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Drugovich dá show, Porsche despenca: quem sai em alta e em baixa do eP de Mônaco

Do primeiro pódio de Felipe Drugovich ao desempenho sofrível da Porsche, que custou as lideranças nos Mundiais de Equipes e Pilotos, veja quem se destacou positiva e negativamente na rodada dupla da Fórmula E em Mônaco O post Drugovich dá…

Drugovich dá show, Porsche despenca: quem sai em alta e em baixa do eP de Mônaco
Felipe Drugovich (Foto: Fórmula E)

O eP de Mônaco entregou exatamente o que se espera da Fórmula E em Monte Carlo: corridas caóticas, estratégias imprevisíveis e, dessa vez, reviravoltas capazes de mudar completamente o rumo de uma temporada. Em um fim de semana marcado por duas provas movimentadas, a categoria elétrica viu pilotos ressurgirem, equipes confirmarem força e outras mergulharem ainda mais em crises que começam a preocupar para a sequência do campeonato.

Se a Jaguar deixou o Principado ainda mais consolidada como principal força do grid, a Porsche saiu com danos pesados após um fim de semana muito abaixo do esperado. A Mahindra, por outro lado, finalmente transformou desempenho em vitória, com Nyck de Vries, e encerrou um jejum que durava quase cinco anos, enquanto a Andretti ganhou motivos para acreditar que pode ter encontrado em Felipe Drugovichn que subiu ao pódio pela primeira vez, o piloto capaz de assumir protagonismo dentro da equipe.

Individualmente, Mônaco também serviu para reforçar extremos que já vinham aparecendo ao longo da temporada. Drugovich e Lucas di Grassi viveram fins de semana extremamente positivos e saíram fortalecidos após grandes atuações nas ruas do Principado. Do outro lado, Dan Ticktum voltou a misturar velocidade absurda com erros evitáveis, enquanto Jake Dennis praticamente viu as chances de título evaporarem após sair zerado da rodada dupla.

Com impactos importantes nos Mundiais de Pilotos, Equipes e Construtores, a rodada dupla em Mônaco deixou sinais claros sobre quem chega fortalecido para a reta decisiva da temporada — e quem precisa reagir imediatamente antes que o campeonato escape de vez. Nesse cenário, o GRANDE PRÊMIO analisa quem sai em alta e quem deixa Monte Carlo em baixa após um dos fins de semana mais intensos do ano na Fórmula E.

Felipe Drugovich subiu ao pódio pela primeira vez e mostrou por que recebeu confiança da Andretti (Foto: Fórmula E)

Quem deixa o eP de Mônaco em alta

Felipe Drugovich

Felipe Drugovich finalmente mostrou ao que veio na Fórmula E. Após uma primeira metade de temporada bem abaixo das expectativas, marcou os primeiros pontos na segunda corrida do eP de Berlim. O longo período zerado incomodava — como ele mesmo admitiu —, e o 9º lugar na última etapa tirou um peso dos ombros, permitindo que o brasileiro chegasse leve a Mônaco. E dessa vez, em um local onde tem histórico positivo, brilhou de verdade: executou uma boa estratégia de Pit Boost na corrida 1 e ficou no 4º lugar; na corrida 2, fez uma atuação digna de veterano, preencheu perfeitamente a cartilha das corridas de pelotão e subiu ao pódio pela primeira vez, em 2º.

Isso é o que a Andretti sempre procurou e nunca conseguiu encontrar: um piloto rápido, com leitura inteligente de corridas e que, pelo menos, consiga sustentar um bom resultado para a equipe quando Jake Dennis tiver uma etapa abaixo — e que até desafie o britânico pelo posto de primeiro piloto. Que o fim de semana em Monte Carlo seja o impulso para que Drugovich comece a se tornar o que a equipe espera.

Lucas di Grassi

Se Drugovich brilhou intensamente em Mônaco, o mesmo pode ser dito de Lucas di Grassi. Em um cenário onde tudo dá certo, a Lola Yamaha pode brigar pelas últimas posições no top-10. Para isso, precisa que os pilotos sejam capazes de aproveitar todas as oportunidades que se apresentarem, e foi exatamente isso que o brasileiro fez em Monte Carlo.

