Um dos maiores nomes da história da Nascar, Kyle Thomas Busch morreu nesta quinta-feira (21), aos 41 anos de idade. O piloto foi bicampeão da Cup Series, em 2015 e 2019, e entrou para a história como o competidor com mais vitórias somadas em todas as categorias, incluindo Truck Series e Xfinity.
Nascido na cidade de Las Vegas, em Nevada, no dia 2 de maio de 1985, começou a andar de kart quando tinha apenas seis anos. Depois de algum tempo trabalhando na oficina da família ao lado do pai e do irmão mais velho, Kurt Busch, também campeão da Nascar, começou a carreira profissional em 1998, pouco antes de completar 13 anos.
Entre 1999 e 2001, Busch venceu mais de 65 corridas na Legends Car, categoria em que as carrocerias dos carros são réplicas de automóveis norte-americanos das décadas de 1930 e 1940, onde se sagrou bicampeão. Na sequência, passou a competir na Late Model, conquistando dez vitórias no total.
Com tamanho talento, começou a competir na Truck Series quando tinha somente 16 anos, escolhido para substituir Nathan Haseleu no comando do Ford #99 da Roush Racing. Logo na estreia, que aconteceu no Indianapolis Raceway Park, terminou na nona posição, antes de ficar muito próximo do triunfo na segunda etapa, no Chicago Motor Speedway, onde liderou até o momento em que restavam 12 voltas para o fim, quando o caminhão ficou sem combustível.
Busch foi o mais rápido nos treinos para o Auto Club 200, em 2001, no California Speedway, mas foi impedido de competir por causa de um acordo firmado em 1998, que proibia menores de 18 anos de participar de eventos patrocinados por empresas de tabaco. Ao longo daquele mesmo ano, competiu em seis corridas da Truck Series, tendo dois nonos lugares como melhores resultados.
Em 2002, a Nascar definiu que só aceitaria pilotos com mais de 18 anos de idade, o que fez com que Kyle se mudasse para o American Speed Association National Tour, onde terminou na oitava posição. Durante a temporada, estreou na Arca Menard Series no Lowe’s Motor Speedway, conquistando um ótimo segundo lugar a bordo do Chevrolet #22 da WP Motorsport.

Como piloto de desenvolvimento da Hendrick Motorsports, Busch ingressou na Nascar Xfinity Series em 2003, ano em que disputou sete corridas pela equipe NEMCO, terminando em segundo lugar duas vezes. Em novembro daquele ano, ficou próximo de fazer a estreia na Cup Series em Homestead a bordo do Chevrolet #80 da Hendrick, mas ficou de fora após falhar na inspeção técnica pré-corrida e não ter um carro reserva.
Na primeira temporada completa na Xfinity, em 2004, Busch conquistou a primeira pole-position no Darlington Raceway e a primeira vitória no Richmond International Raceway. Após subir no degrau mais alto do pódio em outras quatro oportunidades, igualou Greg Biffle como o novato com mais vitórias, o que o ajudou a terminar o ano em segundo lugar na classificação geral, atrás do campeão Martin Truex Jr. — o que lhe conferiu também o prêmio de Novato de Ano.
Kyle estreou na Cup Series ainda em 2004, no comando do Chevrolet #84 da Hendrick. Em seis corridas no total, a foi no Las Vegas Motor Speedway, embora o melhor resultado tenha sido um 24º lugar no California Speedway. Devido ao bom desempenho, foi anunciado em outubro como piloto integral da Hendrick em 2005, substituindo Terry Labonte no Chevrolet #5.
Com 19 anos e 317 dias, tornou-se até então o mais jovem a conquistar uma pole-position na história da Nascar em uma etapa da Cup Series, no California Speedway, em 2005. Meses depois, em setembro, no mesmo local, adquiriu o recorde de piloto mais jovem da história a vencer, com 20 anos e 152 dias — somente quatro dias mais jovem que o recordista anterior, Donald Thomas.

