Quando ficou claro que a Fórmula 1 teria pela frente um mês inteiro sem corridas, ainda no início da temporada, o temor era de que o campeonato poderia ir por água abaixo, especialmente diante das críticas em relação ao novo regulamento, em meio a um possível domínio acachapante da Mercedes. A pausa, no entanto, fez bem à categoria maior do esporte a motor. Os primeiros ajustes nas regras foram aprovados, enquanto as equipes do grid ganharam um providencial tempo extra para compreender melhor as normas e evoluir — e algumas acertaram em cheio. Portanto, mais do que as pequenas alterações, o que parece ter feito diferença mesmo foi o avanço técnico daqueles que tentam ameaçar os líderes. E isso é mais do que a F1 poderia desejar em 2026.
Essa sensação de equilíbrio nasce em grande parte em função do que fez a McLaren. É bem verdade que a equipe laranja deu sinais de crescimento ainda no Japão, mas o que mostrou em Miami foi muito além. Andrea Stella liderou uma verdadeira revolução em termos de atualizações do MCL40. Os engenheiros mexeram em praticamente tudo, com a meta de ampliar o downforce e tirar melhor proveito da forte unidade de potência da Mercedes. O que se viu na pista foi um carro consistentemente rápido e capaz de imprimir um ritmo de corrida muito próximo daquilo que entrega o ótimo W17. A sprint de sábado, marcada pela dobradinha do time de Woking, mostrou que a direção tomada foi realmente acertada.
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E aqui vale uma nota curiosa: foi também em Miami, há três anos, que a McLaren conduziu uma enorme virada para cima dos rivais, o que a colocou mais tarde no caminho de títulos e glória.
Voltando a 2026: também é certo dizer que a classificação de sábado deixou a desejar e que a McLaren se encontrou refém de fatores externos, mas a corrida deste domingo retomou a impressão de que há uma disputa aberta, sobretudo em relação ao desempenho de Lando Norris. O atual campeão foi capaz de vencer a corrida curta e, na principal, exibiu uma performance ainda mais segura e consciente do potencial papaia. Tanto que entrou em uma briga real com a Mercedes pela vitória desde a largada. O undercut de Kimi Antonelli foi o ponto chave, assim como o desgaste final dos pneus, mas é importante reforçar: a equipe britânica está no páreo. E vai incomodar.
Ainda que Oscar Piastri não tenha vivido um fim de semana tão contundente quanto Norris, o pódio duplo em Miami diz muito sobre a ordem de forças e o fato de que a Mercedes já não está mais sozinha. E aqui tem um segundo ponto: o salto de qualidade da Red Bull. Embora a corrida de Max Verstappen tenha sido arruinada por ele logo nos primeiros metros, não dá para negar que os taurinos acertaram demais na revisão feita no RB22. Assim como os papaias, a equipe austríaca promoveu mudanças estruturais e trouxe novidades que tornaram o carro mais previsível e veloz. A excêntrica asa traseira é só a ponta do iceberg.
A questão é que a Red Bull tornou a vida do tetracampeão mais fácil, na medida que o carro agora parece mais normal. Sendo assim, Verstappen foi capaz de impor um ritmo mais competitivo na sprint de sábado e ainda conquistou a segunda colocação do grid — depois de passar perto da pole. A corrida principal foi marcada pelo erro após a largada. Aquela rodada tirou a chance de pódio, mas a recuperação na prova e o desempenho provaram que os taurinos deixaram de vez o grupo intermediário do grid. Isso quer dizer que, em algum momento, a disputa com as duas ponteiras vai acontecer.
Largada caótica em Miami: Verstappen roda, Leclerc lidera, Norris vai para cima e Antonelli tenta escapar (Vídeo: F1 TV/Reprodução)
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Isso também vale para a Ferrari. Os italianos também introduziram um pacote de atualizações de grande porte neste fim de semana e ficou nítido o avanço da SF-26, muito embora ainda falte um toque de magia. O carro vermelho luta contra uma queda de rendimento em ritmo de corrida, mas Charles Leclerc foi capaz de extrair o melhor das novidades. Largou muito bem e pulou para a ponta, liderou o início da corrida e chegou a brigar pelo pódio. O erro no final custou caro, mas há um potencial em Maranello.
Diante disso tudo, é necessário falar da Mercedes. Única entre as grandes a não atualizar o carro em Miami, a equipe alemã ainda segue à frente, mas entendeu que será preciso um pouco mais para manter a liderança. A sprint foi um aviso claro de que as rivais encostaram. Já a corrida principal reforçou o cenário de equilíbrio, comandado pela McLaren. Norris se mostrou um adversário sério e capaz de tirar pontos importantes das Flechas de Prata. Só que a esquadra de Toto Wolff tem mais ainda com que se preocupar, e isso ficou nítido neste fim de semana.
É claro que ter Antonelli em uma fase tão brilhante é um alívio. Ainda, é preciso reconhecer: o piloto de 19 anos tem controlado muito bem a pressão de comandar o campeonato e o próprio time. A vitória neste domingo mostrou muito disso, porque Kimi teve de enfrentar outros desafios, além da má largada. O italiano perdeu a ponta logo nos primeiros metros e teve de travar uma batalha contra Leclerc e Norris em um dia em que o W17 não foi tão dominante. O pit-lane entrou em ação e ajudou com o undercut para cima dos papaias, garantindo ali o triunfo, mas foi mais complicado do que pareceu. Há, de fato, uma igualdade de performance. O domínio absoluto sumiu.

Então, a boa notícia é que Antonelli mostrou uma necessária maturidade para se manter na frente e deu razão a Wolff na aposta feita ainda em 2025. Afinal, até agora, foram três poles e três vitórias consecutivas. Um começo avassalador e que ganha toques mágicos diante da perspectiva de uma campeonato mais equilibrado. O problema para a Mercedes é que há um elo fraco neste momento. George Russell, que deveria comanda a equipe, se perdeu após o triunfo na Austrália e teima em fracassar. Quer dizer, tudo que a concorrência deseja. E a Fórmula 1 agradece.
No fim das contas, os ajustes foram importantes, ao menos em termos de classificação. Com relação à dinâmica em corrida, é preciso colocar na balança a natureza do traçado de Miami, que ajudou a mascarar certos aspectos desse regulamento. Mas ainda é fundamental reiterar: o fim de semana nos Estados Unidos apresentou uma nova F1. Não é exagero dizer que, diante de tudo, as quatro principais equipes tiveram chance de vitória e estão em uma disputa real. E essa é a história que 2026 precisa contar.
A Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio, com o GP do Canadá, quinto da temporada 2026.
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Fonte original: Grande Prêmio