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Na Garagem: Panis supera pandemônio e vence GP de Mônaco com apenas 3 sobreviventes

Olivier Panis largou apenas em 14º, sobreviveu a uma corrida marcada por chuva, acidentes e abandonos e deu à Ligier a última vitória na Fórmula 1 no GP de Mônaco de 1996 O post Na Garagem: Panis supera pandemônio e vence GP de Mônaco com…

Na Garagem: Panis supera pandemônio e vence GP de Mônaco com apenas 3 sobreviventes
Olivier Panis celebra a única vitória da carreira (Foto: Pascal Rondeau)

Há exatamente 30 anos, o GP de Mônaco de 1996 entrou para a história como uma das corridas mais caóticas, imprevisíveis e emblemáticas já vistas na Fórmula 1. Em meio à chuva, acidentes, panes mecânicas e apenas três carros recebendo a bandeirada, Olivier Panis protagonizou uma das maiores zebras da categoria ao conquistar a única vitória da carreira — e a última da Ligier na F1.

O triunfo do francês, então com 29 anos, representou também o primeiro sucesso de um motor Mugen-Honda desde a saída oficial da montadora japonesa da categoria, no fim de 1992. Mais do que isso: virou um símbolo de resistência de uma equipe tradicional francesa que vivia período turbulento financeira e politicamente.

Aquele domingo de 19 de maio de 1996 começou sob enorme expectativa em torno de Damon Hill. O piloto da Williams chegava ao Principado com quatro vitórias nas cinco primeiras corridas da temporada e aparecia como favorito absoluto. Filho do lendário Graham Hill — por muito tempo, recordista de triunfos em Mônaco, com 5, até ser ultrapassado por Ayrton Senna em 1993 —, Damon queria finalmente vencer no lendário circuito depois de perder a prova de 1995 para Michael Schumacher mesmo após largar na pole.

Mas foi Schumacher quem brilhou no sábado. O alemão colocou a Ferrari na pole-position com mais de 0s5 de vantagem sobre Hill e garantiu à escuderia italiana a primeira pole em Mônaco desde 1979. Jean Alesi e Gerhard Berger colocaram a Benetton na segunda fila, enquanto Panis sofreu nos treinos. Um problema eletrônico comprometeu a classificação da Ligier, e o francês largaria apenas em 14º — o que minava qualquer expectativa de um bom resultado. O domingo, porém, virou um teste de sobrevivência.

Damon Hill chegou a Mônaco como favorito e sonhava em repetir feitos do pai Graham (Foto: Reprodução)

Uma forte chuva atingiu Monte Carlo e deixou o circuito completamente encharcado. As equipes correram contra o tempo para adaptar os carros, enquanto vários pilotos enfrentaram problemas ainda no warm-up. Mika Häkkinen bateu a McLaren e precisou usar o carro reserva. Já Luca Montermini bateu a Forti na saída do túnel e sequer conseguiu alinhar no grid pela ausência de um modelo extra.

David Coulthard viveu situação curiosa: percebendo que a viseira do capacete não funcionaria adequadamente na chuva, pediu emprestado um modelo de Schumacher. O alemão aceitou, e o escocês disputou a corrida usando o famoso capacete azul, branco e vermelho do rival da Ferrari.

Na largada, Hill tomou a liderança de Schumacher na Sainte Dévote, enquanto Jos Verstappen apostava nos pneus slicks em pista molhada — estratégia que terminou imediatamente no muro. O caos aumentou ainda mais momentos depois. Ainda na primeira volta, Schumacher escapou na curva Portier ao tocar a zebra molhada e bateu a Ferrari no guard-rail. Rubens Barrichello também rodou e abandonou pouco depois.

Em apenas quatro voltas, sete pilotos já estavam fora da prova. Hill parecia caminhar tranquilamente para a vitória. O britânico abriu mais de 20s sobre Alesi e controlava completamente a corrida, enquanto atrás dele o pelotão se digladiava em pista traiçoeira. Panis, entretanto, começava silenciosamente a construir a atuação da vida.