Mas a coleção de recordes não parou por aí: em 2006, tornou-se o mais jovem a se classificar para o Chase da Nascar; já em 2008, na primeiro temporada defendendo a Joe Gibbs Racing, entrou para a história ao ser o primeiro ao triunfar com um Toyota na Cup Series. Busch também foi o único a vencer quatro vezes consecutivas no Richmond International Raceway, entre 2009 e 2012.
O primeiro título, conquistado em 2015, veio acompanhado de muita superação. No dia 21 de fevereiro daquele ano, Busch se envolveu em um acidente com vários carros a oito voltas do fim da corrida da Xfinity no Daytona International Speedway, batendo de frente em um muro a uma velocidade estimada de 140 km/h. Como resultado, teve uma fratura exposta na parte inferior da perna direita, uma pequena fratura no pé esquerdo e uma entorse no dedo da mão esquerda. Apesar das muitas lesões, recebeu uma isenção médica da Nascar, o que o deixou elegível para o restante do campeonato, desde que se recuperasse.
O retorno aconteceu no dia 16 de maio. Quase quatro meses após o acidente, em 13 de junho, venceu a etapa de Michigan, o que marcou o início de uma bela trajetória rumo à vaga no Chase: com triunfos em Sonoma, Kentucky, New Hampshire e Indianápolis, além de outros resultados surpreendentes, garantiu a passagem para as rodadas decisivas do campeonato com uma prova de antecedência. Foi então que, em 22 de novembro, ao sair vitorioso da Ford EcoBoost 400, levantou o troféu da Cup Series pela primeira vez.
Busch conseguiu resultados expressivos nos três anos seguintes. Em 2018, por exemplo, venceu a 50ª corrida da carreira na Cup Series em Richmond, tornando-se o único piloto na história com mais de 50 vitórias em todas as três principais categorias da Nascar. Ainda que a vitória em Phoenix o tenha feito chegar ao Championship Four, Kyle terminou aquela temporada na quarta posição geral.

Em 2019, teve um início forte de campeonato ao garantir o segundo lugar nas 500 Milhas de Daytona, antes de alcançar a primeira vitória do ano na quarta etapa, no ISM Raceway. Ao longo da temporada, manteve alto nível de competitividade, com destaque para os triunfos em Bristol e no Pocono 400, que o fez, inclusive, igualar as 55 vitórias de Rusty Wallace na categoria.
Apesar de ter sido superado pelo irmão Kurt em um duelo direto no Kentucky, marcando a terceira vez que os dois completaram 1-2 em uma corrida da Cup Series, Kyle seguiu com boa regularidade, que foi decisiva para garantir, após a Southern 500 em Darlington, o segundo título consecutivo da temporada regular. Mesmo com contratempos pontuais, como a quebra em Indianápolis, terminou no top-10 em 21 oportunidades naquele ano, consolidando uma campanha para lá de sólida.
É verdade que a jornada pelos playoffs foi bastante irregular em um primeiro momento, com dificuldades na etapa de Las Vegas e um abandono em Charlotte — sempre mesclado com momentos de recuperação, como foi o caso do segundo lugar em Richmond. Mesmo que tenha se envolvido em alguns acidentes, como em Talladega, a consistência e os pontos de bônus conquistados o ajudaram a avançar.
Com bons resultados no Texas e ISM Raceway, assegurou a vaga no Championship Four. Em Homestead, chegou como azarão, mas dominou a corrida e alcançou a vitória, garantindo o segundo e último título da Cup Series — além de encerrar um jejum de 21 etapas sem subir no degrau mais alto do pódio.

Busch apresentou uma queda de rendimento em 2020, terminando a temporada com nenhuma vitória pela primeira vez desde 2005. No ano seguinte, teve uma melhora clara no desempenho e coletou dois triunfos, embora tenha sido eliminado novamente no Round of 8 dos playoffs, ficando distante da briga pelo título. Até que, em setembro de 2022, após mais um campeonato de altos e baixos, anunciou que deixaria a Joe Gibbs após mais de uma década para assinar com a Richard Childress Racing.
A temporada 2023 começou com um 19º lugar nas 500 Milhas de Daytona, antes de, na semana seguinte, garantir a primeira vitória com a nova equipe, em Fontana. Após mais duas conquistas, em Talladega e Gateway, Kyle foi eliminado no Round of 12 dos playoffs. Ainda que tenha ficado longe da briga pelo título, aquele ano foi encarado de maneira muito positiva, uma vez que recuperou o protagonismo de maneira quase que imediata com a nova equipe.
As dificuldades, porém, voltaram a aparecer em 2024, quando passou em branco e se viu até mesmo fora dos playoffs — sem dúvida, a temporada mais difícil desde 2020. A situação seguiu complicada em 2025, quando falhou em alcançar os playoffs pela segunda vez consecutiva e terminou no ano em 21º na classificação geral — a primeira vez da carreira na Cup Series em que ficou fora do top-20.
Em 2026, destacou-se pela pole-position conquistada nas 500 Milhas de Daytona e também pela vitória na etapa de Dover da Truck Series, a última da carreira. Às vésperas da disputa da Charlotte 600, porém, foi informado que Busch havia sido internado devido a uma severa doença e que, por isso, seria substituído por Austin Hill, o que chamou a atenção de todos para o quão grave poderia ser a situação de saúde.

Não demorou muito, infelizmente, para a morte ser anunciada — exatamente no mesmo dia da hospitalização. Busch era casado com Samantha Sarcinella desde 31 de dezembro de 2010, com quem teve dois filhos: Brexton Locke, nascido em maio de 2015, e Lennix Key, que veio ao mundo em maio de 2022.
O post Kyle Busch, 1985 – 2026 apareceu primeiro em Grande Prêmio.
Fonte original: Grande Prêmio