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Evans manda recado, De Vries some de novo: quem sai em alta e em baixa do eP de Berlim

Da "carta de intenções" de Mitch Evans pelo Mundial de Pilotos ao desempenho pífio de Nyck de Vries, veja quem se destacou positiva e negativamente na rodada dupla da Fórmula E em Berlim O post Evans manda recado, De Vries some de novo: qu…

Evans manda recado, De Vries some de novo: quem sai em alta e em baixa do eP de Berlim
Mitch Evans (Foto: Fórmula E)

A etapa em Berlim, que teve vitórias de Nico Müller no sábado (2) e Mitch Evans no domingo, marcou um ponto de inflexão importante na temporada 2025/26 da Fórmula E. Em uma rodada dupla que exigiu muito, alguns pilotos e equipes deram respostas claras — positivas ou negativas — sobre quem é quem neste campeonato.

O destaque absoluto fica com Evans, que se afirmou de forma contundente a candidato ao título. A consistência de Edoardo Mortara e os extremos de Oliver Rowland evidenciam como existe mais de um caminho para se manter relevante na disputa. Enquanto Zane Maloney conseguiu um raro momento de brilho, mas que não foi forte o bastante para sustentar uma Lola Yahama capenga.

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Por outro lado, Berlim também escancarou fragilidades difíceis de ignorar. Nyck de Vries segue acumulando erros e faz temporada vergonhosa com um carro capaz de brigar por vitórias, enquanto Dan Ticktum viveu mais um capítulo do interminável calvário de 2025/26. Entre as equipes, a falta de evolução da já citada Lola Yamaha e o desempenho muito abaixo da DS Penske ampliam questionamentos sobre projetos que, por diferentes motivos, não conseguem acompanhar o ritmo das principais forças do grid.

Nesse contexto, o GRANDE PRÊMIO separou quem sai do eP de Berlim fortalecido no campeonato e quem chega à segunda metade da temporada com mais perguntas que respostas.

Mitch Evans venceu em Berlim e mostrou que vem forte na briga pelo título (Foto: Fórmula E)

Quem deixa o eP de Berlim em alta

Mitch Evans

Ninguém saí do eP de Berlim mais fortalecido que Mitch Evans, que chegou em sexto no sábado e venceu com maestria no domingo. Na primeira etapa após anunciar que vai deixar a Jaguar ao término da temporada, o neozelandês provou que não existe papo de corpo mole ou levar nas coxas os últimos meses pela equipe britânica. Muito pelo contrário: mostrou credenciais fortíssimas e talvez tenha se colocado como maior adversário de Pascal Wehrlein pelo Mundial de Pilotos. Após bater na trave tantas vezes, conquistar o tão sonhado título seria o final perfeito para o relacionamento entre Evans e os felinos. E ele está querendo muito.

Edoardo Mortara

A vitória teima em não chegar, mas a regularidade de Edoardo Mortara assusta. Com exceção do eP de São Paulo — quando abandonou após incidente com Lucas di Grassi —, o suíço pontuou em todas as demais etapase subiu ao pódio duas vezes, na Cidade do México e Jedá. Além disso, mostrou mais uma vez porque é o melhor classificador do momento ao fazer a terceira pole-position da temporada na primeira prova do fim de semana. É difícil acreditar que Mortara não vencerá nenhuma corrida este ano. Mas mesmo que a maldição que parece assombrar a Mahindra persista, se mantiver o nível de performances até o fim do campeonato, não é impossível que o suíço consiga a façanha de ser campeão mesmo sem subir no degrau mais alto do pódio.

Oliver Rowland

O campeão voltou? Calma, ainda não é bem assim. Estamos na metade da temporada, e Oliver Rowland mantém o padrão de extremos: em oito provas, subiu ao pódio cinco vezes; nas outras, sequer pontuou. A história da Fórmula E mostra que esse tipo de oscilação costuma custar caro, mas o britânico também provou em Berlim que não precisa nem de uma excelente Nissan para ter resultados expressivos e subiu ao pódio duas vezes. Se a escuderia nipônica conseguir manter o mínimo de estabilidade e entregar um carro que seja, ao menos, capaz de acompanhar o ritmo de Porsche, Jaguar e Mahindra em todas as rodadas, Rowland pode arrancar no braço o bicampeonato.

Zane Maloney

O fim de semana em branco não pode minimizar a boa performance de Zane Maloney na Alemanha. Em uma etapa em que todos os pilotos sofreram muito com a baixa aderência — causada por uma mescla de uma superfície diferente do habitual com altas temperaturas que causavam superaquecimento dos pneus —, o barbadiano conseguiu administrar essa questão e levar a Lola Yamaha à fase de duelos nas duas classificações. E quando o time britânico conseguiu apresentar boa eficiência energética na primeira metade da prova de sábado, teve braço para correr lado a lado contra alguns dos melhores nomes da Fórmula E. É sempre difícil chamar atenção em uma equipe fadada às últimas posições em todas as etapas, mas Maloney teve momentos dignos de nota na temporada — como marcar o único ponto da escuderia até aqui, em São Paulo. Não dá para esperar muito mais que isso na sequência, mas o campeonato do garoto é interessante até o momento.

