20 anos atrás, Sam Hornish Jr. deixou o coração do jovem Marco Andretti completamente despedaçado em uma das chegadas mais sensacionais da história das 500 Milhas de Indianápolis. Naquele dia, Sam começou a galgar o espaço para sua terceira Astor Cup. Marco sempre sonhou com a possibilidade de estar no Victory Lane. Afinal, aos 19 anos, ele teria várias oportunidades de vencer. Nunca veio.
Na tarde deste domingo, um final tão apoteótico quanto aconteceu. Por um lado, Felix Rosenqvist deixou para trás as pechas de “decepção” e “leão de treino” que tanto marcaram sua carreira de 7 anos na Indy. Do outro, David Malukas não conteve as lágrimas ao ver que esteve tão perto da história. Aos 24 anos, ele vai ouvir muito que “é muito novo” e “vai ter outras chances”. Mas ele sabe que não dá para prever. É Indianápolis.
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O domingo nublado no Bricyard começou com o então atual vencedor Álex Palou e Alexander Rossi se alternando na liderança. Rosenqvist, que já teve um completo canhão na classificação, também estava entre os ponteiros. Enquanto a prova esteve normal, Rossi viu, outra vez, os erros de pit-stop da Carpenter custarem muito. Eventualmente, ele viu o motor abrir o bico. Mesmo filme de 2025 para um piloto que tem batido tanto na trave.

Aí, vieram outros personagens: David Malukas começou a surgir, assim como Scott Dixon, que esteve na liderança a partir da volta 70. Josef Newgarden, como sempre, também escalou o pelotão para aparecer lá na frente. Eis que, na volta 93, Indianápolis começou a ser Indianápolis.
Com o abandono de Will Power, a prova se abriu para estratégias diferentes, muito também por conta da garoa que tomou conta do meio da corrida. Enquanto ninguém sabia o quanto a água duraria, a prova foi andando de alguma maneira. Newgarden, em erro de principiante, viu o muro acabar com a chance de um tri. E na volta 133, 40 giros depois do incidente com Power, as coisas se desenrolaram de vez.
Um bonde formado por Palou, Malukas, Scott McLaughlin e Conor Daly tinha o protagonismo de quem tomou o caminho estratégico ‘A’, mas as bandeiras amarelas beneficiaram o lado ‘B’, que tinha Rosenqvist, Pato O’Ward, Marcus Armstrong e Dennis Hauger, que se viu fora da briga por passar rápido demais no pit-lane.
O’Ward, de dolorosas derrotas em 2022 e 2024, parecia destinado a vencer, mas Rosenqvist, com o canhão da Meyer Shank, surgiu à frente com uma ultrapassagem faltando 15 voltas para o fim. Uma zebra sueca? Aconteceu, mas com os temperos que Indianápolis é capaz de trazer.

O primeiro deles foi com Caio Collet, que depois de grande prova de recuperação e com acerto estratégico, parou no muro em um acidente impressionante, com 8 voltas para o fim. Bandeira vermelha, e o lado ‘B’ das estratégias foi comprometido. A enorme vantagem foi cortada. Rosenqvist e O’Ward lidariam com adversários de pneus mais novos.
Ainda foi o lado ‘B’ quem se deu bem na relargada, com um baita salto de terceiro para primeiro. Atrás dele, vinha David Malukas, e quando Marcus já pensava em adotar a estratégia de defesa para os giros finais, surgiu Mick Schumacher. Com um leve raspão no muro, o alemão trouxe uma amarela, que prepararia os postulantes a um último duelo, de uma volta.
Malukas teve a oportunidade, passou Armstrong e assumiu a liderança. Rosenqvist, em terceiro, ficou lado a lado com o companheiro de equipe durante quase toda a última volta. E com um gás que veio empurrado pela entidade mística que rege o Brickyard, Felix pegou David na reta de chegada, assim como Sam pegou Marco em 2006.
Com uma trajetória de sucesso no automobilismo europeu que conta com título de F3 Europeia e terceiro lugar na Fórmula 3, Rosenqvist desembarcou na Indy em 2019 com a esperança de finalmente cumprir a lacuna que Dario Franchitti deixou no #10 da Ganassi quando se aposentou. Não conseguiu e viu Álex Palou tomar este protagonismo a partir de 2021. Na McLaren, era para ser a voz da experiência no ousado projeto, mas não conseguiu empolgar em três anos. Aí, veio a Meyer Shank.
Em três temporadas até aqui, Felix tinha de conviver com um título diferente: o de “leão de treino”. Quantas vezes o vimos largar das primeiras filas, mas quando a coisa apertava, ficava para trás, sem chances de vencer. Desta vez, Indianápolis resolveu decidir que o leão rugiria, sim, mas para a eternidade, em um dos finais mais memoráveis de todos os tempos. Não foi da forma que Chip Ganassi achou há 8 anos, mas Rosenqvist deu certo.
David foi um baita guerreiro e bateu na trave da Indy 500 pelo segundo ano consecutivo. As lágrimas e o apoio do pai, Henry, nos boxes falam por si só. O futuro dele com a Penske é brilhante. Não vai demorar a ser um vencedor na categoria. Em Indianápolis? Difícil de prever. E essa dúvida vai marcar sua trajetória até saber se o final será feliz ou não.
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Fonte original: Grande Prêmio