Partiu de Daniel Juncadella a máxima que dita o destino das corridas clássicas do automobilismo: Nürburgring escolhe os seus vencedores, e nem mesmo os stints assombrosos de Max Verstappen foram suficientes para garantir a vitória das 24H de Nürburgring ao quarteto ainda composto por Juncadella, Lucas Auer e Jules Gounon. Com cerca de sete horas para o fim, o Mercedes #3 da Verstappen Racing sofreu com um problema no eixo de transmissão e recolheu aos boxes, abrindo caminho para a vitória do Mercedes #80 de Maro Engel, Luca Stolz, Fabian Schiller e Maxime Martin.
Desde as primeiras horas, ficou claro que a vitória seria de um dos carros da marca alemã. Do lado do #3, Juncadella ficou responsável pela largada, enquanto Verstappen assumiu o volante na sequência e não demorou para escalar o grid até a liderança, para delírio da massa de torcedores que esgotaram os ingressos do evento. Até mesmo pilotos e dirigentes com anos de competições no endurance se impressionavam com a velocidade e consistência do tetracampeão da Fórmula 1.
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Juncadella, Auer e Gounon, contudo, também tiveram papéis importantes, sobretudo na administração da vantagem construída por Max na madrugada. O neerlandês ainda conduziu mais um stint duplo nas primeiras horas da manhã de domingo e estava escalado para fechar a prova, reassumindo o volante depois do período de Daniel, mas não deu tempo.
Sem o Mercedes #3 da Verstappen Racing, o #80 só precisou cuidar para não cometer erros ou mesmo sofrer com problemas de confiabilidade até o final das 24 Horas. Coube a Engel conduzir o carro na última meia hora, e ainda teve chuva no fim para trazer ainda mais emoção. O experiente piloto, todavia, segurou a ponta e levou a marca alemã novamente à vitória das 24H de Nürburgring dez anos depois.
Também na classe principal, o BMW #1 de Augusto Farfus, Klingmann, Ugo de Wilde e Neil Verhagen precisou abandonar com cerca de 8h30min de prova. Há 15 minutos da bandeirada, o Mercedes #3 de Verstappen, com Juncadell ao volante, voltou para ao menos completar a clássica corrida, presenteando os fãs fiéis que transformaram a edição de 2026 em algo único na história do automobilismo.
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Confira como foi as 24H de Nürburgring 2026:
A primeira das 24 Horas de Nürburgring, iniciada neste sábado (16), ficou marcada por mudanças na liderança. Após largar na pole-position, a Lamborghini #84, pilotada por Mirko Bortolotti, sofreu um furo no pneu traseiro esquerdo e precisou ir aos boxes ainda nos primeiros minutos, o que abriu a prova para as alterações.
Com problema no carro #84, a Lamborghini #130 assumiu a ponta com Marco Mapelli. No entanto, a direção de prova aplicou punição de 32s ao italiano por queima de largada, o que mudou novamente o cenário da corrida.
O Mercedes #3, carro de Verstappen, foi pilotado por Juncadella no início da prova, aproveitou a confusão inicial para subir posições e assumir a segunda colocação. Em contrapartida, o Audi #16, conduzido por Christopher Haase, perdeu rendimento logo na largada e caiu para quinto, também sendo superado pela Lamborghini #7, de Maximilian Paul. Já o BMW #99 viveu início complicado após rodada de Daniel Harper.
O panorama inicial da corrida mudou novamente na terceira volta. Juncadella tentou assumir liderança, mas encontrou tráfego intenso das categorias inferiores e perdeu posições. Com isso, Paul e Kévin Estre avançaram, enquanto o Porsche #911 protagonizou forte recuperação depois de largar em oitavo.
Na sequência, Mapelli, Paul e Estre travaram disputa equilibrada pela ponta na classe SP9 PRO. Restando cerca de 20 minutos para fim da primeira hora, Estre executou manobra agressiva sobre Paul e fez bela ultrapassagem. No entanto, com 50 minutos de prova, o alemão recuperou a posição e fechou a primeira hora na liderança.
Mas a disputa na classe principal seguia intesna. O BMW #1, pilotado pelo brasileiro Augusto Farfus, alcançou a oitava colocação antes de Rafaele Marciello assumir o carro. Além disso, a Lamborghini #84 também realizou a primeira troca de pilotos, com Bortolotti dando lugar a Luca Engstler. Na sequência, o carro #130 fez a substituição de Mapelli por Nick Yelloly.