Nyck de Vries continua com desempenho vergonhoso nesta temporada (Foto: Fórmula E)

Quem deixa o eP de Berlim em baixa

Nyck de Vries

É possível dizer, sem nenhum medo de errar, que Nyck de Vries é o pior piloto da temporada até aqui. Não, ele não ocupa a última posição do Mundial de Pilotos, mas nenhum nome no grid tem um saldo tão negativo entre o equipamento que tem em mãos e os resultados entregues na pista. Em uma Mahindra forte o bastante para brigar pelo título, os 14 pontos conquistados até aqui beiram o vergonhoso. E, como se não bastasse a incapacidade de extrair o potencial do carro, De Vries adicionou mais uma batida — dessa vez, em Nick Cassidy — à coleção de barbeiragens. Se a equipe indiana não quiser sofrer novamente no início da era Gen4, não basta fazer um bom conjunto de carro e trem de força. Precisa urgentemente ir ao mercado buscar alguém que consiga acompanhar minimamente o desempenho de Mortara — além, claro, de fazer tudo que estiver ao alcance para manter o suíço.

Dan Ticktum

Desgraça pouca é bobagem quando se trata de Dan Ticktum. Após abandonar as primeiras três etapas da temporada por incidentes nos quais não teve nenhuma culpa, conseguiu ter uma sequência sem intercorrências e entregou dois top-5 em três corridas — chegou até a brigar pela vitória em Madri. Quando a maré parecia ter virado, tudo desandou de novo em Berlim. O fim de semana começou bem, chegando ao duelo semifinal na primeira classificação — eliminando no caminho Nico Müller e caindo apenas para o pole Mortara. Na corrida, porém, teve problemas técnicos no trem de força e abandonou. No domingo, não teve ritmo para competir e ficou apenas no 14º lugar. Se você acredita em karma, talvez possa enxergar isso como consequência pelo comportamento polêmico. Na prática, é difícil fazer uma avaliação concreta do desempenho do britânico. Quando nada atrapalha a vida, as performances são excelentes. Mas a falta de capacidade de resolver problemas ou, ao menos, minimizar danos joga contra Ticktum — e ajuda a explicar por que ainda não tem vaga garantida no grid para a Gen4.

Lola Yamaha

Seria injusto cobrar que a Lola Yamaha fosse capaz de brigar por resultados expressivos regulamente. Entrar na Fórmula E na metade da Gen3 colocou a equipe britânica em uma posição muito desfavorável, já que chegou em um grid repleto de rivais com duas temporadas de desenvolvimento e conhecimento do equipamento. Mas também não pode passar incólume a incapacidade de dar qualquer passo à frente. Em uma temporada e meia até aqui, marcou pontos apenas cinco vezes e conquistou um pódio, com Lucas di Grassi — no eP de Miami de 2025 —, que foi muito mais por conta da excelente pilotagem do brasileiro e de punições a outros pilotos do que desempenho real. Desde então, ficou parada no lugar. Outras equipes já provaram que é possível evoluir com atualizações de softwares apesar do congelamento dos hardwares, e o time britânico não demonstrou capacidade para tal. Em Berlim, até surpreendeu pelo bom ritmo no início da prova de sábado, mas arruinou as chances de Maloney e Di Grassi com uma péssima estratégia; no domingo, voltou a mostrar insuficiência ser competitiva. A situação levanta uma dúvida pertinente: seria tudo isso fruto de um projeto 100% focado na Gen4 ou de uma total incompetência? A resposta para essa pergunta só virá na próxima temporada, mas é um sinal perigoso.

DS Penske

A DS vai deixar a Fórmula E ao fim da temporada, e a despedida passa longe de fazer jus à história da marca neerlandesa no campeonato. Verdade que a melhor fase foi ao lado da Techeetah, mas a parceria com a Penske também já viu dias muito melhores. Candidata constante a pódios e vitórias ao longo de toda a era Gen3, a DS Penske definha e amarga a vice-lanterna do Mundial de Equipes, com apenas 26 pontos. Por mais que a saída da DS represente um grande ponto de interrogação para o futuro da operação, a base para 2025/26 já era sólida o bastante para exigir um desempenho melhor — e até para atrair um dos grandes talentos do grid, Taylor Barnard, que chegou falando em brigar pelo título. E o eP de Berlim foi mais uma etapa onde o time norte-americano não teve nenhuma chance de brigar por qualquer resultado de destaque e seguiu dependendo de coelhos tirados da cartola pelo britânico para conseguir míseros 2 pontos. Uma das grandes decepções desta edição e um fim de trajetória melancólico de uma das marcas mais vitoriosas da história da Fórmula E.

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Fonte original: Grande Prêmio