O garoto Andrea Kimi Antonelli se comportou como gente grande no GP do Canadá deste domingo (24) e alcançou a quarta vitória consecutiva na temporada 2026 da Fórmula 1 — mais um recorde histórico. Se um lado da garagem da Mercedes ficou em completo êxtase com o resultado da etapa em Montreal, o outro desabou completamente devido ao problema no carro de George Russell, que agora se vê ainda mais pressionado na briga pelo campeonato.
E por falar em título, os multicampeões Lewis Hamilton e Max Verstappen voltaram a compartilhar os holofotes na categoria. Os titulares da Ferrari e Red Bull, respectivamente, tiraram proveito dos infortúnios dos rivais para assumir o protagonismo, com direito a um duelo dos mais acirrados nas voltas finais, que viu o britânico levar a melhor.
Teve também o vexame de McLaren, Audi, Cadillac e Williams, que ainda procuraram maneiras de justificar o uso dos pneus intermediários na hora da largada. Além disso, Franco Colapinto concluiu fim de semana perfeito com a Alpine, enquanto Arvid Lindblad não recebeu o resultado que merecia.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do domingo da Fórmula 1 no Canadá.
Antonelli com aura de campeão
Claro, ainda falta muita coisa para acontecer na temporada e a situação pode, sim, mudar completamente de uma hora para outra. Não existe, aqui, qualquer afirmação de que Andrea Kimi Antonelli será campeão mundial de Fórmula 1 em 2026 simplesmente porque lidera depois de cinco míseras corridas — longe disso. É fato, porém, que a postura do italiano no duelo interno com George Russell tem surpreendido, considerando que o companheiro de Mercedes é muito mais experiente na categoria.
Impossível saber qual dos dois venceria a prova se o problema no carro do britânico não tivesse, infelizmente, acabado com uma disputa belíssima no Circuito Gilles Villeneuve. O grande ponto, porém, é que o italiano alcançou o quarto triunfo consecutivo com muitos méritos, pois em nenhum momento recuou, mesmo após o enrosco entre eles na sprint, e mostrou novamente aquela personalidade arrojada e até inconsequente em certos momentos, o que lembra, inclusive, Max Verstappen no início da carreira.
Cometeu alguns erros, é verdade, assim como Russell. Seria justo dizer que o sonho de se tornar campeão de F1 nunca esteve tão próximo, então está na cara que ambos vão pecar por excessos, visto que esse tipo de oportunidade não costuma aparecer tantas vezes na carreira. E como os mais jovens costumam dizer, Antonelli alugou um tríplex na cabeça do colega de time, que também teve azar com o problema no W17 e agora se encontra ainda mais pressionado.
Isso quer dizer que o jovem de 19 anos conta com a chamada sorte de campeão? Muito cedo para tal afirmação. Kimi alcançou o topo porque fez por merecer. Ainda há mais para entregar, não alcançou o teto do potencial. Da mesma forma, resta muito a aprender, o que significa que cometerá erros mais cedo ou mais tarde. Elementos que abrilhantam ainda mais essa disputa que começa a esquentar.

A redenção das lendas
Como é bom testemunhar Lewis Hamilton e Max Verstappen juntos no pódio mais uma vez. Basta vê-los próximos na pista que todo fã da Fórmula 1 rapidamente recorda aquelas batalhas nada amistosas em 2021, quando o neerlandês superou um dos maiores nomes do esporte para conquistar o primeiro título mundial da carreira. Hoje, duas lendas indiscutíveis. É inacreditável que existam pessoas que possuem a capacidade de detestar qualquer um dos dois — atitude digna de pena, para dizer o mínimo.
“Realmente consegui disputar uma corrida com Max, o que foi ótimo”, declarou o titular da Ferrari. Depois de anos difíceis com a Mercedes e um 2025 estranho com o time de Maranello, o #44 aos poucos vai reencontrando a alegria de estar na pista a cada fim de semana, tanto que até despachou a possibilidade de aposentadoria. Claro, o campeonato tem sido de altos e baixos, um reflexo do que é a própria escuderia nesse momento. Contudo, há potencial para mais.
Do outro lado, o neerlandês voltou a sentir o gosto de brigar por grandes coisas — e fez questão de destacar isso: “Correr na frente é sempre melhor”. Embora existam outros fatores na jogada, ter um carro competitivo definitivamente tem o poder de fazer o #3 desistir da ideia de deixar a F1 em 2027, e a Red Bull entregou isso a ele no Circuito Gilles Villeneuve. Evidentemente, contou com a estratégia pífia da McLaren e com o abandono de George Russell, mas a evolução dos taurinos é, sim, notável.
No fim das contas, ter Hamilton e Verstappen entre os protagonistas só faz bem ao esporte.