No sábado, conseguiu escapar ileso dos diversos incidentes e se aproveitou de múltiplas punições para ficar no 8º lugar. No domingo, usou da experiência para escalar o pelotão na estratégia e cruzar a linha de chegada em 10º — que virou 9º com a punição aplicada a Dennis. Com aposentadoria confirmada para o fim da temporada, Di Grassi conseguiu um último fim de semana em Mônaco à altura da brilhante trajetória que construiu na Fórmula E.

Vitória de Nyck de Vries coroa reconstrução da Mahindra comandada por Frederic Bertrand (Foto: Fórmula E)

Mahindra

74 corridas depois, a Mahindra voltou a vencer na Fórmula E. Desde que Alex Lynn pisou no degrau mais alto do pódio na prova 2 do eP de Londres de 2020/21, muita coisa aconteceu na vida da marca indiana. Uma das principais forças da era Gen1, começou a perder terreno na Gen2 e, em 2022, desandou de vez quando o então CEO Dilbagh Gill pulou do barco inesperadamente, deixando um vácuo que comprometeu todo o projeto às vésperas da estreia da Gen3. O fundo do poço veio no eP da Cidade do Cabo de 2022/23, quando Mahindra e Abt Cupra — então cliente — precisaram abrir mão da corrida por uma falha no sistema de suspensão traseiro que comprometia a segurança dos pilotos.

A volta por cima começou ao buscar Frédéric Bertrand para ocupar o posto de CEO e liderar uma profunda e completa reformulação na estrutura. Os primeiros sinais positivos apareceram na temporada 2024/25, com alguns pódios. Em 2025/26, o conjunto indiano se mostrou muito forte e levou Edoardo Mortara a três poles, além de colocá-lo como forte candidato ao título, mas a vitória teimava em não chegar. Teimava, não teima mais. A Mahindra dominou completamente o sábado em Mônaco, liderando os dois treinos livres e chegando à final da classificação com Nyck de Vries. Se muitas vezes os fatores jogaram contra, dessa vez estiveram ao lado, e o neerlandês conseguiu soltar a comemoração que estava entalada na garganta da equipe indiana há quase cinco anos. E logo De Vries, que acumulava erros e fazia um péssimo campeonato até então, foi o responsável por reconduzir a Mahindra ao ponto mais alto do pódio com uma atuação que há muito tempo não conseguia ter. Um desfecho poético para uma reviravolta muito merecida.

Jaguar

Não existe nenhuma equipe que se aproxime da força da Jaguar neste momento. Após ser acometido por uma sequência de infortúnios e passar as duas primeiras etapas sem pontuar, o time britânico emendou uma sequência impressionante de vitórias em todas as etapas até Berlim. Em Mônaco, os felinos não triunfaram, mas subiram ao pódio com Mitch Evans no sábado e com António Félix da Costa no domingo. Não fosse o abandono do português na corrida 1 — consequência do acidente provocado por Dan Ticktum —, poderia ter fechado o fim de semana com o 4º lugar do neozelandês na segunda prova como pior resultado.

A Jaguar deixou o Principado na liderança do Mundial de Equipes, na cola da Porsche entre Construtores e com Evans como líder da classificação de Pilotos. Foguete não da ré, e os felinos também não. E, neste momento, é difícil imaginar qualquer coisa sendo capaz de pará-los.

Dan Ticktum mostrou o melhor e pior que tem a oferecer em Mônaco (Foto: Fórmula E)

Quem deixa o eP de Mônaco em baixa

Dan Ticktum

Se muitas vezes o azar atrapalhou Ticktum nesta temporada, em Mônaco ele não tem essa carta para utilizar. O britânico foi intocável nas classificações e fez as duas pole-positions do fim de semana. Nas corridas, porém, o caldo entornou feio. No sábado, perdeu a liderança por uma estratégia ruim da Cupra Kiro, mas ainda conseguia um ótimo 3º lugar quando fechou a porta em Da Costa de forma totalmente desnecessária e causou um acidente que lhe rendeu uma punição e o jogou para 12º. No domingo, não conseguiu acompanhar o ritmo do pelotão dianteiro na segunda metade da prova e não teve chance de vencer. Verdade que foi tocado por Dennis nas voltas finais, mas o lance não lhe custou nenhuma posição além da que perdeu para o britânico — que foi punido, então a recuperaria — e marcaria bons pontos se não tivesse recebido nova sanção, dessa vez por não desacelerar o suficiente durante período de bandeira amarela, e caído para 14º.