Michael Schumacher fez a pole, mas bateu e abandonou ainda na primeira volta (Foto: Reprodução)

Com a Ligier carregada de combustível graças a uma estratégia ousada desenhada após a chuva da manhã, o francês ganhou posições ainda na primeira parte da corrida. Diferentemente de muitos rivais, precisou apenas trocar pneus quando a pista secou, sem reabastecer, e saltou para a disputa pelas primeiras posições. A partir dali, brilhou.

Panis ultrapassou Martin Brundle, Häkkinen, Johnny Herbert e protagonizou uma das manobras mais marcantes da corrida ao atacar Eddie Irvine na Loews. O irlandês fechou a porta de maneira agressiva, houve toque entre os carros, mas o francês conseguiu completar a ultrapassagem e assumiu o terceiro lugar. Pouco depois, a corrida virou completamente.

Na volta 40, o motor Renault de Hill explodiu no túnel quando liderava com mais de 25s de vantagem. O abandono do britânico abriu caminho para Alesi assumir a ponta e colocou Panis definitivamente na briga pela vitória. Só que o drama ainda não havia terminado.

No giro seguinte, Panis passou pela enorme mancha de óleo deixada pela Williams e quase rodou na chicane do porto. O francês, porém, conseguiu controlar a Ligier e evitou bater no muro. Coulthard se aproximou imediatamente, mas Panis voltou a abrir vantagem.

Olivier Panis conseguiu ultrapassagem magistral na marra sobre Eddie Irvine (Foto: Reprodução)

Alesi parecia ter a vitória nas mãos até a volta 60, quando um problema na suspensão traseira da Benetton obrigou o francês a parar nos boxes. De repente, Panis herdava a liderança do GP de Mônaco. A Ligier mal conseguia acreditar.

Restavam poucos carros na pista. A corrida seguia em direção ao limite de duas horas, enquanto novas gotas de chuva começavam a cair em Monte Carlo. Coulthard pressionava forte, mas ficou preso atrás de retardatários e depois recebeu ordem da McLaren para garantir o resultado sem assumir riscos excessivos.

Na volta 71, mais um acidente tirou Häkkinen, Irvine e Mika Salo de uma só vez. Restaram apenas quatro carros em condições de continuar. Em um distante quarto lugar e sem chances reais de buscar um lugar ao pódio, Heinz-Harald Frentzen decidiu recolher aos boxes instantes antes do limite de duas horas, deixando apenas três pilotos na pista para o que seria a última volta.

Quando o relógio atingiu a duração máxima, a direção encerrou oficialmente a corrida. Panis cruzou a linha de chegada 5s à frente de Coulthard e conquistou vitória histórica e improvável nas ruas de Monte Carlo. Johnny Herbert foi o terceiro e último a receber a bandeira quadriculada, completando o pódio para a Sauber.

Panis levou uma das vitórias mais improváveis da história da Fórmula 1 em Mônaco (Foto: Reprodução)

A vitória teve peso enorme para a Ligier. A equipe francesa não triunfava desde o GP do Canadá de 1981, com Jacques Laffite. O próprio francês estava no pit-wall naquele domingo e celebrou emocionado o resultado. Panis saiu eternizado.

Até hoje, o francês é lembrado como um dos vencedores mais improváveis da história da Fórmula 1. E embora tenha se beneficiado do caos, a atuação foi muito além da sorte: fez ultrapassagens na pista, administrou a pressão de Coulthard nas voltas finais e guiou de maneira impecável em condições extremamente difíceis.

O triunfo em Mônaco acabou sendo o único da carreira de Panis. Também foi a última vitória da Ligier antes de a equipe se transformar na Prost GP anos depois. Três décadas depois, segue como uma das corridas mais lendárias, insanas e imprevisíveis já produzidas pela Fórmula 1.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 113:3015:3017:3018:30
Classificação Sprint17:3019:3021:3022:30
Corrida Sprint13:0015:0017:0018:00
Classificação17:0019:0021:0022:00
Corrida17:0019:0021:0022:00

*Horário de Brasília

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