Que papelão foi esse, McLaren?
Impressionante a capacidade da McLaren de sair do posto de principal ameaça à Mercedes para grande vexame em questão de segundos. Isso porque a equipe achou por bem colocar pneus intermediários nos carros de Lando Norris e Oscar Piastri para a largada em Montreal, em um momento que a chuva já estava bem fraca. Óbvio que decisões dessa magnitude precisam ser tomadas rapidamente, o que nem sempre é tão simples, convenhamos. E, se desse certo, a história seria outra: a equipe provavelmente seria tratada como a mais genial do grid. O esporte tem dessas.
Andrea Stella até tentou culpar o atraso na largada para justificar a decisão. “As duas voltas de apresentação afastaram o perigo de largar com a pista ainda escorregadia e úmida. Então, isso não funcionou a nosso favor. Se a corrida tivesse começado no momento em que deveria ter começado, teríamos uma vantagem maior”, pontuou o chefão. Nessa lógica, os papaias teriam então a vantagem por duas ou três voltas a mais. E depois? Com a pista secando rapidamente, ir aos boxes era inevitável.
Bom destacar que Audi, Cadillac e Williams, somente com Carlos Sainz, fizeram exatamente a mesma coisa. E todas juram de pés juntos que essa definitivamente era a decisão mais lógica. Bem, não pareceu tão óbvia assim para os outros 14 carros. Será que os aparelhos de alta tecnologia utilizados para monitorar o clima são tão diferentes assim de uma equipe para a outra? É difícil.

O sobrevivente
Se a análise de sábado classificou Franco Colapinto e Arvid Lindblad como os “reis do pelotão intermediário” lá no Canadá, é uma pena que somente um deles tenha tido condições de concluir um fim de semana perfeito. Enquanto o argentino desfilou sem maiores problemas para receber a bandeira quadriculada em sexto, o britânico sequer conseguiu largar, pois teve um problema na embreagem da VCARB 03. Um pecado enorme com o único estreante da temporada 2026.
Na verdade, não havia nenhum outro nome da chamada ‘F1 B‘ que merecia terminar dentro do top-10 além de Colapinto e Lindblad. Pierre Gasly e Liam Lawson, também pilotos de Alpine e Racing Bulls, respectivamente, estiveram bem abaixo do ritmo apresentado pelos companheiros de equipe ao longo das atividades e só pontuaram porque George Russell, Lando Norris e Oscar Piastri saíram do páreo.
O que dizer então de Carlos Sainz e Oliver Bearman? Sem condições. Mas isso é automobilismo, e nem sempre os melhores alcançam aquilo que merecem. Colapinto foi o sobrevivente e deve receber todo tipo de elogios, porque provou mais uma vez que segue acompanhando a evolução do time francês. Lindblad, por sua vez, perdeu outro tempo valioso de pista nesse início de adaptação à categoria. De qualquer maneira, o recado foi dado.

Confusão na largada
O caos no GP do Canadá começou cedo, logo na largada, que teve de ser abortada duas vezes. Na primeira, ficou claro que o problema no carro de Arvid Lindblad forçou a direção de prova a optar por uma nova volta de apresentação, já que realmente seria muito perigoso ter um piloto parado no meio da pista enquanto outros passam em alta velocidade logo ao lado — um alvo fácil.
Como o traçado do Circuito Gilles Villeneuve é rapidamente percorrido, os fiscais ainda estavam retirando a VCARB 03 #41 do grid no momento em que os outros 20 monopostos — Lance Stroll saiu do pit-lane — se aproximavam para a segunda largada. A impressão é a de que os competidores receberam a ordem para uma terceira volta de apresentação antes mesmo de entrarem na reta principal, mas não captaram muito bem a mensagem e, por isso, realinharam.
Do ponto de vista da segurança, a direção de prova tomou uma atitude correta em ambos os casos. O problema, no entanto, foi a falta de uma sinalização mais clara para indicar o que, de fato, deveria ser feito. Uma pequena pataquada, é verdade. Porém, nada que deva ser levado ao extremo.

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Fonte original: Grande Prêmio