Grande Prêmio

McLaren dá tiro certeiro com atualizações e já põe pedra no sapato da Mercedes em 2026

Definitivamente, se tem uma equipe que entende de atualizações aerodinâmicas, é a McLaren. Mesmo em uma temporada inclinada ao domínio da fabricante Mercedes, os papaias conseguiram ser melhores em termos de ritmo em Miami e já jogam press…

McLaren dá tiro certeiro com atualizações e já põe pedra no sapato da Mercedes em 2026
McLaren venceu corrida sprint em Miami com Norris (Foto: McLaren)

Se havia dúvidas de que alguém conseguiria alcançar a Mercedes apenas com atualizações, elas foram sanadas pela ótima performance da McLaren no final de semana do GP de Miami. Mais até, pois Lando Norris só perdeu a vitória porque acabou tomando o undercut de Andrea Kimi Antonelli nos boxes e não conseguiu recuperar o primeiro posto em pista depois, mas a vitória na sprint foi mais do que suficiente para comprovar que ainda é muito, muito cedo para cantar o domínio prateado na temporada 2026 da Fórmula 1.

Claro que a McLaren tem toda a vantagem de ser uma das três equipes clientes justamente da Mercedes, o que significa que motor definitivamente não é um problema — ou não é mais, uma vez que as primeiras corridas trouxeram inesperadas e cabeludas questões de confiabilidade que simplesmente deixaram Norris à beira de punição por chegar ao limite das baterias. E este foi o ponto de partida para o que se viu em solo estadunidense.

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Foi determinante a decisão da equipe liderada por Andrea Stella de coletar dados de performance do motor em Suzuka, um circuito de alta velocidade, e trabalhar alinhada aos engenheiros da divisão de motores da Mercedes. Isso permitiu ao time do diretor de engenharia, Peter Promodou, trabalhar em partes sensíveis do chassi, mas o plano já era ter nas mãos o primeiro grande pacote aerodinâmico para a sexta corrida.

Miami acabou sendo a quarta por conta da suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, mas o alvo foi mantido, e o tempo sem corridas ainda foi benéfico para a equipe se debruçar no desenvolvimento das partes novas. Ao todo, foram nove mexidas: entradas de ar próximas às rodas dianteiras, tampa do motor, assoalho com geometria inteiramente revisada, entradas do sidepod, retrovisores, entradas de ar próximas às rodas traseiras, asa traseira, endplates e frisas de resfriamento.

Cada item foi pensado para se adequar ao outro com um objetivo simples: melhorar o condicionamento do fluxo de ar, gerando mais downforce. E na parte do motor, a impressão de fato foi de um entendimento maior do funcionamento da unidade de potência e gestão de energia, tanto que a história que correu pelo paddock, segundo o jornal italiano La Gazzetta dello Sport, foi que engenheiros da fabricante Mercedes ficaram curiosos para saber como os papaias gerenciaram o software.

Lando Norris e Oscar Piastri pegaram pódio duplo em Miami (Foto: Leonid Kliuev/Grande Prêmio)

Será definitivamente o plot twist da temporada, caso haja algum fundo de verdade na história, mas especulações à parte, há fatos aqui que não podem ser ignorados, a começar pelo excelente trabalho que a McLaren alcançou nos últimos anos sob a batuta de Zak Brown. Desde meados da temporada 2023, o time de Woking vem em franca evolução quando o assunto é o trabalho aerodinâmico do carro. No último ciclo de regras, com o efeito solo, deu o bote ao desenvolver um carro versátil graças ao inteligente sistema de arrefecimento que ajudava a cuidar dos pneus — afinal, se tem algo que ainda pode decidir uma corrida é o desgaste da borracha.

O início de 2026, no entanto, trouxe novamente aquela sombra do começo de 2023, quando Brown deixou a pré-temporada admitindo falha no desenvolvimento e já contando os dias para as atualizações. Felizmente para os papaias, as similaridades param por aí, por isso há motivos de sobra para crer que a McLaren terá fôlego para desafiar a Mercedes e defender tanto o título de Pilotos quanto o de Construtores.

Agora, olhemos para os pilotos, e este é um ponto mais do que essencial nessa empreitada. Oscar Piastri acabou um tanto ofuscado por Norris em Miami, mas veio do australiano o primeiro sinal de que as Flechas de Prata não nadariam de braçada, ao terminar o GP do Japão em segundo. Há ainda uma sensação de que falta mais empenho da parte de Piastri nas disputas, enquanto Norris parece ter entendido no ano passado a como não deixar que as emoções interfiram na pilotagem.

E Lando também merece elogios por ter imprimido um ritmo de corrida em voltas limpas apenas 0s02 mais lento que o de Antonelli, por isso a legítima frustração ao constatar que havia, na verdade, perdido a vitória. É, sem dúvida, uma McLaren muito mais perigosa para a Mercedes do que qualquer time conseguiu ser para os papaias no ano passado — exceção, claro, a Max Verstappen, que fez milagres com a Red Bull.

A melhor parte disso tudo é que o contragolpe da McLaren já colocou o time de Toto Wolff na obrigação de acertar o pacote de atualizações do Canadá, e esse sim promete ser bem mais corpulento do que o visto em Miami. E tem o ADUO a caminho, que pode embaralhar o grid de vez, mas se fosse possível fazer uma aposta ousada com base somente no que já foi apresentado, a criatura está mais uma vez prontinha para superar o criador.

Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026.

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