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5 coisas que aprendemos nas 6 Horas de Spa do WEC 2026

A BMW venceu pela primeira vez no WEC, o BoP funcionou bem e a LMGT3 proporcionou muito caos. As 6 Horas de Spa, que geralmente servem como um último grande ensaio antes de Le Mans, entregaram muito entretenimento e deixaram várias lições…

5 coisas que aprendemos nas 6 Horas de Spa do WEC 2026
BMW #20 venceu pela primeira vez no WEC em Spa (Foto: Charly López / DPPI)

O Mundial de Endurance (WEC) disputou a última etapa antes das tradicionais 24 Horas de Le Mans neste último final de semana, em Spa-Francorchamps, na Bélgica. A grande narrativa do sábado (9) ficou por conta da vitória do BMW #20, de Sheldon van der Linde, René Rast e Robin Frijns, e da dobradinha da marca alemã, com o #15, de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello em segundo. Ainda assim, é possível tirar muitas outras lições da segunda rodada da temporada 2026.

A começar pelo equilíbrio na classe Hipercarro, que foi destaque depois de ajustes no Balanço de Performance (BoP) equipararem o restante do grid a Ferrari e Toyota, que dominaram as ações na abertura da temporada, em Ímola. Agora, a sensação foi de que toda e qualquer equipe tinha chance de brigar por posições dentro do top-10.

Quem se beneficiou com isso foi a Genesis, que pontuou pela primeira vez no campeonato apenas na segunda prova da história da marca no WEC. O resultado acabou sendo uma prova irrefutável de que o GMR-001 é um dos hipercarros mais bem-nascidos dessa era do Mundial de Endurance.

Por fim, a LMGT3 também entregou uma ótima corrida, como de praxe, com muita movimentação, mas com ainda mais punições. O destaque do fim de semana na classe secundária do WEC foi a chuva de penalizações distribuídas por limites de pista. Curiosamente, o vencedor só foi conhecido na bandeirada final justamente por conta de uma sanção de tempo que estava pendente.

Sendo assim, o GRANDE PRÊMIO listou as lições que as 6 Horas de Spa trouxeram. Confira!

BMW executa corrida perfeita em vitória inédita no WEC

Obviamente, é preciso começar pela BMW, que conquistou a primeira vitória na classe Hipercarro do WEC e ainda puxou uma dobradinha na corrida da casa da WRT, que opera os protótipos M Hybrid V8. A vitória deixou algumas coisas bem claras para a montadora alemã. A primeira — e mais positiva — é que o ritmo de corrida do carro melhorou muito com as atualizações introduzidas em 2026.

Mesmo sem demonstrar força nos treinos livres e na classificação, com o #15 ficando em décimo e o #20 em 11º, a BMW teve um ritmo muito forte já desde as primeiras ações da corrida, com Magnussen ganhando cinco posições nas voltas iniciais. Além disso, a WRT foi precisa nas estratégias, colocando o #20 em uma tática alternativa e parando bem cedo, mas mantendo o #15 em uma janela mais convencional.

Por vias diferentes, o resultado dos dois foi o mesmo: o topo das 6 Horas de Spa. Além disso, os pilotos tiveram uma atuação impecável, com Magnussen escalando no primeiro stint e defendendo no último, Van der Linde ditando o ritmo no #20 e Frijns segurando a dianteira nos minutos derradeiros. Tudo casou perfeitamente para a primeira vitória da montadora alemã, que chega com um embalo importante para as 24 Horas de Le Mans.

BMW #20 conquistou a vitória nas 6H de Spa (Foto: Charly López / DPPI)

Balanço de Performance ‘escondido’ funciona?

Claro que o fato do BoP não ser divulgado ao público nesta temporada não tem absolutamente nada a ver, mas é inegável que os ajustes foram precisos para a rodada de Spa-Francorchamps. Desde os treinos livres, já era possível ver o equilíbrio do pelotão, em especial nos Hipercarros, que costumam ser menos parelhos entre si em comparação com os carros da LMGT3.

Ferrari, Alpine, Peugeot e Cadillac foram destaques ao longo dos treinos livres e da classificação. A vitória ficou com a BMW, que, convenhamos, não era a aposta de ninguém antes da largada. A Aston Martin conquistou o melhor resultado com o quarto lugar do #007, a Genesis pontuou pela primeira vez e até mesmo a Toyota, que foi muito punida pelo BoP depois de vencer em Ímola, teve chances de brigar por boas posições dentro do top-10 por meio da estratégia.

Todas as equipes tiveram alguns segundos ou minutos de fama em Spa, e isso é um ótimo sinal para o restante da temporada. Ter um BoP que prioriza a equidade é a chave para um pelotão mais equilibrado na classe Hipercarro. No entanto, é importante destacar que o BoP de Le Mans segue um outro padrão que não leva em consideração as corridas anteriores do WEC e costuma favorecer os carros LMH, que dominam a prova nesta era atual. Será que esse padrão será o mesmo neste ano?

O equilíbrio marcou o fim de semana em Spa-Francorchamps (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Ferrari e Toyota: o que esperar das forças maiores de Ímola?

