Bicampeão acredita que mudanças de 2027 não farão diferença significativa no estilo de competição atual
Fernando Alonso, Aston Martin Racing
Foto de: Sona Maleterova / Getty Images
Após os ajustes introduzidos antes do GP de Miami, a FIA e a Fórmula 1 devem dar mais um passo na próxima temporada para abordar as principais preocupações do paddock em relação ao regulamento atual. Existe um acordo, em princípio, para alterar o equilíbrio entre o motor de combustão e a energia elétrica para uma divisão de 60-40, a favor do motor térmico.
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Os detalhes técnicos ainda não foram finalizados, embora as discussões estejam focadas no fluxo de combustível para tornar o motor de combustão mais proeminente, ao mesmo tempo em que se reduz a participação da energia elétrica em 50 quilowatts.
Embora esse pareça ser um passo na direção certa, Fernando Alonso não acredita que isso terá um efeito significativo no ano que vem. Questionado pelo Motorsport.com se essa mudança resolve os principais problemas ou se continua sendo uma questão de esperar pelo próximo ciclo, Alonso respondeu:
"Esperar. O DNA dessas unidades de potência será sempre o mesmo. E sempre recompensará quem for devagar nas curvas. Não acho que [isso vá mudar as coisas fundamentalmente]", disse.
Ainda assim, as mudanças após três etapas mostram, pelo menos, que a FIA está ouvindo as críticas dos pilotos. Porém, Alonso não acredita que esse tenha sido o maior problema.
“Eles sempre ouvem. A questão é que o mundo seguiu ou pensou em seguir com a eletrificação, que era considerada o futuro. Mas isso não se aplica às corridas. As corridas são um 'animal diferente'. Agora voltamos um pouco para o 60-40, e depois, no futuro, para cada vez menos. Infelizmente, tivemos esse período a partir de 2014 com a era turbo, e agora ainda mais, em que perdemos quase uma década ou até mais de corrida autêntica", explicou.
O atual conjunto de regras teve como importante consequência um maior número de ultrapassagens, no entanto, de acordo com o bicampeão, em uma análise 'fria', isso não significa muito. Questionado sobre onde se encontram os melhores pontos de ultrapassagem no Circuito Gilles Villeneuve, o espanhol explicou que ultrapassar não é mais uma arte hoje em dia.
“Nas retas, quando você tem mais bateria do que os outros. Será muito fácil. E não será uma ultrapassagem, é apenas uma manobra de evasão. Quando você tem mais bateria do que os outros, eles perdem potência, então reduzem 500 cavalos. Então você tem 500 cavalos a mais do que os outros, faz uma manobra e ultrapassa o carro", falou.
Verstappen em Nürburgring “abriu os olhos” dos fãs
Em parte devido a essas questões, Max Verstappen tem se voltado cada vez mais para as corridas de endurance, mais recentemente com sua participação nas 24 Horas de Nürburgring no último fim de semana.
Embora Alonso veja com bons olhos que mais pilotos explorem outras categorias de corrida, ele não vê isso necessariamente como um reflexo negativo do estado atual da F1.
“Não acho que possam chamar isso de corrida pura. É apenas uma categoria diferente. Mas é bom que tenham descoberto outros esportes e categorias, maneiras diferentes de curtir o automobilismo. A Fórmula 1 é apenas 1% de todo o automobilismo”, continuou o espanhol.
“E sim, acho que as pessoas gostam disso. Lembro-me de quando fiz o primeiro teste na Indy 500, havia cerca de 2 milhões de pessoas no YouTube apenas me assistindo dar voltas na pista, sozinho e então acompanharam a temporada. Havia dois europeus pilotando na IndyCar, agora 80% dos pilotos da IndyCar são da Europa. Então, espero que mais gente vá a Nürburgring ou a Le Mans no futuro, ou qualquer outro lugar", acrescentou.
De acordo com o bicampeão mundial, isso não apenas amplia os horizontes dos pilotos, mas também os dos fãs: “Se os principais pilotos da F1 [forem lá], estarão apenas abrindo os olhos dos fãs para uma nova categoria. A F1 é o auge e é maravilhosa, mas as outras também são tão mágicas quanto a F1, de certa forma", finalizou.
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Fonte original: Motorsport.com Brasil - F1