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Pressão midiática acabou com dream team da Copersucar, revela Emerson

Única equipe brasileira da história da F1 tinha bons pilotos, dirigentes consagrados e até Adrian Newey como 'junior', mas projeto ruiu em ano promissor

Pressão midiática acabou com dream team da Copersucar, revela Emerson

Única equipe brasileira da história da F1 tinha bons pilotos, dirigentes consagrados e até Adrian Newey como 'junior', mas projeto ruiu em ano promissor

Em 1980, Emerson Fittipaldi realizou grande ambição com a Copersucar de montar um 'dream team', tanto de pilotos quanto de equipe técnica na Fórmula 1. Não deu tempo, porém, de colher os frutos graças à pressão midiática e falta de patrocinadores, o que trouxe a ele e aos envolvidos no projeto uma das notícias mais chocantes de sua vida.

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Naquela época, ao anúncio do F8, que futuramente conquistaria dois pódios, estariam no cockpit ele, com toda a experiência de um bicampeão, e Keke Rosberg, que faturaria o Mundial dois anos depois, em 1982, pela Williams. Faltou para quem acompanhava de perto o entendimento de que o automobilismo é uma ciência de longo prazo.

Em entrevista ao podcast Beyond the Grid, Emerson Fittipaldi relembrou como se sentiu "realizado" em 1980 com a chegada de Peter Warr, que foi seu chefe de equipe na conquista de 1972, do finlandês e de nomes que, na época, ainda eram potenciais gênios - caso de Adrian Newey, que estagiou na Copersucar antes de se tornar um dos maiores engenheiros da F1.

"Para mim, era um dream team. Tínhamos o novo carro, que desenvolvemos como um ótimo carro, o Peter Warr e Keke Rosberg como companheiro de equipe, e Newey como um 'júnior' ainda", contou o bicampeão, antes de receber a notícia que o devastaria.

Equipe levou cinco anos para ter um 'dream team', que durou pouco tempo pelas notícias sobre a equipe na imprensa e preocupação de patrocinadores.

"Em julho, o pessoal do marketing da Skol (que patrocinava a escuderia), ligou e disse que a imprensa brasileira, não a imprensa de corridas, mas a normal, que não entende do esporte, está destruindo o time", revelou. Essa má reputação midiática, segundo Emerson, contribuiu para a futura falta de patrocinadores.

"(Diziam que) eram cinco anos sem resultados que não justificavam continuar com o investimento", relembrou. "Tive essa notícia chocante em julho, quando anunciamos o F8. Na segunda, eu liguei para todo mundo e disse: 'Vou deixar o Keke sair, o Peter Warr, todo mundo'. Foi algo muito ruim, mas que faz parte do esporte".

Para Emerson, a temporada de 1980 e o F8 poderiam representar uma virada de chave para a Copersucar na F1.

Foto de: Simon Galloway / Motorsport Images

Emerson contou que tentou encontrar um patrocinador, mas a 'destruição' promovida pela imprensa naqueles anos tornou as vendas muito difíceis. Quem mais sofreu, segundo o bicampeão, foi seu irmão Wilson Fittipaldi, que se dedicou muito ao projeto e pilotou o carro na estreia da equipe, em 1975.

"Ele ficou doente por causa disso, porque sentia muito que era a vida dele. Naquele ponto, você tinha um bom time e não podia continuar", finalizou o ex-piloto, que fez suas últimas corridas na F1 a bordo do F8, o carro que poderia ter marcado o início de uma era vitoriosa para um time brasileiro.

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