Quase cinco anos depois, a Mahindra enfim voltou a vencer na Fórmula E. Neste sábado (16), na primeira corrida do prestigioso eP de Mônaco, Nyck de Vries liderou os dois treinos livres, garantiu o segundo lugar na classificação e executou prova perfeita para dar o bote na ativação do Pit Boost e levar a equipe indiana ao lugar mais alto do pódio desde o eP de Londres de 2021, com Alex Lynn. Um momento especial não apenas pelo jejum, mas por toda a reconstrução que a esquadra precisou viver na era Gen3 — enfim recompensada com justiça.
O fundo do poço veio antes mesmo do início da atual geração de carros, em 2022. Então CEO da Mahindra, Dilbagh Gill deixou a equipe de forma supreendente, e o posto ficou vago por um período considerável de tempo. A preparação para o início da Gen3 foi obviamente prejudicada pelo vácuo de poder que se seguiu, e o pódio de Lucas Di Grassi na abertura do campeonato, na Cidade do México, foi pura ilusão.
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A partir dali, a Mahindra viveria a realidade de uma equipe em frangalhos, ocupando o fundo do pelotão e incapaz até de disputar o eP da Cidade do Cabo, quinta etapa daquela mesma temporada. Ao detectar uma falha crônica no sistema de suspensão traseiro, a equipe indiana precisou se retirar da corrida e ainda levou a reboque os dois carros da ABT Cupra, sua então cliente (e que, portanto, usava o mesmo equipamento).
Pois bem, a Mahindra decidiu buscar o CEO seguinte na FIA e optou pela chegada de Frédéric Bertrand, que foi chefe de circuitos e posteriormente passou a trabalhar como diretor da Fórmula E na entidade. A chegada torceu alguns narizes no paddock, justamente por envolver um membro da federação, mas o fato é que se provou um acerto.
De lá para cá, Bertrand passou a executar um novo tipo de trabalho: apostou em uma reformulação e na contratação de jovens para o fortalecimento da estrutura da Mahindra; ao montar a equipe, passou a promover de dentro e gerou uma estabilidade até então inexistente. Para completar, assinou com De Vries e Edoardo Mortara — pilotos que, cada um a seu modo, também buscavam recuperação na categoria. E o casamento deu muito certo.
Desde a última temporada, a Mahindra já figura nas brigas do pelotão de frente e mostra uma evolução gradual e óbvia no Mundial de Equipes: décima posição em 2023 e 2024, quarto lugar em 2025 e, até o momento, terceira colocação em 2026. É indiscutível que, atualmente, a equipe está à frente até da Nissan, atual campeã de Pilotos com Oliver Rowland, na ordem de forças (e os 36 pontos de diferença também ilustram isso).

Faltava, contudo, a vitória. As poles começaram a vir, seguidas rapidamente pelos pódios, mas a principal chance de triunfo acabou jogada fora pelo próprio De Vries em Jacarta, na última temporada, com uma batida bizarra em Jake Dennis.
O ano virou, e Mortara surgiu como principal força na garagem — a ponto de se colocar como melhor classificador da temporada e brigar por pódios de forma frequente. Parecia, de fato, que o sonhado primeiro lugar viria com o suíço. Parecia.
Muito abaixo de Mortara no campeonato, tanto por erros próprios quanto por azar, De Vries deixou tudo isso para trás em Mônaco. Foi o mais rápido na pista desde o primeiro treino livre, manteve o ritmo no TL2 e foi até a final na classificação. Não conseguiu bater Dan Ticktum na final, é verdade, mas também aproveitou os benefícios de largar em segundo para usar o vácuo e economizar energia.
Chamado na hora certa para fazer o Pit Boost, também contou com boa execução da Mahindra para vencer como nos velhos tempos de Fórmula E: fechando a passagem e segurando a concorrência. A full course yellow na reta final alargou a diferença, mas só mostrou também que De Vries ativou o Modo Ataque no momento certo para passar Da Costa. Tivesse esperado, a intervenção poderia ter impedido a vitória.
No fim, a corrida 1 do eP de Mônaco serviu também para fazer justiça e entregar à equipe uma vitória que já fazia sentido há bastante tempo. Em dia difícil para Mortara, que nem pôde disputar a classificação por um problema mecânico, De Vries fez o que se esperava e assumiu o protagonismo para vencer. Cinco anos depois, a Mahindra está de volta ao topo do pódio na Fórmula E. E poucas vezes de forma tão merecida.
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Fonte original: Grande Prêmio