O fim de semana da Fórmula E em Berlim, como sempre, trouxe duas corridas de tirar o fôlego na equilibrada categoria elétrica — principalmente no domingo (3). No sábado, Nico Müller enfim venceu pela primeira vez e deu indícios de que pode incomodar os postulantes ao título, antes de Mitch Evans completar em primeiro em prova eletrizante no dia seguinte e deixar um recado após o adeus confirmado à Jaguar.
Mas a etapa contou muitas outras histórias, claro. Felipe Drugovich repetiu o feito da temporada passada e marcou pontos na corrida 2, os primeiros pela Andretti; a Cupra Kiro naufragou completamente nos próprios problemas e não deu a Dan Ticktum sequer a chance de competir; e a DS Penske, mais uma vez, decepcionou e manteve a sina de só se encontrar em treinos livres, entre outras novelas.
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Os protagonistas da temporada, claro, também apareceram mais uma vez. Além de Evans, Pascal Wehrlein foi às duas finais das classificações e voltou a tretar com Jake Dennis, Oliver Rowland subiu ao pódio duas vezes, Edoardo Mortara chegou a liderar o campeonato e Nick Cassidy fez nova apresentação sublime com um equipamento limitado na Citroën.
Assim, o GRANDE PRÊMIO separou cinco coisas que aprendemos na rodada dupla do eP de Berlim da Fórmula E.

Evans brigará por título no adeus à Jaguar
Jaguar e Evans já confirmaram que a parceria vai acabar ao fim da temporada, após dez anos juntos, mas isso não parece mudar em nada a fome do neozelandês pelo primeiro título mundial. Mesmo sem conseguir igualar outros competidores em ritmo puro de volta lançada, Mitch aplicou a gestão de energia com maestria em Berlim para vencer a corrida 2 e chegar à vice-liderança do campeonato.
A atuação de Evans, maior vencedor da história da Fórmula E, foi um recorte perfeito sobre as qualidades do neozelandês em uma categoria tão específica. Seria no mínimo curioso ver a busca pelo título mundial — que já dura uma década — obter sucesso justamente no momento do adeus.
Wehrlein é força difícil de encarar no campeonato
Deve ser muito difícil ter Wehrlein como concorrente. Extremamente regular, Pascal está sempre na zona de pontos e raramente acumula dois dias ruins seguidos. Após o — mais recente — entrevero com Jake Dennis resultar em um 19º lugar no sábado, o alemão deu a volta por cima no domingo e, da pole (foi às duas finais do fim de semana nas classificações), fez boa corrida para terminar no terceiro lugar e reassumir a liderança do Mundial.
Não deu para acompanhar Evans e Rowland, é verdade, mas a Fórmula E não é apenas sobre vencer — e o campeão de 2024 sabe muito bem disso. Em um campeonato que premia a soma constante de pontos, o inevitável Wehrlein está seguindo a cartilha à risca.

Mahindra bate na trave de novo, mas Mortara mantém alta
A fase de surpresa com a competitividade da Mahindra já passou, e a verdade é que a equipe indiana briga nas primeiras posições em praticamente todas as etapas — mesmo que com apenas Edoardo Mortara, já que Nyck de Vries vive um verdadeiro inferno astral (com mais um acidente para a conta em Berlim, aliás).
Falta a vitória, que bateu na trave de novo após a pole do suíço no sábado, mas os pontos vieram novamente e chegaram a colocar Edo na liderança do campeonato. Seria impensável dizer isso no início da temporada passada, mas, pela primeira vez desde 2022, Mortara está na briga pelo título mundial.
Se Nissan estiver em dia, Rowland é postulante sério ao bi
Aqui, há um caso dos mais curiosos na Fórmula E 2025/26. Em oito corridas, Rowland foi ao pódio em cinco e não pontuou nas outras três. Ou seja, em dias de competitividade da Nissan, o atual campeão não titubeia e briga sempre entre os primeiros colocados, com o arrojo e a capacidade de gestão de sempre. A questão é justamente a irregularidade, que costuma ser implacável na Fórmula E.
Como exemplo disso, Oliver é o piloto com mais pódios em todo o campeonato, mas ocupa apenas o quarto lugar. Está vivo pelo bi porque mostrou que segue na ponta dos cascos, mas precisa que a montadora japonesa mantenha o passo à frente que deu em Berlim.

Com pontos na tabela, Drugovich precisa de sequência
Nono colocado na corrida 2 de Berlim, Drugovich somou os primeiros pontos pela Andretti e encerrou a conversa sobre estar zerado no campeonato. O brasileiro fez bom fim de semana e só ficou abaixo na corrida 1; de resto, esteve no ritmo durante os treinos livres e passou aos duelos nas duas classificações.
Agora, a meta precisa ser a sequência no top-10, algo que o conhecido traçado de Mônaco pode ajudar. Felipe vive um paradoxo na primeira temporada como titular: é claramente rápido, o suficiente para superar Dennis nas duas classificações do fim de semana, mas ainda sofre em ritmo de corrida na hora de gerenciar a energia — e paga o preço na parte final das provas. Não à toa, mesmo largando à frente, terminou atrás do companheiro nos dois dias.
Algo absolutamente normal para um novato, é verdade, mas que traz um peso extra no caso do brasileiro pela reputação que construiu. Apenas a sequência na zona de pontuação e a evolução no gerenciamento da energia trarão tranquilidade a Drugovich em um ano de adaptação antes da era Gen4, e o eP de Berlim foi um bom primeiro passo nessa direção.
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Fonte original: Grande Prêmio