Após assumir o comando do Mercedes #3 com somente 1h de disputa, Verstappen escalou o pelotão e assumiu a liderança da corrida alguns instantes antes do fim da terceira hora de disputa em Nordschleife. O tetracampeão mundial de Fórmula 1, com o Ford #67 de Dennis Olsen em segundo e o Aston Martin #34 de Christian Krognes fechando o top-3.
No momento em que o neerlandês assumiu o volante, o carro da Verstappen Racing encontrava-se na décima colocação. As duas últimas horas ficaram marcadas por alguns acidentes, como o do Audi #75, que sofreu com um furo no pneu traseiro direito e bateu contra a barreira de proteção na Curva Schwedenkreu, e também do Ferrari #45, guiado por Thierry Vermeulen, que rodou no momento em que ultrapassava um retardatário.
No meio de toda essa confusão, Verstappen foi colecionando ultrapassagens. Com 1h20min no cronômetro, o neerlandês superou o Mercedes #26 de Adam Christodoulou, saltando para o nono lugar. Depois de somente 10 minutos, a vítima da vez foi a Lamborghini #7 de Christian Engelhart, colocando-se, desta forma, a 12s do Porsche #911 de Thomas Preining, um dos candidatos à vitória.
Depois de 1h50min, antes da segunda janela de pit-stops, Max não tomou conhecimento do Mercedes #47 de Jesse Krohn e saltou para a quinta colocação, já que alguns dos rivais que estava à frente já haviam entrado nos boxes. A partir deste momento, o clima em Nordschleife começou a ficar traiçoeiro, já que uma forte chuva atingiu boa parte do circuito, causando um número considerável de acidentes.
O Audi #821 e o Cupra #577 foram os primeiros a rodar devido à pista molhada, além do Dacia Logan #300, que saiu da pista no trecho da floresta, mas conseguiu se recuperar na sequência. O Audi #16 de Alexander Sims, também um dos candidatos à vitória, bateu em um retardatário e sofreu danos irreversíveis, ainda que tenha conseguido ir sozinho até os boxes.

Foi então que, com 2h53min de prova, Verstappen partiu para cima de Dennis Olsen (Ford #67) e de Christian Krognes (Aston Martin #34), a dupla que até então puxava o pelotão, para assumir a liderança das 24 Horas de Nürburgring. Com 21 voltas completadas, o neerlandês não teve dificuldades para se manter na ponta, abrindo 19s de vantagem em relação ao Porsche #911 de Preining, atual segundo colocado.
Alguns carros já começavam a entrar nos boxes para a terceira janela de pit-stops, embora os nove primeiros colocados permanecessem na pista. Além de Verstappen e Preining, top-10 após 3h contava com a Lamborghini #7, Ford #64, Mercedes #80, Lamborghini #130, Porsche #44, Porsche #24, Mercedes #26 e Porsche #10.
Max, então, passou o bastão para Gounon no momento da terceira parada nos boxes. Minutos depois, Nordschleife continuou fazendo vítimas e viu o Ford #64, que naquele momento era pilotado por Arjun Maini, bater violentamente e ter a dianteira toda destruída. Ao mesmo tempo, Kévin Estre apresentava um ótimo ritmo e se aproximava cada vez mais de Gounon, reduzindo a diferença de 21s para 6s. Entretanto, ao forçar demais, com 3h50min de prova, o Porsche #911 rodou sozinho ao ultrapassar um retardatário, dando adeus à competição.
Nesse meio tempo das batidas, o Mercedes #3 optou por ser cauteloso ao se ver entre os carros mais lentos e acabou sendo ultrapassado pelo Ford #67, comandado por Olsen, caindo para a segunda colocação. O norueguês então imprimiu um forte ritmo nas voltas seguintes e abriu 15s de frente após 4h10min de corrida. Nos instantes seguintes, pouca coisa mudou antes da quarta janela de pit-stops.
Não demorou muito, porém, para o Aston Martin #34, guiado por Krognes, ultrapassar Gounon e saltar para o segundo lugar, antes de entrar nos boxes. Como resultado, o francês retomou a vaga no top-2, embora com uma performance insuficiente para alcançar Olsen, que já construía 14s de vantagem na dianteira. A situação só mudou mesmo quando o Ford #67 decidiu parar, abrindo passagem para o rival.
O ritmo de Jules no comando do Mercedes #3 não era bom, o que o fez despencar para o terceiro lugar quando a prova batia 5h completadas, atrás de Mattia Drudi, no Aston Martin #34, e de Fabian Schiller, no Mercedes #80. O cenário passou a ser completamente diferente quando Auer assumiu o carro da equipe de Verstappen, que já estava na quarta posição, e começou a escalar o pelotão.
