“Ayrton Senna sempre foi uma lenda para mim” e “Ayrton sempre se destacava entre todos. Não apenas pelo piloto que era, mas também pela personalidade, dentro e fora da pista. Virou minha inspiração“. São duas declarações feitas, ao longo do último ano por Andrea Kimi Antonelli, o atual líder da Fórmula 1. O mesmo Antonelli que veio ao mundo em 25 de agosto de 2006, nem mesmo 20 anos atrás. Mais de uma década após aquele 1º de maio de 1994.
Já são 32 anos desde que o fim de semana do GP de San Marino de 1994 chegou ao desfecho trágico e coroou a memória de dias malditos em Ímola, com duas mortes e mais acidentes assustadores. Um marco da virada dum conjunto de regras que causou problemas devastadores de segurança naquela temporada.
32 anos. Uma vida. Várias vidas. No grid atual da Fórmula 1, pasmem, apenas cinco pilotos dividiram o planeta com Senna — Fernando Alonso (44), Lewis Hamilton (41), Nico Hülkenberg (38) são os mais velhos, mas Sérgio Pérez e Valtteri Bottas, ambos com 36, eram jovens demais para dizer que assistiram Senna nas pistas.
Todos os outros 17 nomes nasceram quando o tricampeão mundial já não estava mais por aqui. Mas é um tanto quanto normal que a geração que surgiu nos anos imediatamente seguintes ainda ficassem à sombra de um ídolo da monta que o brasileiro se tornou, tanto em vida quanto em morte. Mas aqui estamos, numa segunda geração, com pilotos que tomaram consciência do que era a F1 20 anos após a morte de Ayrton. Mesmo assim, é ele o apontado como grande ídolo.
Ou até mais. “Quando você é criança, fica fascinado por coisas que nem existem, como super-heróis. Senna já tinha partido, mas ainda havia filmes e documentários. Isso foi o suficiente para fazer eu me apaixonar pelo personagem”, explicou Isack Hadjar, nascido em 28 de setembro de 2004.
O italiano Antonelli e o francês Hadjar dão o tom de como Senna é visto mundo afora, mesmo longe das fronteiras brasileiras. Aqui, é chover no molhado: continua tratado como figura messiânica por gente dentro e fora do esporte.
Nos 32 anos sem Senna, não há muito mais a dizer sobre o que fez ou o efeito que foi criado. Ayrton é tratado como a única figura comparável a Pelé em termos de idolatria do esporte nacional. Quem foi maior? Num Paddockast especial gravado ano passado, este escriba qualificou Pelé como o ídolo da abundância do fim dos anos 1950 e Senna, como o da ausência dos anos 1980.
Pelé encapsulou um movimento de representatividade do Brasil para o mundo em tempos do melhor futebol do planeta, de sucesso no atletismo, no tênis e no basquete, do surgimento e popularização internacional da bossa nova, que enchia as casas de shows mais tradicionais do mundo e daí por diante. Senna surge na ausência: de sucessos do futebol ou na política, sem os frutos esperados das Diretas Já e com um povo machucado por muitos anos de repressão da ditadura militar e, posteriormente, com a morte do primeiro presidente civil em mais de 20 anos. Há muito mais em cada caso, mas fiquemos com estes exemplos.
Quem é mais ídolo? Cada um que faça a própria escolha, mas a questão é que a morte de Senna interrompeu uma trajetória no auge da idolatria. É verdade que os herdeiros da memória de Senna trabalharam para cultivar o status quo nas últimas três décadas, mas a imagem do tricampeão se vende sozinha, como de alguém que foi beatificado como o grande piloto e craque das câmeras que era enquanto vivo e terminou santificado ao morrer da maneira que aconteceu.
Há quem ache um exagero tremendo, e talvez até seja, mas essa é outra discussão. O fato de uma geração de pilotos nascidos nos anos 2000 muito longe das terras que têm palmeiras onde cantam os sabiás venerar Ayrton mostra que a imagem não é só da Globo ou da família. A imagem de Senna se tornou sinônimo de acreditar em algo maior que si. Senna santo padroeiro do esporte a motor, aquele em quem se apega na busca por agir da maneira certa. Nada diferente de como as religiões tratam suas divindades.
Por mais estranho que possa parecer, a idolatria de Antonelli, Hadjar, Gabriel Bortoleto e afins por Ayrton Senna é ainda maior do que a geração anterior. Porque a geração anterior era impactada por Senna, o piloto; a nova geração, que surgiu em tempos tão distantes de 1994, já enxerga Senna como a divindade das pistas.
Para divindades, o tempo não importa mais. A linha temporal é retorcida e descartada. Divindades cortam o tempo e suas histórias perdem os contatos com o que é humano. Talvez por isso os documentários e filmes recentes tentem recuperar justamente isso, enquanto aqueles feitos 15 anos atrás tentavam ainda construir o mito. Mas o mito está pronto, a fábula está escrita, e agora sobra a tentativa de mostrar que, talvez, Ayrton fosse um personagem humano. Mas os mais jovens já não veem assim: enxergam Senna como uma fábula de Esopo.
Na duelo pelo coração dos mais jovens, a disputa de Senna não é com Alain Prost, Jackie Stewart ou Max Verstappen. É com a cigarra e a formiga. É servindo de exemplo para a tartaruga vencer a lebre. Senna se tornou a moral da história encarnada.
A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 1º a 3 de maio, com o GP de Miami, quarta etapa da temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além disso, o GRANDE PRÊMIO estará in loco em Miami com o repórter Bernardo Castro.
GP de Miami de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 13:00 | 15:00 | 17:00 | 18:00 |
| Classificação Sprint | 17:30 | 19:30 | 21:30 | 22:30 |
| Corrida Sprint | 13:00 | 15:00 | 17:00 | 18:00 |
| Classificação | 17:00 | 19:00 | 21:00 | 22:00 |
| Corrida | 17:00 | 19:00 | 21:00 | 22:00 |
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Fonte original: Grande Prêmio