Grande Prêmio

Mercedes leva bote em Miami e vai ao Canadá com atualizações que precisam dar certo

O GP de Miami mostrou à Mercedes que não vai dar só para confiar na força do motor, ainda mais contra a McLaren, que também corre com a mesma unidade de potência. O pacote de atualizações da rival papaia deu muito certo e jogou pressão par…

Mercedes leva bote em Miami e vai ao Canadá com atualizações que precisam dar certo
George Russell (Foto: Mercedes)

Sempre soa meio clichê dizer que ainda é cedo para cravar favoritismos em um campeonato que não realizou nem 1/4 das corridas, mas considerando o que realmente tem determinado a ordem de forças da Fórmula 1 2026, a Mercedes está com a faca e o queijo na mão, como diz o ditado. Também pudera, só deu a equipe alemã até agora nas corridas, porém a singular vitória de Lando Norris, da cliente McLaren, na sprint do GP de Miami foi mais que suficiente para afirmar que não será possível apenas confiar na potência do excelente motor que tem. E ela sabe muito bem disso.

Miami trouxe cenário dos mais intrigantes e promissores ao ser palco de uma série de atualizações para dez das 11 equipes do grid (exceção à Aston Martin). Do lado da Mercedes, foram duas mexidas bem pontuais para melhorar o condicionamento do fluxo de ar e reduzir o arrasto aerodinâmico que mantiveram principalmente Andrea Kimi Antonelli entre os ponteiros nas atividades do fim de semana, enquanto George Russell teve mais trabalho para se entender com o acerto. Só que nada se comparou ao MCL40 versão 2.0 e suas nove atualizações que foram determinantes para colocar aquela pulguinha atrás da orelha de Toto Wolff.

O controverso regulamento de 2026 tem nas unidades de potência a maior mudança graças à ampliação da parte elétrica, e nunca foi segredo pelo paddock que a Mercedes retornaria ao posto de referência assim que ele entrasse em vigor. Dito e feito, com uma performance que de tão forte passou a levantar suspeitas de que nem seria a real, com a Mercedes ainda poupando motor nos fins de semana.

Mas a aerodinâmica dos novos carros também veio cheia de novidades e, o melhor, de possibilidades a serem exploradas. E por mais que seja surpreendente ver uma equipe cliente lutando em pé de igualdade contra o time de fábrica já na quarta corrida de um novo ciclo de regras, essa sensação de espanto começa a se dissipar se for levado em conta que a referida equipe é a campeã vigente, que teve nas mãos por duas temporadas seguidas indiscutivelmente o carro mais versátil de todos justamente em níveis de downforce.

“Sabíamos que, neste fim de semana [em Miami], enfrentaríamos uma batalha. A maioria das equipes trouxe atualizações significativas e sabíamos que elas diminuiriam a diferença para nós”, reconheceu Kimi.

Antonelli venceu em Miami, mas Norris (ao fundo) cresceu no retrovisor (Foto: Mercedes)

É por isso que a Mercedes sabe perfeitamente que não há como aguardar a chegada da perna europeia — mais especificamente Barcelona, clássica pista de testes para a F1 — para armar o contra-ataque. Canadá, daqui a duas semanas, é visto como ponto-chave para a introdução do primeiro pacote de atualizações do ano para o W17. Há algumas questões sensíveis com o carro atual, sendo a largada a principal delas, por mais que Antonelli tenha garantido que todos no time já sabem o que fazer para resolver.

Outra questão (não tão amplificada como nas concorrentes Honda e Audi, claro) é a confiabilidade, e ainda que ela tenha afetado mais justamente a cliente McLaren, tanto Russell quanto Antonelli já tiveram momentos em treinos e classificação em que a atividade foi comprometida por falhas pontuais na unidade de potência. Diante do que se viu em Miami, é algo que definitivamente não pode mais acontecer daqui para frente.

“Parece que nossos concorrentes trouxeram um pouco mais de desempenho para esta etapa do que nós, e o W17 — que vinha sendo um carro equilibrado em todos os circuitos até aqui — hoje foi difícil de pilotar”, reconheceu o diretor de engenharia de pista, Andrew Shovlin, durante o fim de semana nos Estados Unidos.

Por fim, Miami também ajudou a elucidar outra questão de início nebulosa com a chegada do novo regulamento: afinal, se o motor assumiria o protagonismo, seria possível descontar a diferença apenas trabalhando a aerodinâmica do carro? Ao menos para uma equipe que também compete com os propulsores Mercedes, a resposta foi sim.

Mercedes tem questões a resolver e precisa de atualizações (Foto: Leonid Kliuev/Grande Prêmio)

Agora, não há também como ignorar o fato de que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) mexeu os pauzinhos em duas áreas do complexo regulamento que acertaram em cheio a Mercedes. A primeira delas foi antes mesmo do início da temporada, a polêmica em torno da taxa de compressão e a possibilidade encontrada pela esquadra de Brackley para ampliá-la a altas temperaturas, uma vez que a medição era feita com o motor fora da temperatura de funcionamento. Essa checagem vai mudar, e a Mercedes já precisou se adequar para não ter problemas.

O outro foi o truque denunciado por Ferrari que fazia a Mercedes contornar a exigência de redução gradual de potência elétrica ao fim da volta — normalmente limitada a uma queda de 50 kW por segundo — permitindo uso máximo da energia por mais tempo. Com isso, era possível alcançar vantagem momentânea entre 50 kW e 100 kW em relação a concorrentes que seguiam o procedimento padrão, reduzindo a potência elétrica do motor. Engenhosidades reconhecidamente dentro do regulamento, mas que forneciam comprovada vantagem. Não poderiam, portanto, permanecer.

Ainda assim, a Mercedes se mantém como alvo para a etapa seguinte, no Canadá, mas já é lógico afirmar que o pacote de atualizações precisa dar certo. Em Miami, Norris teve muita razão ao se mostrar frustrado pelo que considerou a perda da vitória ao tomar o undercut de Antonelli na parada para troca de pneus. E as garagens alemães sabem muito bem que ele não exagerou nem um bocado.

Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026.

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