Jovem de 18 anos perdeu a visão do olho direito após ser atingido por bala de borracha no entorno do Maracanã após clássico Flamengo x Vasco.
Arthur Cortines Laxe, de 18 anos, perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha nas imediações do Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no domingo (03). O jovem, torcedor do Vasco, deixava o estádio após o clássico contra o Flamengo quando foi ferido durante uma ação policial para dispersar torcedores.
Segundo a mãe do estudante, Christiane Cortines, o disparo partiu de um policial militar no momento em que Arthur tentava se afastar de um tumulto entre torcidas organizadas. O jovem está internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio, e deverá passar por pelo menos três cirurgias; entre elas uma plástica e outra para tratar uma fratura no nariz. O quadro de perda de visão é considerado irreversível pelos médicos.
Arthur relatou que caminhava pelo entorno do Maracanã em direção ao metrô quando se deparou com uma nova confusão. Ao tentar recuar, foi atingido no rosto. “Quando virei pra trás, ouvi os cavalos e já tomei um tiro na cara”, contou o estudante, ressaltando que não fazia parte de nenhuma torcida organizada e não participava da briga.
O jovem ainda afirmou que, ferido e sangrando, tentou pedir socorro a policiais militares e foi ignorado. Segundo ele, um dos agentes chegou a dizer: “Sai daqui, se vira”. O auxílio só veio de um taxista que passava pelo local e o levou até o hospital. Uma gravação feita por um canal do YouTube registrou o momento em que Arthur, com o rosto ensanguentado, pede ajuda a um PM, que faz um gesto mandando-o embora.
– O meu filho, quando me ligou, estava lavado de sangue. Quando eu o encontrei no hospital… aquilo pra mim, acabou. Acho que é um trauma que vai ficar -, desabafou Christiane ao SBT Rio 2ª Edição na noite de terça-feira.
Família exige indenização e responsabilização
A família de Arthur não se limita a cobrar explicações. Christiane afirmou que entrará com pedido de indenização contra o Estado. A mãe do jovem diz que é inadmissível uma pessoa sair de casa para assistir um jogo e voltar sem enxergar. O pai, Paulo Conceição, também lamentou a situação e disse que ensinou a paixão pelo time para o filho e ele abraçou essa paixão.
Mesmo diante da gravidade do caso, Arthur manteve um recado sereno ao policial responsável pelo disparo.
– Pedir para que ele não fizesse mais isso com ninguém, porque talvez ele tenha uma filha, certamente ele tem uma mãe, e eu acho que a mãe dele e os pais dele não gostariam que isso acontecesse com o filho deles -, disse o estudante.
A Polícia Militar confirmou que um homem ficou ferido por disparo de elastômero durante as ações de contenção e informou que o comando das unidades envolvidas instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência. Cerca de 800 agentes atuaram no policiamento da partida. Ao todo, 15 pessoas foram presas em decorrência das confusões registradas principalmente após o apito final.
Dois homens foram espancados durante uma briga generalizada entre torcedores do Flamengo e Vasco após a partida entre as equipes pela 14º rodada do Campeonato Brasileiro, no Maracanã, na tarde deste domingo, (3) pic.twitter.com/K1SHHovt0f
Arthur não foi o único a sair ferido do entorno do Maracanã naquele domingo. Outros dois torcedores (um do Flamengo e outro do Vasco), foram espancados e chegaram a ficar desacordados durante os confrontos. Um deles, identificado como Hiata André Barbosa, também teve o relógio roubado. Ambos foram encaminhados ao Hospital Municipal Souza Aguiar e permanecem internados em estado estável.
Moradores da região relataram momentos de tensão com a onda de violência nas ruas do entorno do estádio. O episódio voltou a acender o debate sobre os limites do uso de munição de impacto controlado em multidões; especialmente em situações onde civis não envolvidos em confrontos são atingidos.
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Fonte original: Esporte News Mundo - Geral