Hermano João da Silva Ramos, também conhecido como Nano da Silva Ramos, morreu na última segunda-feira (4) em Biarritz, na França, aos 100 anos de idade. Embora tenha nascido em Paris no dia 7 de dezembro de 1925, era filho de pai brasileiro e, por isso, construiu a carreira esportiva representando o país, principalmente na Fórmula 1, por onde teve uma curta passagem entre 1955 e 1956, com sete provas disputadas oficialmente.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o Brasil e começou a jornada no mundo do esporte a motor em 30 de março de 1947, quando disputou o GP Internacional de Interlagos com um MG TC, carro esportivo inglês. No entanto, enfrentou problemas mecânicos e não conseguiu completar a prova, que foi vencida pelo italiano Achille Varzi, seguido por Chico Landi e Gino Bianco.
+ GP EXPERIENCE: o novo produto do GRANDE PRÊMIO conecta você aos maiores eventos de esporte a motor do mundo. Vá para Indianápolis com a gente: saiba aqui todos os detalhes.
Após quatro anos morando no país, Nano decidiu retornar à França para engatar de vez a carreira no automobilismo. Em 1953, a bordo de um Aston Martin DB2, venceu o Rali de Sable, realizado no circuito de Le Mans, antes de levar a melhor no Torneio de Velocidade de Montlhéry, em 1954. Naquele mesmo ano, tornou-se o segundo brasileiro a competir nas icônicas 24 Horas de Le Mans, sucedendo Bernardo Sousa Dantas — devido a uma suspensão quebrada, foi incapaz de concluir a prova.
Com resultados promissores, foi então convidado para competir na equipe oficial da Gordini, com a qual conquistou quatro vitórias (Paris Cup 1955, Montlhéry 1955/56 e Tours 1956) em 32 corridas disputadas, incluindo as 24H de Le Mans em 1955 e 1956 com o modelo T23. A primeira das duas edições citadas em La Sarthe, inclusive, foi cenário da famosa tragédia que vitimou 84 pessoas, na qual Ramos abandonou por um problema no radiador.
O auge da carreira aconteceu em 1955, quando fez a estreia na F1 no GP dos Países Baixos, em Zandvoort, que teve Juan Manuel Fangio no degrau mais alto do pódio com a Mercedes. No total, foram sete etapas completadas na categoria principal dos monopostos — além de oito não oficiais, entre 1956 e 1959 —, com o maior destaque sendo o GP de Mônaco de 1956, onde terminou em quinto lugar com o modelo T16, somando 2 pontos.

O feito, inclusive, foi histórico, já que se tornou o segundo brasileiro a pontuar na F1, depois que Landi ficou em quarto lugar no GP da Argentina daquele mesmo ano. O detalhe é que, naquela corrida em Buenos Aires, Chico precisou dividir a pilotagem da Maserati com o italiano Gerino Gerini. De acordo com o regulamento da época, em situações assim, cada competidor recebia metade dos pontos — por isso que Landi somou apenas 1,5 ponto.
Como resultado, Nano foi, por 14 anos, o piloto brasileiro a somar mais pontos na categoria, sendo superado por Emerson Fittipaldi no GP da Alemanha de 1970, quando o então titular da Lotus acumulou 3 tentos ao receber a bandeira quadriculada na quarta colocação em Hockenheim.
Após a morte do grande amigo Alfonso de Portago nas Mil Milhas de Brescia, em 1957, Ramos decidiu se afastar do esporte por alguns meses, retornando no ano seguinte para competir nas categorias Turismo-Esporte e F2. Os bons resultados nos GPs de Pau e de Reims, a bordo de um Cooper T45, e a vitória nas 3 Horas de Pau, junto da Lotus, deu ao brasileiro a oportunidade de assinar com a Ferrari.
Embora o início de trajetória com o time de Maranello não tenha sido dos mais promissores, Nano rapidamente reverteu a situação ao ficar com o primeiro lugar no GP de Spa-Francorchamps, na Bélgica, e o terceiro posto tanto no Tour de France quanto no Circuito d’Auvergne — sempre com o modelo 250 GT.

Em 1959, assumiu o volante da Ferrari 250 Testarossa ao lado do inglês Cliff Allison para competir mais uma vez nas 24 Horas de Le Mans. Após um ótimo desempenho nos treinos classificatórios, chegando até mesmo a fazer o melhor tempo, a performance na corrida ficou muito longe da esperada: com quatro horas completadas, Nano sofreu com problemas no câmbio e teve de abandonar. Aquela foi a última participação dele na icônica prova em La Sarthe.
A última corrida da carreira, porém, aconteceu quando tinha 35 anos de idade, o GP do Rio de Janeiro, uma prova para carros esportivos realizada em novembro de 1960 na Barra da Tijuca. A bordo de um Porsche RS 1500, Ramos concluiu na segunda posição, atrás de Mário de Araújo Cabral, conhecido por ter sido o primeiro português a competir na F1.
Após deixar o automobilismo, Nano trabalhou na indústria audiovisual e imobiliária durante alguns anos, mudando-se com a esposa Nelly para Biarritz, na França, local onde viveu até o falecimento.
Em 2012, foi convidado pela organização do Le Mans Classic para pilotar, aos 86 anos, um MG 1936. No ano seguinte, entrou para o hall da fama do circuito de Le Mans, antes de receber a oportunidade de pilotar o mesmo carro que conduziu há mais de sete décadas, um Aston Martin DB2, em 2014.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV
F1 hoje: saiba aqui as notícias mais importantes do dia da Fórmula 1
A redação do GRANDE PRÊMIO selecionou as notícias mais importantes das últimas horas para você ficar por dentro de tudo que acontece na F1.
▶️ F1 põe em discussão redução de downforce em 2027 para melhorar gestão de energia
▶️ Hamilton atribui queda de desempenho a simulador da Ferrari e adota nova estratégia
▶️ Verstappen afirma que pilotos seguem sendo “punidos” após ajustes no regulamento da F1
▶️ FIA aumenta coro contra copropriedade de equipes na F1: “Não é o caminho certo”
▶️ Alonso define “prioridade #1” da Aston Martin após Miami: “Motor não foi o problema”
▶️ Ex-piloto da Fórmula 1 cobra punição a Verstappen por críticas ao regulamento
O post Nano da Silva Ramos, 1925 – 2026 apareceu primeiro em Grande Prêmio.
Fonte original: Grande Prêmio