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“Nunca plenamente realizado”: Reginaldo Leme fala sobre legado e paixão pela Fórmula 1

Poucas vozes são tão associadas ao automobilismo brasileiro quanto a de Reginaldo Leme. E, diante da própria trajetória transformada em exposição no Shopping

“Nunca plenamente realizado”: Reginaldo Leme fala sobre legado e paixão pela Fórmula 1

“Nunca plenamente realizado”: Reginaldo Leme fala sobre legado e paixão pela Fórmula 1

Poucas vozes são tão associadas ao automobilismo brasileiro quanto a de Reginaldo Leme. E, diante da própria trajetória transformada em exposição no Shopping Parque da Cidade, em São Paulo, o veterano demonstra que ainda não olha para sua história como algo encerrado. “Eu nunca quero me sentir realizado plenamente, nunca. Quero ter sempre um sonho a mais”, afirma.

A declaração foi feita em entrevista ao F1MANIA.NET nesta terça-feira (12), durante a coletiva de imprensa da AutoMotor Experience, uma experiência imersiva que conta a história da carreira do jornalista na Fórmula 1. Com objetos valiosos, como capacetes, carros, quadros e até mesmo fotos do acervo do comunicador, a exposição celebra o retrato de alguém que continua movido pela curiosidade e paixão pelo esporte.

Durante a entrevista, Reginaldo relembrou que o sonho começou antes mesmo do jornalismo. Ainda criança, acompanhava o automobilismo pelas revistas e pelas poucas notícias disponíveis na época. Seu primeiro grande objetivo não era a Fórmula 1, mas simplesmente se aproximar daquele universo. “Quando consegui conviver com pilotos brasileiros, aquilo já era uma grande realização”, contou.

[caption id="attachment_550113" align="alignnone" width="2125"] Foto: Artur Ocubaro[/caption]

O caminho até o auge da cobertura internacional veio aos poucos. Trabalhando inicialmente com futebol e outras modalidades, Reginaldo encontrou uma oportunidade ao apostar no potencial brasileiro na Fórmula 1. Em 1972, apresentou ao jornal O Estado de S. Paulo um projeto defendendo que o Brasil teria um campeão mundial naquele ano. A aposta deu certo, com Emerson Fittipaldi conquistando seu primeiro título.

Morando na Inglaterra, ele passava fins de semana viajando com pilotos brasileiros rumo às corridas da Fórmula 3. "Eu sou apaixonado por categorias de base”, disse. “Foi assim que eu cheguei lá. Tinha piloto que passava seis horas da manhã para me pegar e a gente viajava para as corridas dentro da Inglaterra”, relembra. “Essa vivência não tem o que pague. Talvez tenha sido a importância fundamental para eu chegar à Fórmula 1 com algum conhecimento”

A exposição dedicada à sua trajetória tenta justamente transmitir a dimensão do que foi sua carreira: “Você tem peças que mostram uma Fórmula 1 desde os anos 70, coisas que hoje não existem mais por causa da internet”, explica.

[caption id="attachment_550116" align="alignnone" width="1280"] Foto: Artur Ocubaro[/caption] Ele lembra, por exemplo, de uma época em que jornalistas precisavam correr atrás das informações dentro dos boxes. “Hoje os pilotos passam obrigatoriamente para falar com todo mundo. Na minha época, você tinha que ir box a box”, conta. “Você planejava falar com cinco ou seis pilotos e às vezes conseguia falar com três.” Reginaldo evita falar em pausar sua carreira. Os planos continuam: ampliar a exposição, levá-la para outras cidades e transformar suas histórias em documentário. “O próximo passo — que eu espero que seja possível ainda — é um documentário para mostrar tudo isso nas telas.” A motivação, segundo ele, está justamente em continuar vivendo novas experiências. “Eu vivo a expectativa de cada passo da minha vida”, diz. “Talvez seja isso que me mantém, na minha idade, com espírito jovem.” A AutoMotor Experience ficará em cartaz por 90 dias no Shopping Parque da Cidade, localizado na Avenida Nações Unidas, 14.440, com entrada também pela Avenida Chucri Zaidan. A visitação acontece diariamente, das 12h às 22h — aos domingos e feriados, até às 20h. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla.

Fonte original: F1 Mania