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Na classificação, veio o segundo efeito do neuralizador. Dessa vez, a memória do jovem Antonelli em destaque ao longo da temporada falou mais alto, e ele conquistou a pole position. O estranhamento apareceu logo atrás: Max Verstappen surgiu na segunda posição. O tetracampeão voltou a ocupar o papel que se espera dele — ainda que por um breve momento — enquanto o restante do grid se organizava sem grandes surpresas. Destaque para o bom desempenho da Alpine, colocando seus dois carros no top-10.
Entre sábado e domingo, a expectativa de chuva dominou o debate e ajudou a deslocar o foco do público. A possibilidade de uma corrida caótica em pista molhada passou a ser tratada quase como condição necessária para o espetáculo. Todo mundo pensou em tudo… menos em uma largada de tirar o fôlego, com tempo seco.
Quando as luzes se apagaram no domingo, o que se viu foi uma das melhores largadas do ano. Leclerc fez uma movimentação completamente limpa e fria. Já Verstappen mostrou por que é tetracampeão: rodou sozinho, mas ainda assim conseguiu retomar o controle do carro e seguir na prova. O restante do grid compôs um início caótico ao extremo e lembrou ao fã uma verdade essencial do esporte: quem está no controle dos carros ainda é o piloto.
Ao longo da corrida, isso continuou evidente. Aquela troca constante de posições que dava a impressão de ultrapassagens artificiais simplesmente não apareceu no início da prova em Miami. Quem conseguiu ganhar posição, conseguiu manter — ou, no mínimo, dificultou ao máximo qualquer retomada.
Sem a visualização estranha do “superclipping”, ficou mais claro que as disputas estavam, de fato, acontecendo na pista. As medidas da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) podem não ter resolvido tudo, mas já foram suficientes para devolver um pouco do espírito competitivo à prova.
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Foto: XPB Images[/caption]
Os dois incidentes no início da prova foram situações de corrida. Apesar da cena do carro de Pierre Gasly capotando pista após um toque de Liam Lawson, a “barra foi limpa” e isso não se tornou um debate sobre as novas regras como no caso de Oliver Bearman no Japão. Quanto à batida de Isack Hadjar, foi um erro do próprio piloto, que protagonizou um “xilique” digno de seus tempos de Fórmula 2 e nada compatível com a postura mais madura que vinha adotando desde o ano passado. Frustrações acontecem.
O grande mérito da prova foi resgatar uma das melhores características da Fórmula 1: o jogo de estratégias. Conforme a liderança trocava de mãos, as equipes se movimentavam para entender o momento certo de suas paradas. A indefinição sobre a chuva e a parada antecipada de Max Verstappen elevaram a tensão e forçaram disputas mais acirradas. O efeito do neuralizador estava finalmente consolidado.
Mesmo com Antonelli assumindo a liderança na fase final, a corrida continuou viva no pelotão intermediário. E essa não foi uma boa notícia para Leclerc. O monegasco, que já vinha irritado com a Ferrari, foi o grande protagonista do desfecho. Ele foi um exemplo do ditado “tudo que já está ruim, pode piorar”. E piorou. Muito.
Leclerc vinha para o pódio, mas inexplicavelmente rodou sozinho na volta final, o que resultou em uma queda brusca para o meio do pelotão. E, como sorte não costuma ser uma palavra presente no dicionário do piloto da Ferrari, ele ainda recebeu uma punição pós-corrida que o jogou para o oitavo lugar.
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O saldo positivo de Miami foi de fãs satisfeitos após um mês sem corrida. Ainda existem ajustes a serem feitos, mas ao menos a F1 conseguiu entregar uma prova mais competitiva e agradável de assistir. Quanto ao desempenho de equipes e pilotos, o grande destaque fica para a consistência de Antonelli, que não se deixou abalar pela sprint desastrosa onde foi punido, e para Franco Colapinto, que somou bons pontos para a Alpine e reforça que Flavio Briatore pode ter feito uma aposta acertada ao deixá-lo na equipe.
Já o saldo negativo… esse ficou na conta de George Russell, quarto colocado. Poderia ter sido a Ferrari ou até a Audi, mas o desempenho do britânico chama mais atenção. Depois de anos sendo preparado como protagonista, de bater de frente com Max Verstappen e de se posicionar como uma figura forte fora da pista, Russell simplesmente não aparece quando mais precisa. E isso tem permitido que Antonelli assuma o protagonismo da temporada de forma quase isolada já nas primeiras quatro corridas.
Agora a F1 aquece os motores para o GP do Canadá, e ali saberemos se o efeito do neuralizador é permanente ou se ele só funciona nas mãos de Will Smith mesmo… E, quem sabe, George Russell não corra atrás de um para tentar esquecer o início de temporada que vem fazendo. Fonte original: F1 Mania