O primeiro dia de atividades da Fórmula 1 no GP do Canadá, nesta sexta-feira (22), deixou a impressão de que a Mercedes conseguiu restabelecer o domínio com certa autoridade após as atualizações feitas no W17. No entanto, engana-se quem pensa que McLaren e Ferrari estão fora da briga — principalmente quando se trata do time liderado por Andrea Stella, que certamente tem potencial para incomodar as Flechas de Prata em Montreal.
Em uma pista onde todos terão de saber utilizar as estratégias de uso de energia, uma vez que o Circuito Gilles Villeneuve é um dos piores do calendário nesse quesito, até mesmo a disposição do pelotão intermediário chamou atenção. E ainda mais no fundo do grid, Fernando Alonso conseguiu um pouco de dignidade para a Aston Martin ao avançar para a segunda fase da classificação pela primeira vez na temporada 2026.
Por fim, mais um fim de semana em que o regulamento da F1 virou pauta, desta vez em relação à nova proporção entre parte elétrica e o motor de combustão interna. Uma discussão que só mostra como a categoria errou feio nessa nova fase, que tem gerado mais dúvidas do que certezas acerca do futuro.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 no Canadá.
Mercedes despachou a ameaça das rivais
A alegria das adversárias realmente durou pouco tempo, uma vez que as atualizações preparadas pela Mercedes surtiram o efeito esperado no Canadá. Depois de ver principalmente a McLaren se aproximar em Miami, Toto Wolff, chefe da escuderia, alertou que a equipe precisava dar uma resposta o quanto antes. Dito e feito. Com modificações na asa dianteira, no assoalho e nas entradas de ar próximas aos freios dianteiros e traseiros, o W17 se transformou em um carro ainda melhor nas mãos de Andrea Kimi Antonelli e George Russell.
Claro que ainda há muita coisa para acontecer em Montreal, ainda mais com os times tirando proveito da sprint para coletar dados valiosos. De qualque forma, a performance dos alemães foi bastante sólida nesta sexta-feira, com uma liderança tranquila no treino livre e 0s3 de vantagem sobre o rival mais próximo na classificação, replicando um domínio similar ao que foi visto na Austrália, China e Japão. E ainda que Lewis Hamilton tenha anotado o tempo mais rápido no setor 1, a unidade de potência dos prateados falou mais alto nos setores 2 e 3, o que tende a ser uma vantagem no traçado veloz do Circuito Gilles Villeneuve.
E quem soube aproveitar muito bem esse ritmo foi Russell. Após ser superado por Antonelli nas últimas três corridas, o britânico respondeu à altura ao conquistar a pole-position em uma pista onde venceu no ano passado. Mas o italiano terminou ali, somente 0s068 atrás, e deixou claro que não será derrotado tão facilmente assim neste fim de semana. Agora resta saber como o cenário vai se desenrolar por lá.

Alegria e tristeza na Ferrari
Como já virou rotina, a Ferrari teve uma sexta-feira de altos e baixos. Por um lado, Lewis Hamilton ficou extremamente satisfeito com a performance da SF-26 e jurou que descobriu o segredo para evitar problemas com o carro: não realizar qualquer tipo de preparação no simulador. Bem, se isso de fato vai ajudá-lo daqui pra frente é difícil dizer, mas o grande ponto é que o heptacampeão se colocou como principal adversário da Mercedes durante boa parte do dia, apesar de ter terminado com o quinto lugar.
Na outra garagem, Charles Leclerc demonstrou um certo grau de irritação com a situação dos freios. “Precisamos analisar isso e tentar encontrar uma solução para amanhã, caso contrário vai ser um fim de semana bem longo”, declarou o monegasco. A verdade é que o bom desempenho do companheiro de equipe foi importante para conter os ânimos do #16, que ainda enxerga alguma luz no fim do túnel.
Vale lembrar que a Ferrari foi a única escuderia do top-4 que preferiu não levar atualizações para a etapa em Montreal — uma pista, inclusive, que não se adequa muito bem ao carro vermelho. Isso porque a velocidade de reta não tem sido o forte dos italianos em 2026, muito por causa da falta de potência do motor, o que fez com que os pilotos tivessem um déficit de até 7 km/h nos setores de alta velocidade em comparação com os rivais da Mercedes e até da McLaren.

