Cancelamento de provas no Bahrein e na Arábia Saudita forçou mudanças na programação
Foto de: Sam Bloxham / LAT Images via Getty Images
A FIA publicou nesta quarta-feira um extenso documento explicando oficialmente como funcionará o ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Upgrades) na Fórmula 1. O mecanismo foi criado para permitir que os fabricantes de unidades de potência que estiverem em desvantagem em 2026 possam desenvolver seus motores mesmo após a homologação inicial, mas precisou passar por modificações após o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita.
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O órgão confirmou que os primeiros resultados serão comunicados no máximo duas semanas após o GP do Canadá, momento em que os fabricantes que cumprirem os critérios poderão começar a introduzir melhorias já a partir da próxima corrida.
A medida surge como uma rede de segurança para evitar que alguma montadora fique completamente para trás no novo regulamento, especialmente após o temor de que se repitam diferenças tão marcantes quanto as vistas no início da era híbrida, em 2014.
Como a FIA decidirá quais equipes receberão auxílio
A Federação Internacional de Automobilismo monitorará o desempenho do motor de combustão interna (ICE) de cada fabricante durante três períodos específicos da temporada. Para isso, elaborará um “índice de desempenho” baseado em vários fatores: o torque, a rotação do motor, a potência do MGU-K e o impacto da potência no tempo por volta.
O sistema não avaliará o desempenho completo da unidade de potência, uma vez que a análise se concentra exclusivamente no motor térmico e não no conjunto total do ERS (sigla em inglês para sistema de recuperação de energia em tradução livre), embora leve em consideração variáveis reais medidas na pista, como temperaturas ou condições aerodinâmicas, sem aplicar correções artificiais.
O critério principal será a diferença em relação ao melhor motor do grid. Qualquer fabricante cujo motor de combustão interna esteja pelo menos 2% abaixo do mais competitivo poderá ter acesso ao ADUO. Inicialmente, o regulamento dividia a temporada em três blocos de seis corridas, mas o cancelamento do Bahrein e da Arábia Saudita, devido à situação no Oriente Médio, forçou modificações.
Por isso, o primeiro período abrange Austrália, China, Japão, Miami e Canadá. O segundo irá de Mônaco à Hungria e o terceiro da Holanda ao México.
A FIA quis deixar claro que o ADUO não funcionará como um sistema artificial para equalizar desempenhos. Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da instituição, já explicou que não haverá vantagens esportivas diretas, como maior fluxo de combustível ou redução de peso, mas que o mecanismo se baseia em oferecer margem econômica e técnica adicional àqueles que estiverem em desvantagem.
Na prática, o sistema permite excluir certas despesas de desenvolvimento do limite orçamentário destinado aos fabricantes de motores. Os auxílios econômicos variarão de acordo com a desvantagem em relação ao melhor motor:
Entre 2% e 4% de déficit: até 3 milhões de dólares (R$14,7 milhões)
Entre 4% e 6%: até 4,65 milhões (R$22,8 milhões)
Entre 6% e 8%: até 6,35 milhões (R$31,2 milhões)
Entre 8% e 10%: até 8 milhões (R$39,2 milhões)
Mais de 10%: até 11 milhões de dólares (R$54 milhões)
Além disso, somente em 2026, os fabricantes com um déficit superior a 10% poderão antecipar até 8 milhões (R$39,2 milhões) adicionais de períodos futuros do limite orçamentário para acelerar o desenvolvimento.
Quantas melhorias poderão ser introduzidas
Assim que a FIA publicar os resultados de cada período de avaliação, os fabricantes que estiverem dentro dos limites do ADUO não receberão apenas uma confirmação genérica. O órgão enviará também uma notificação individual a cada fabricante elegível, detalhando exatamente qual o nível de auxílios que obtém, tanto em termos econômicos quanto de possibilidades de homologação. A partir desse momento, esses fabricantes poderão começar a introduzir as melhorias permitidas já a partir da próxima corrida.
O regulamento também estabelece diferentes níveis de atualizações permitidas de acordo com a magnitude do atraso. Os fabricantes situados entre 2% e 4% abaixo do melhor motor receberão uma atualização extra de homologação na temporada atual e outra adicional para 2027. Se o déficit ultrapassar 4%, o fabricante terá direito a duas evoluções extras na temporada em curso e outras duas para o ano seguinte.
Fonte original: Motorsport.com Brasil - F1