Em Spa, o cenário das 6 Horas de Ímola não se repetiu. A Toyota não apareceu no top-10 em momento algum antes da corrida e a Ferrari, mesmo tendo destaque nos treinos livres, decepcionou na classificação e só avançou à hiperpole com o #50. Isso deixou claro que o BoP puniu severamente as duas maiores forças da abertura da temporada, o que é um bom sinal para o produto oferecido pelo WEC. Mas o que isso quer dizer para Toyota e Ferrari?

A curto prazo, a tendência é de que ambas voltem a ter um protagonismo maior nas 24 Horas de Le Mans. A Ferrari vem dominando o evento nos últimos três anos e deve chegar como uma das grandes favoritas mais uma vez em 2026. Já a Toyota viveu uma prova decepcionante em 2025, mas introduziu um novo carro para esta temporada justamente pensando no circuito de La Sarthe. Vale lembrar que apenas as duas montadoras venceram esta corrida na era Hipercarro.

Portanto, seria uma grande surpresa se o TR010-Hybrid não andar bem na França. O que não seria surpreendente é se os problemas de performance da Toyota e da Ferrari voltassem a aparecer nas etapas seguintes. A próxima corrida é em São Paulo, uma pista péssima para os italianos e um lugar onde a marca japonesa também sofreu no ano passado, apesar de ter dominando em 2024.

A sequência derradeira do calendário também não é nada tranquila para a Ferrari, que mais segurou a liderança na metade final do ano passado do que conquistou novos triunfos. Portanto, o fraco desempenho dessas duas marcas fortíssimas em Spa-Francorchamps não parece ser uma exceção pontual.

A Ferrari estava praticamente irreconhecível em Spa (Foto: Fabrizio Boldoni / DPPI)

Genesis pontua e se coloca de vez no mapa do WEC

Que momento viveu a Genesis em Spa! Mesmo estando apenas na segunda corrida dessa jornada no Mundial de Endurance, a marca sul-coreana já pontuou e cruzou a linha de chegada na oitava colocação. Mais um ótimo sinal para o WEC, inclusive, que não tem mais nenhuma equipe zerada na tabela do Mundial de Construtores.

Mas o sinal é melhor ainda para a Genesis, que já havia mostrado um ritmo bom em Ímola e comparável com o pelotão intermediário por vezes. Parecia que só faltava um pouco de sorte e caos para um dos carros beliscar o top-10 — e foi exatamente isso que aconteceu na Bélgica.

No stint de Pipo Derani, que divide o carro com André Lotterer e Mathys Jaubert, o timing das últimas duas entradas do safety-car, somado a alguns enroscos à frente, deixaram o #19 em plenas condições de fazer o último pit-stop sem cair para fora do top-10. Com isso, o GMR-001 já tem 4 pontos na conta indo para as 24 Horas de Le Mans e está se consolidando como um dos hipercarros mais bem-nascidos nesta era do WEC.

Genesis somou os primeiros pontos no WEC em Spa (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Chuva de punições marca (ou mancha) corrida da LMGT3

Por fim, é preciso dar um destaque à classe LMGT3, muitas vezes esquecida ou ignorada em meio à era de platina vivida pelos Hipercarros. A disputa foi intensa ao longo de toda a corrida pelas primeiras posições, em especial entre o McLaren #10 e a Ferrari #21, mas também com eventuais participações do Aston Martin #27, do Porsche #92 e do Corvette #33. Muitas marcas, portanto, brigando pelo topo, mas o que roubou a cena foi a chuva de punições, em especial no começo da prova.

Nas primeiras horas, com muitos pilotos bronze em pista, a direção de prova sediou um festival de drive-throughs por limites de pista na LMGT3. Destaque para Alexander West, piloto do McLaren #58, e Gray Newell, do Aston Martin #23 de Dudu Barrichello, que foram penalizados múltiplas vezes. Newell, sozinho, foi responsável por três drives-throughs, o que acabou com a corrida da Heart of Racing ainda cedo.

E, curiosamente, não houve grande comoção no paddock por conta das excessivas punições. O entendimento foi de que, de fato, os pilotos estavam abusando dos limites de pista, o que colocou uma pequena mancha em uma corrida tão divertida. Inclusive, o vencedor só foi conhecido na linha de chegada por conta de uma punição de 5s dada à Ferrari #21, que liderava e caiu para fora do top-3. A vitória, portanto, ficou com o McLaren #10, de Antares Au, Marvin Kirchhöfer e Thomas Fleming.

Agora, O WEC retorna apenas no próximo mês para a disputa das 24 Horas de Le Mans, a etapa mais importante do calendário. As atividades em La Sarthe acontecem entre os dias 10 e 13 de junho.

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Como assistir ao Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) no GRANDE PRÊMIO

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Desde 2024, o GRANDE PRÊMIO é a emissora oficial do WEC, a casa do endurance no Brasil e no mundo. A próxima etapa do campeonato acontece entre os dias 8 e 10 de maio, as 6 Horas de Spa-Francorchamps, com transmissão ao vivo e multiplataforma.

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Fonte original: Grande Prêmio