Pessimismo na McLaren? Nada disso
Embora a classificação sprint tenha mostrado que existe uma desvantagem de 0s3 em relação à Mercedes, o sentimento dentro da McLaren não é de preocupação. Lando Norris, por exemplo, tratou a terceira posição no grid de largada como uma “boa surpresa”, ao mesmo tempo que Andrea Stella, chefe da escuderia, declarou que a diferença na briga contra Andrea Kimi Antonelli e George Russell “continua sendo encorajadora”. Ou seja, os papaias acreditam que há potencial para mais em Montreal.
Após o salto de desempenho em Miami, o time de Woking desembarcou no Canadá com mais um pacote robusto de novidades: asa dianteira, tampa do motor, entradas laterais, aleta no topo do halo e suspensão traseira — tudo isso com o intuito de melhorar o fluxo de ar e gerar carga aerodinâmica. A impressão inicial era a de que nenhuma delas havia adiantado, mas toda cautela é pouca na F1.
Se há uma equipe que mostrou nos últimos anos que sabe muito bem como lidar com o próprio carro é a McLaren. Desta forma, espera-se que os ingleses utilizem bem os dados que serão coletados na sprint deste sábado para deixar o MCL40 ainda melhor para a classificação da corrida principal.

A Aston Martin progrediu?
Sim, é isso mesmo. É difícil imaginar que a equipe com uma lista tão extensa de problemas a resolver tenha sido capaz de evoluir, mas foi exatamente isso que aconteceu com a Aston Martin no Canadá. Claro, nada extraordinário o suficiente para mudar o patamar dos esmeraldinos dentro do pelotão, já que permanecem sendo mais rápidos somente que a Cadillac, que possui lá as próprias preocupações.
Responsável pelo acidente que interrompeu a primeira sessão da classificação sprint nesta sexta-feira, Fernando Alonso garantiu o 16º lugar no grid de largada — o melhor resultado do bicampeão até aqui na temporada 2026. É claro que as ausências de Alexander Albon e Liam Lawson foram de grande ajuda para o espanhol, mas também é inegável que o asturiano estava em um dia especial.
Alonso está longe de ser aquele piloto que já foi um dia, mas o décimo lugar no único treino livre e a ida ao SQ2 horas depois vieram por mérito próprio. Em Miami, a Aston Martin foi mais lenta que um Fórmula 2 e precisou receber autorização da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para competir com os dois carros, algo que não chegou perto de se repetir em Montreal.
Era impossível que a equipe retrocedesse também, convenhamos, mas definitivamente as vibrações no motor Honda não parecem mais ser o maior problema. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas vale um rápido destaque aqui para essa equipe que indiscutivelmente entrou na lista de maiores decepções da história — e nada vai mudar isso.

E o regulamento virou assunto (de novo)
Após anunciar ajustes no regulamento das unidades de potência, que definiu um aumento da participação do motor de combustão interna, a F1 se prepara para mais uma reunião com as equipes no Canadá. Isso porque, das cinco fabricantes que compõem o atual grid, apenas Mercedes e Red Bull concordaram com a decisão de que as mudanças entrem em vigor já em 2027.
E há duas razões para que a proposta não avance tão cedo: primeiro, a questão orçamentária, uma vez que as montadoras teriam de investir mais alguns milhões nos próprios projetos com somente uma temporada completada; e segundo, as Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, da sigla em inglês) teriam de ser modificadas para não dar uma vantagem competitiva injusta a nenhuma das equipes.
Ou seja, mais uma semana em que as regras se colocam no centro das atenções, o que mostra que a categoria errou feio com esse novo regulamento. É claro que alterações aqui e ali são normais no início de uma nova fase, mas a situação atual da F1 beira o ridículo. Bem, agora é esperar para ver se as equipes vão chegar a um consenso de vez ou se essa conversa ainda pretende se estender por mais algum tempo.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Canadá AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida Sprint | 13:00 | 15:00 | 17:00 | 18:00 |
| Classificação | 17:00 | 19:00 | 21:00 | 22:00 |
| Corrida | 17:00 | 19:00 | 21:00 | 22:00 |
*Horário de Brasília
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Fonte original: Grande Prêmio