Por mais que já tenha provado inúmeras vezes e reforçado em Mônaco que é extremamente rápido, Ticktum não consegue deixar a instabilidade para trás. Enquanto não se tornar um piloto mais previsível e confiável, seguirá fadado a defender equipes de meio do pelotão e andar no fio da navalha para se manter no grid.

Jake Dennis

O fim de semana em Mônaco pode ter colocado ponto final nas esperanças de Dennis brigar pelo título. Parou na fase de grupos nas duas classificações. Na corrida de sábado, não passou da quarta volta ao tentar ultrapassar Nick Cassidy na Neuvelle Chicane e ser acertado pelo neozelandês, que tentava desviar de Norman Nato. No domingo, não brigou pela vitória e ainda foi punido pelo toque com Ticktum e caiu de 6º para 12º, deixando Monte Carlo zerado.

É difícil cravar algo faltando sete corridas para o fim da temporada em uma categoria tão equilibrada e imprevisível quanto a Fórmula E. Porém, é ainda mais difícil imaginar que o britânico consiga tirar os 62 pontos de diferença para Evans nas etapas restantes — ainda mais em uma Andretti que não consegue acompanhar o ritmo das equipes de fábrica do grid. O que parece restar a Dennis é maximizar as oportunidades para terminar o campeonato da melhor forma possível e torcer para que o início da era Gen4 repita o cenário do ciclo atual, quando as clientes conseguiam fazer frente às montadores, e possa sonhar em voltar ao topo do mundo.

Pascal Wehrlein foi símbolo do péssimo fim de semana da Porsche em Mônaco (Foto: Fórmula E)

Porsche

A Porsche não se encontrou em nenhum momento nas ruas de Monte Carlo. Ao longo de todo o fim de semana, somou apenas oito pontos — com o 6º lugar de Nico Müller no domingo. Não chega a ser uma surpresa, já que a equipe alemã historicamente sofre muito no Principado. Mas bastou uma etapa abaixo do padrão para os danos serem grandes.

Viu a Jaguar assumir a ponta do Mundial de Equipes. Entre Pilotos, Pascal Wehrlein ficou zerado e despencou da liderança para o 4º lugar. Claro que a tendência é que esse seja um ponto fora da curva, mas é importante que a Porsche responda rapidamente e entregue um resultado forte já em Sanya. Caso contrário, pode ver os felinos abrirem vantagem difícil recuperar mais à frente.

Stellantis

A vida da Stellantis está complicada. A montadora neerlandesa começou o campeonato empolgada, com Cassidy subindo ao pódio em São Paulo e vencendo na Cidade do México, início que chegou a dar ilusão de que a Citroën poderia chegar abalando as estruturas da Fórmula E. Mas as instabilidades falaram mais alto e culminaram em um fim de semana para esquecer em Mônaco, onde marcou apenas 13 pontos no somatório dos quatro carros — incluindo na conta a DS Penske. Com isso, caiu de 3º para 5º no Mundial de Construtores e está à frente apenas da Lola.

Não é segredo que todas as fichas estão colocadas na era Gen4. A entrada da Opel dá sangue novo a um projeto que parecia não ter mais fôlego para competir de igual para igual com rivais mais sólidos. Mas a saída da DS e o imbróglio sem fim envolvendo a Citroën continuam deixando uma nuvem carregada no céu da Stellantis. Enquanto não colocar a casa em ordem e apresentar a solidez necessária para bater de frente com Porsche, Jaguar e Mahindra, dificilmente voltará a viver os dias de glória de outrora na Fórmula E.

Fórmula E tem folga de pouco mais de um mês antes da próxima etapa, o eP de Sanya, entre os dias 19 e 20 de junho. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.

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