantagem indevida para si ou terceiros”.
A entidade também mantém uma plataforma confidencial chamada “Linha de Ética e Compliance”, utilizada para denúncias relacionadas a condutas impróprias no automobilismo. Apesar disso, um dos grandes desafios será justamente fiscalizar possíveis códigos internos usados em mensagens pelo rádio para mascarar ordens de equipe.

O caso mais emblemático da história recente do automobilismo aconteceu na Fórmula 1 em 2010, quando a Ferrari utilizou a famosa mensagem “Fernando is faster than you” (“Fernando está mais rápido que você”, em tradução livre) para orientar Felipe Massa a ceder posição a Fernando Alonso no GP da Alemanha. O polêmico momento rendeu multa ao time italiano e, ironicamente, contribuiu para o fim do banimento de ordens de equipe na categoria.
Outro episódio marcante aconteceu em 2023, quando a Red Bull utilizou o código “Multi 21” para orientar que Sebastian Vettel mantivesse posição e não atacasse o companheiro Mark Webber no GP da Malásia. Na ocasião, o alemão ignorou a ordem, fez a ultrapassagem e venceu a prova.
A Fórmula E volta neste fim de semana com a rodada dupla do eP de Mônaco, entre os dias 15 e 17 de maio. A categoria elétrica corre pelo tradicional circuito montado nas ruas de Monte Carlo, o mesmo utilizado pela Fórmula 1. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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eP de Mônaco da Fórmula E: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique
| Data | Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Sábado (16) | Treino livre 1 | 2:30 | 4:30 | 6:30 | 7:30 |
| Sábado (16) | Treino livre 2 | 4:10 | 6:10 | 8:10 | 9:10 |
| Sábado (16) | Classificação | 5:40 | 7:40 | 9:40 | 10:40 |
| Sábado (16) | Corrida | 10:05 | 12:05 | 14:05 | 15:05 |
| Domingo (17) | Treino livre 3 | 3:30 | 5:30 | 7:30 | 8:30 |
| Domingo (17) | Classificação | 5:40 | 7:40 | 9:40 | 10:40 |
| Domingo (17) | Corrida | 10:05 | 12:05 | 14:05 | 15:05 |
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Fonte original: Grande Prêmio