Após 1h na pista, o austríaco subiu para a primeira posição, deixando Schiller e Connor de Phillippi, do BMW #81, para trás — todos com cinco paradas. O que se viu a partir de então foi uma briga intensa entre os carros #3 e #80 da Mercedes, que dividiam cada centímetro de pista, com 0s720 de diferença entre os dois, enquanto a chuva voltava a cair em Nordschleife, dificultando a vida de todo mundo.
E a situação permaneceu assim por muito tempo, com Auer ainda na liderança após 7h de corrida, somente 0s4 à frente de Stolz, que assumiu o #80 após mais um pit-stop, e de Nicki Thiim, que acelerava o Aston Martin #34. A lista dos cinco primeiros contava com as presenças de Max Hesse e de Jens Klingmann, do BMW #99 e #81, respectivamente. E por falar na marca alemã, o brasileiro Augusto Farfus fez um ótimo stint antes de entregar o comando do #1 para Raffaele Marciello, na décima posição.
Na sequência, Stolz atacou Auer e tomou a liderança — ambos já se encontravam 2min03s à frente do Aston Martin #34, que perdeu terreno devido a um erro de estratégia na hora que a chuva começou, mas também por causa da falta de ritmo. Na verdade, as ausências de outros favoritos eram outra razão para a diferença.

Com 8h30min de corrida, a torcida brasileira recebeu uma notícia nada positiva: por causa de problemas mecânicos, o BMW #1 de Farfus, Klingmann, Ugo de Wilde e Neil Verhagen precisou abandonar. Em um cenário totalmente diferente, visto que possuía uma ampla vantagem na liderança com os dois carros, a Winward Racing passou a revezar os carros #3 e #80 na liderança, por questão de estratégia.
Após uma nova parada nos boxes e muitas trocas de posições, o Mercedes #80, agora guiado por Maro Engel, ultrapassou Juncadella e abriu 16s de vantagem na ponta. O espanhol, no entanto, apertou o ritmo e reduziu a diferença para 8s6 no momento em que a corrida passou das 10h de duração.
No troca, e o titular da Red Bull na Fórmula 1 reassumiu o cockpit do Mercedes #3, a 6s de Maro Engel. E bastou um único giro para reduzir a distância para apenas 0s5. Com tamanha pressão, era apenas uma questão de tempo para que Verstappen recuperasse a primeira colocação — e foi exatamente isso que aconteceu. O neerlandês aproveitou um dos setores de reta do longo circuito para jogar de lado e assumir a ponta.
Verstappen conduziu um stint duplo pela madrugada e entregou o carro para Gounon com 27s de vantagem sobre o Mercedes #80. Já com o domingo amanhecendo, foi a vez de Auer assumir o voltante e conduzir o carro da Verstappen Racing, ainda na liderança. Em ritmo cadenciado, manteve-se na ponta e entregou o posto novamente para o neerlandês com pouco menos de sete horas para a bandeira quadriculada.
Dali em diante, Verstappen fez aquilo que o mundo inteiro esperava: começou a construir uma impressionante vantagem volta a volta e encerrou o penúltimo stint — ele fecharia a participação do quarteto do Mercedes #3 — com uma margem de 50s sobre o #80, no momento guiado pelo experiente Maro Engel. Só que o sonho virou pesadelo quando Juncadella tomou o volante.
De repente, Engel descontou cerca de 20s em apenas uma volta. A transmissão não mostrava nenhuma escapada que justificasse a queda abrupta, mas era claro que havia algo errado. O alemão precisou de somente mais um giro para tomar a liderança com o Mercedes #80 e abriu distância considerável. Juncadella, então, levou o carro aos boxes.
O que se viu dali em diante foi uma corrida contra o tempo, enquanto o cronômetro mostrava o #3 caindo posições a cada minutos passado. Daniel recebeu um alerta sobre o ABS, mas disse à equipe que seria possível conduzir o carro até a próxima troca. Contudo, o carro começou a apresentar vibrações excessivas que o levaram ao pit-lane. Foi quando os mecânicos identificaram um problema no eixo de transmissão, encerrando as chances de vitória do quarteto da Verstappen Racing.
Com 2h46min para o término, Engel passou o volante do Mercedes #80 para Schiller, já com 7min de vantagem na liderança sobre a Lamborghini #84. E a vida do quarteto começou a ficar ainda mais tranquila quando os vice-líderes tomaram 86s de punição.
Volte em instantes.
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Fonte original: Grande Prêmio