A Ferrari sonhou com o GP de Miami por cinco longas semanas, durante o hiato da Fórmula 1 após os adiamentos de Bahrein e Arábia Saudita, já que a quarta etapa da temporada 2026 tinha tudo para ser o ponto de virada na busca por mais competitividade contra a Mercedes, a principal força até aqui. No entanto, viveu mesmo um pesadelo. Isso porque, apesar das 11 atualizações feitas na SF-26, o time de Maranello avançou menos do que as principais rivais, principalmente McLaren e Red Bull, o que criou mais dúvidas do que certezas para as próximas etapas.
Nas três primeiras corridas do ano, Lewis Hamilton e Charles Leclerc se colocaram como os grandes adversários de Andrea Kimi Antonelli e George Russell, mas não foram capazes de derrotar a dupla comandada por Toto Wolff. Na Austrália, o monegasco até ocupou a liderança por alguns momentos nas voltas iniciais, porém, terminou na terceira posição, algo similar ao que aconteceu na China, desta vez com o heptacampeão mundial, que também não foi páreo para a ex-equipe e teve mesmo de ficar feliz com o primeiro pódio vestindo o macacão vermelho.
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O cenário no Japão foi diferente, é verdade. No Circuito de Suzuka, a McLaren voltou a dar o ar da graça e mostrou que era apenas uma questão de tempo até roubar da Ferrari o posto de segunda força da F1 em 2026, mesmo que ainda tivesse de driblar algumas questões de confiabilidade do MCL40. E foi exatamente isso que aconteceu. Os papaias desembarcaram em Miami com sete atualizações na bagagem, que ajudaram Lando Norris e Oscar Piastri a fazerem 1-2 na sprint — a primeira vez no ano que a vitória não ficou com um dos representante das Flechas de Prata.
Mas a escuderia liderada por Frédéric Vasseur também preparou melhorias, e muitas — foram 11 no total. A SF-26 contou com uma revisão completa na parte da frente, incluindo endplate da asa dianteira, entradas de ar próximas às rodas e suspensão, além de mudanças no corpo do assoalho, otimizado para aprimorar a carga local. E não parou por aí: difusor, suspensão traseira, beam-wing e parte traseira entraram na fila, assim como a famigerada asa Macarena, que foi revisada junto dos endplates, tudo para aumentar o downforce em curvas e reduzir o arrasto aerodinâmico nas retas.
Tudo parecia muito bonito no papel, contudo, não funcionou como esperado na prática. Claro, houve, sim, um avanço, mas um passo muito menor do que McLaren e até mesmo Red Bull — que viu Max Verstappen garantir o segundo lugar no grid de largada — tiveram, o que fez a balança das expectativas pender para o lado negativo. No domingo, Leclerc teve um ritmo de corrida 0s54 mais lento do que Antonelli, a referência nesse quesito, enquanto Hamilton, que ficou com o assoalho danificado após um toque com Franco Colapinto na largada, perdeu 0s98 por volta.

Com tantas atualizações feitas na SF-26, a Ferrari agora terá de aproveitar as três semanas antes do GP do Canadá para entender exatamente qual — ou quais — delas não funcionou tão bem assim. Após a etapa em Miami, o britânico do #44 apontou que a equipe deveria iniciar investigação em relação à asa dianteira, que, de acordo com ele, pode ser um dos fatores para a diferença de desempenho — e faz muito sentido, embora não explique completamente a falta de ritmo em comparação com as rivais.
“Basta olhar para as asas dos outros carros e comparar com a nossa: há diferenças. Pode não ser apenas isso, mas fico me perguntando o que está acontecendo, porque outras equipes parecem ter essa solução e a desenvolveram melhor”, analisou Hamilton. De fato, Mercedes, McLaren e principalmente a Red Bull fizeram um trabalho muito bom na integração entre a asa dianteira e a endplate, o que influencia o fluxo de ar na região, otimizando-o antes de chegar ao assoalho.
É bom destacar que, embora cada parte do carro de F1 tenha um papel muito importante no desempenho geral do conjunto, a asa dianteira possui um destaque maior. Isso porque é o primeiro elemento a entrar em contato com o fluxo de ar e, desta forma, tem um impacto na maneira como o restante do monoposto precisa trabalhar. Se a equipe cometer algum erro por ali, todas as outras áreas vão sofrer para entregar performance.
Dentre as quatro principais forças, a solução da Ferrari é basicamente a mais simples e, em certa medida, a mais desconexa também. Além disso, os italianos são os únicos que não utilizam o elemento vertical na parte superior da endplate, importante para evitar que a maior parte do fluxo de ar seja puxada pela parte interna do pneu, o que, novamente, tem efeito negativo no trabalho do restante do carro.

Mas além das questões aerodinâmicas a serem resolvidas, não é segredo para ninguém que o time de Maranello tem apresentado um déficit na unidade de potência. O ranking das chamadas Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO, da sigla em inglês) será divulgado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) depois da prova em Montreal e pode ajudar os vermelhos a reduzirem a desvantagem em relação ao motor Mercedes e também ao da Red Bull, apontados como os melhores.
“O que precisamos desesperadamente é de desenvolvimento de motores, porque está muito difícil competirmos contra a potência da Red Bull e da Mercedes. Ambas têm uma vantagem significativa sobre nós”, apontou Hamilton ao fim da última etapa. E a Ferrari sabe muito bem disso, tanto que já vem trabalhando em atualizações desde antes da pausa forçada em abril.
Acontece que nem mesmo a vantagem que possuía nas largadas, fruto do turbocompressor menor, existe mais, uma vez que a McLaren entendeu como ajustar o software da unidade de potência da Mercedes e tem se saído muito bem quando as luzes se apagam — algo com o qual a equipe de fábrica ainda não aprendeu a lidar, por outro lado. E mesmo que tomem a primeira posição logo nas primeiras curvas, como foi o caso de Leclerc em Miami, por exemplo, é preciso ter ritmo para se manter por lá, o que não aconteceu até aqui.
O ponto é que a Ferrari possui, sim, um ótimo projeto em mãos com a SF-26, especialmente na questão aerodinâmica, só não pode se tornar refém das próprias expectativas. A equipe precisa acertar a mão nas próximas melhorias e, acima de tudo, aproveitar bem as atualizações que terá disponível para o motor por meio do ADUO, que vão permitir com que minimize um déficit que tem sido decisivo em 2026.
A Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026.
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Fonte original: Grande Prêmio